Fábrica de queijo de R$ 612 milhões escolhe cidade de 9,5 mil habitantes do Paraná e será uma das maiores do Brasil


Por Redação GMC Online

O município de São Jorge D’Oeste, no Sudoeste do Paraná, com pouco mais de 9,5 mil moradores, passou a ganhar projeção nacional após ser escolhido pelo Grupo Piracanjuba para receber um dos maiores investimentos da indústria de laticínios do país. Ao GMC Onlimne, a empresa confirmou que iniciou as atividades da nova fábrica instalada na cidade, dando início à produção de mussarela em barra, principal queijo consumido pelos brasileiros.

Foto: Divulgação/Piracanjuba

Com aporte total de R$ 612 milhões, o empreendimento coloca São Jorge D’Oeste no radar dos grandes projetos industriais e consolida a unidade como uma das maiores fábricas de queijos do Brasil. De acordo com a empresa, a entrada em operação da planta representa um avanço importante no plano de crescimento do grupo, ampliando a capacidade produtiva e fortalecendo sua presença nos mercados do Sul e Sudeste.

A escolha do município paranaense também tem forte peso estratégico. Segundo a empresa, ao GMC Online, a nova unidade foi planejada para otimizar a logística, reduzir distâncias entre centros produtores e consumidores, encurtar prazos de entrega e elevar a eficiência operacional. Com isso, o Grupo Piracanjuba busca diminuir custos e ganhar competitividade frente a outros grandes players do setor.

Além disso, a fábrica contribui diretamente para o desenvolvimento regional, estimulando a economia local e fortalecendo a cadeia do leite no entorno do município.

Empregos e impacto econômico

O projeto deve provocar uma transformação significativa na economia de São Jorge D’Oeste e região. A previsão é de aproximadamente 250 empregos diretos, além de centenas de postos indiretos gerados nos setores de transporte, comércio, serviços e agropecuária. Produtores de leite locais também tendem a ser beneficiados com o aumento da demanda.

O investimento conta com apoio do programa Paraná Competitivo, iniciativa do governo estadual voltada à atração e consolidação de grandes empreendimentos industriais.

A nova fábrica possui 54 mil metros quadrados de área construída e capacidade para processar até 1,37 milhão de litros de leite por dia. Nesta fase inicial, a produção está concentrada na mussarela em barra, mas o complexo já foi projetado para operar de forma diversificada.

Quando estiver em plena capacidade, a unidade deverá alcançar a marca de 39,4 mil toneladas anuais de mussarela e 7,9 mil toneladas de manteiga, volumes que colocam a planta entre as maiores do segmento no território nacional.

Aproveitamento do soro e inovação industrial

Outro destaque do projeto é o conceito industrial integrado. No mesmo parque fabril, o Grupo Piracanjuba instalará duas plantas específicas para o processamento do soro de leite, subproduto da fabricação de queijos. A proposta é transformar esse material em produtos de maior valor agregado.

A expectativa é produzir até 6 mil toneladas por ano de whey protein e cerca de 14,8 mil toneladas anuais de lactose em pó. O modelo é considerado inovador no Brasil, por reunir, em um único complexo, uma grande queijaria e unidades voltadas ao aproveitamento total da matéria-prima.

Menos dependência externa

Com a nova estrutura, a empresa também contribui para reduzir a dependência do Brasil de importações de whey protein e lactose, insumos amplamente utilizados nas áreas de nutrição, saúde, indústria farmacêutica e cosmética. Atualmente, a maior parte desses produtos ainda vem do exterior, o que impacta a balança comercial.

O secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, fez uma visita técnica á nova fábrica no fim de outubro de 2025. Foto: Divulgação

Queijo faz parte da tradição de São Jorge D’Oeste

Além de receber grandes investimentos da indústria de laticínios, São Jorge D’Oeste, no Sudoeste do Paraná, também se consolida como referência na produção de queijos artesanais de alta qualidade. O município reúne tradição, inovação e reconhecimento nacional, fortalecendo sua posição no mapa do setor leiteiro paranaense.

Um dos destaques é a Queijaria Três Amores, comandada pela produtora Maristela Gaio, que vem acumulando importantes conquistas. O empreendimento foi premiado com duas medalhas Super Ouro no Prêmio Mundial do Queijo Brasil 2024, uma das principais competições do segmento no país, além de diversos reconhecimentos em concursos regionais e estaduais. Em maio de 2025, a queijaria obteve o selo SUSAF, certificação que autoriza a comercialização dos produtos em todo o Paraná, ampliando mercados e impulsionando a expansão da marca.

Outro exemplo da força do setor é o tradicional Laticínio Mangoni, fundado em 1993, na comunidade de Linha Santa Bárbara, em São Jorge D’Oeste, por José Mangoni e Cezar Mangoni. No início, a produção era modesta, restrita à muçarela e ricota, em uma estrutura de apenas 200 metros quadrados. Com o passar dos anos, a empresa cresceu de forma contínua e hoje conta com uma área industrial de cerca de 2 mil metros quadrados, além de um portfólio diversificado.

Atualmente, o laticínio é administrado por Marilúcia Mangoni, junto com os filhos Augusto e Bárbara, e atua sob a marca Queijos Nato Bom. A linha de produtos inclui muçarela, parmesão, provolone defumado, queijo prato, queijo coalho, queijo colonial tradicional e temperado, além de derivados como ricota, manteiga e requeijão. O nome Nato Bom nasceu da participação dos próprios colaboradores e remete aos valores de qualidade, naturalidade e origem.

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