O município de São Jorge D’Oeste, no Sudoeste do Paraná, se prepara para um marco histórico em sua economia. O Grupo Piracanjuba, uma das maiores indústrias de laticínios do Brasil, confirmou que a nova fábrica instalada na cidade será oficialmente inaugurada no dia 26 de março, segundo o prefeito da cidade, Gelson Coelho.
Com aporte de R$ 612 milhões, o empreendimento coloca a cidade — que tem pouco mais de 9,5 mil moradores — no mapa dos grandes projetos industriais do setor lácteo no país. Ao GMC Online, no começo de janeiro, a empresa confirmou que planta já iniciou as atividades com a produção de mussarela em barra, o tipo de queijo mais consumido pelos brasileiros.
A nova unidade possui 54 mil metros quadrados de área construída e capacidade para processar até 1,37 milhão de litros de leite por dia, o que a coloca entre as maiores fábricas de queijo do Brasil.
Fábrica amplia presença da Piracanjuba no Sul do país
De acordo com o grupo, a instalação da fábrica no Paraná faz parte de um plano estratégico de expansão nacional. A localização foi escolhida para otimizar a logística e reduzir distâncias entre centros produtores e consumidores, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.
A estratégia busca diminuir custos operacionais, encurtar prazos de entrega e aumentar a competitividade frente a outros grandes players do setor de laticínios.
Além da produção de queijo, o complexo industrial foi planejado para operar de forma integrada e com capacidade diversificada. Quando estiver em plena operação, a unidade poderá produzir cerca de 39,4 mil toneladas de mussarela por ano, além de 7,9 mil toneladas de manteiga, volumes que posicionam a planta entre as maiores do segmento no país.
Geração de empregos e impacto na economia regional
O investimento deve provocar uma transformação significativa na economia de São Jorge D’Oeste e de municípios vizinhos.
A estimativa é de aproximadamente 250 empregos diretos, além de centenas de vagas indiretas em áreas como transporte, comércio, serviços e agronegócio. Produtores rurais da região também devem ser beneficiados com o aumento da demanda por leite.
O projeto conta ainda com apoio do programa Paraná Competitivo, iniciativa do governo estadual voltada à atração e consolidação de grandes investimentos industriais no estado.
Complexo industrial terá produção de whey protein
Um dos diferenciais do projeto é o conceito industrial integrado adotado pelo Grupo Piracanjuba. No mesmo parque fabril serão instaladas duas plantas dedicadas ao processamento do soro do leite, subproduto da fabricação de queijo.
A proposta é transformar esse material em produtos de alto valor agregado.
A expectativa é que a unidade produza até:
- 6 mil toneladas por ano de whey protein
- 14,8 mil toneladas anuais de lactose em pó
Esse modelo é considerado inovador no Brasil por reunir, em um único complexo, uma grande queijaria e unidades voltadas ao aproveitamento total da matéria-prima.
Além de agregar valor à produção, o projeto também contribui para reduzir a dependência do Brasil de importações desses insumos, amplamente utilizados nas áreas de nutrição, saúde, indústria farmacêutica e cosmética.
Sustentabilidade e produção de biogás
A nova fábrica também incorpora tecnologias modernas de sustentabilidade. Entre os projetos está um sistema de tratamento de resíduos capaz de gerar biogás, que poderá ser utilizado para produção de energia a partir dos próprios resíduos industriais.
A iniciativa faz parte das estratégias da empresa para aumentar a eficiência ambiental das operações.
Prefeitura busca parceria social com a empresa
Segundo o prefeito de São Jorge D’Oeste, Gelson Coelho, a chegada da indústria deve ir além do impacto econômico e da geração de empregos, abrindo espaço para parcerias sociais no município.
“Nosso objetivo é construir uma parceria sólida com a empresa, onde o crescimento industrial também possa refletir em investimentos sociais que beneficiem diretamente as famílias de São Jorge D’Oeste”, destacou o prefeito.
A proposta da administração municipal inclui apoio a programas nas áreas de educação, assistência social, esporte e projetos comunitários, fortalecendo políticas públicas já desenvolvidas na cidade.
Para o prefeito, o empreendimento representa uma oportunidade histórica para o município.
“Estamos falando de um empreendimento que gera empregos, movimenta a economia, fortalece a produção rural e ainda abre espaço para parcerias sociais importantes para a nossa comunidade”, destacou.
Piracanjuba é uma das maiores indústrias de laticínios do Brasil
Fundado em Goiás, o Grupo Piracanjuba ocupa atualmente a segunda posição entre os maiores laticínios do país. A empresa conta com cerca de 5.600 colaboradores e uma estrutura industrial formada por:
- 11 fábricas no Brasil
- 15 postos de resfriamento de leite
- sede administrativa em Goiânia
No Paraná, além da nova unidade em São Jorge D’Oeste, o grupo também possui operações em Sulina e postos de resfriamento em Cascavel e Itapejara D’Oeste.
O portfólio da empresa inclui uma ampla variedade de produtos lácteos e bebidas nutricionais, entre eles:
- leite integral, desnatado e semidesnatado
- leite zero lactose
- leite A2
- creme de leite
- leite condensado
- achocolatados
- bebidas proteicas à base de whey
- bebidas vegetais à base de amêndoas
Em 2020, a companhia também firmou parceria com a Nestlé para produzir no Brasil o leite UHT das marcas Ninho e Molico.
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Queijo faz parte da tradição de São Jorge D’Oeste
Além de receber grandes investimentos da indústria de laticínios, São Jorge D’Oeste, no Sudoeste do Paraná, também se consolida como referência na produção de queijos artesanais de alta qualidade. O município reúne tradição, inovação e reconhecimento nacional, fortalecendo sua posição no mapa do setor leiteiro paranaense.
Um dos destaques é a Queijaria Três Amores, comandada pela produtora Maristela Gaio, que vem acumulando importantes conquistas. O empreendimento foi premiado com duas medalhas Super Ouro no Prêmio Mundial do Queijo Brasil 2024, uma das principais competições do segmento no país, além de diversos reconhecimentos em concursos regionais e estaduais. Em maio de 2025, a queijaria obteve o selo SUSAF, certificação que autoriza a comercialização dos produtos em todo o Paraná, ampliando mercados e impulsionando a expansão da marca.
Outro exemplo da força do setor é o tradicional Laticínio Mangoni, fundado em 1993, na comunidade de Linha Santa Bárbara, em São Jorge D’Oeste, por José Mangoni e Cezar Mangoni. No início, a produção era modesta, restrita à muçarela e ricota, em uma estrutura de apenas 200 metros quadrados. Com o passar dos anos, a empresa cresceu de forma contínua e hoje conta com uma área industrial de cerca de 2 mil metros quadrados, além de um portfólio diversificado.
Atualmente, o laticínio é administrado por Marilúcia Mangoni, junto com os filhos Augusto e Bárbara, e atua sob a marca Queijos Nato Bom. A linha de produtos inclui muçarela, parmesão, provolone defumado, queijo prato, queijo coalho, queijo colonial tradicional e temperado, além de derivados como ricota, manteiga e requeijão. O nome Nato Bom nasceu da participação dos próprios colaboradores e remete aos valores de qualidade, naturalidade e origem.