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07 de janeiro de 2026

Fábrica com 330 funcionários fecha as portas no Paraná; ‘pegos de surpresa’


Por Banda B, parceira do GMC Online Publicado 07/01/2026 às 10h47
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Banda B

Cerca de 330 funcionários da empresa Dipro do Brasil, localizada no bairro Costeira, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), procuraram a Banda B após o encerramento das atividades da fábrica. Segundo eles, não houve a quitação dos direitos trabalhistas. A empresa é focada na fabricação de cabos e condutores elétricos de média e baixa tensão, além de cabos de rede, e funcionava no local anteriormente como Conduspar.

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Foto: Eliandro Santana/ Banda B

De acordo com os trabalhadores, em meados de dezembro de 2025, a empresa comunicou o cancelamento das férias, que também não foram pagas. Além disso, mesmo com as atividades ainda em andamento, os funcionários passaram a perceber que a estrutura da empresa começou a ser desmontada, sem qualquer posicionamento oficial da direção.

Os funcionários também relataram que a Dipro pretende assumir os acertos trabalhistas referentes a um ano e meio, período em que a empresa teria comprado a antiga Conduspar. No entanto, a Banda B apurou que há trabalhadores com 10, 15 e até 25 anos de casa.

Segundo Lucas Gabriel Ribeiro, funcionário com cinco anos de empresa, os principais benefícios deixaram de ser pagos ainda em dezembro. Ele também contou que, durante a transição entre as empresas, todos continuaram atuando dentro do mesmo grupo econômico.

“Não depositaram o vale-mercado, não honraram o pagamento do dia 5 e agora querem pagar só uma parte, parcelada em 12 vezes. Em nenhum momento, quando eles assumiram a empresa, eles deram baixa nos funcionários e contrataram de volta. Com isso, entendemos que eles assumem a responsabilidade do tempo de casa. O que revolta é saber que famílias inteiras vão ficar sem renda. Se não fosse o sindicato, a gente só saberia disso no dia da demissão” disse Ribeiro.

Incerteza

Com 26 anos de trabalho na empresa, Adilson Costa relatou que o clima de incerteza já vinha sendo percebido pelos funcionários.

“Eles sempre falavam muito e não cumpriam. A gente via material sendo retirado, produto acabado saindo, mas ninguém falava a verdade. Somos pais de família, sempre fizemos nossa parte, eu nunca pensei que fosse passar por isso. Agora estamos sem salário, sem benefício e sem previsão de nada” afirmou Adilson.

Já Eliel de Jesus, com sete anos de empresa, destacou a falta de transparência. “A empresa sempre pregou transparência, mas não foi o que aconteceu. Fomos pegos de surpresa. O mínimo que esperamos agora é que honrem o que foi prometido, porque dependemos disso para sustentar nossas famílias. É um desrespeito com todos, porque sempre oferecemos os nossos trabalhos”, explicou o funcionário.

De acordo com Elton Vale, funcionário há 15 anos, a forma como tudo foi conduzido agravou ainda mais a situação.

“Recebemos essa notícia de forma amarga. Voltamos de Natal e Ano Novo achando que estava tudo normal e, de repente, recebemos a notícia de que todos seriam desligados. É direito da empresa, mas o trabalhador também tem direitos. Merece ser informado, tratado bem, porque sempre honramos o nome da empresa. A comunicação foi péssima e só o sindicato tem nos dado algum suporte” complementou Elton.

O que diz a empresa

A Banda B entrou em contato com a Dipro do Brasil. Leia a nota na íntegra:

“A DIPRO DO BRASIL LTDA esclarece que a rescisão consensual do contrato de compra e venda da Unidade Produtiva Isolada (UPI), firmada com a empresa CONDUSPAR, resultou no encerramento das atividades dessa unidade específica, impactando os contratos de trabalho diretamente vinculados à respectiva operação.

A decisão decorre das dificuldades econômico-financeiras enfrentadas pela companhia, que inviabilizaram a continuidade da operação nos moldes originalmente pactuados. Diante desse cenário, DIPRO e CONDUSPAR ajustaram, de comum acordo, a rescisão do contrato relativo à Unidade Produtiva Isolada e a devolução da operação, como medida necessária para permitir a avaliação de eventuais alternativas futuras.

A DIPRO destaca que não há qualquer atraso no pagamento de salários, tendo sido efetuado regularmente nesta data, 06 de janeiro, correspondente ao terceiro dia útil do mês, em estrita observância à legislação trabalhista.

Da mesma forma, não há atraso no pagamento do vale-alimentação, cujo pagamento será realizado em 07 de janeiro, conforme previamente informado aos colaboradores.

No que se refere aos desligamentos decorrentes do encerramento da unidade, a empresa reafirma que todas as verbas rescisórias serão pagas de forma integral, nos prazos e termos previstos na legislação vigente, com absoluto respeito aos direitos dos trabalhadores envolvidos.

A DIPRO informa, ainda, que todo o processo vem sendo acompanhado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região, com quem mantém canal permanente de diálogo, transparência e colaboração, colocando-se à disposição para prestar esclarecimentos e buscar, dentro de suas possibilidades, medidas que contribuam para a mitigação dos impactos decorrentes do encerramento da operação.”

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