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26 de fevereiro de 2026

Mulher denuncia abscesso após injeção de benzetacil em UBS no Paraná: ‘Dor intensa e dificuldade para caminhar’


Por Banda B, parceira do GMC Online Publicado 26/02/2026 às 15h54
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Uma moradora de Curitiba afirma ter desenvolvido um abscesso após receber uma injeção de benzetacil em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da capital. O caso envolve a UBS do Sambaqui, localizada no bairro Sítio Cercado, e está sendo apurado pelas autoridades. As informações foram divulgadas pela Banda B, parceira do GMC Online.

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Foto: Arquivo Pessoal

Angela Dias da Silva, de 49 anos, relata que a aplicação ocorreu no dia 27 de janeiro. De acordo com ela, cerca de três dias depois começaram as dores e sinais de inflamação no local da injeção. Nesta quarta-feira, 25, a paciente afirmou que ainda enfrenta dor intensa e dificuldade para caminhar.

Com apoio da vizinha, Eni Martins, Angela formalizou denúncia na Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Saúde (DECRISA). O boletim de ocorrência foi registrado na terça-feira, 24.

Um exame pericial foi agendado no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba para o dia 2 de março, com o objetivo de avaliar a lesão e esclarecer as circunstâncias do atendimento.

Em vídeo divulgado nas redes sociais de Rafael Perich, a paciente detalhou o momento da aplicação:

“Fui tomar a injeção e acho que ela errou na aplicação. A médica ainda tentou apertar, no seco, sem anestesia. Ela me mandou ir para a Unidade de Pronto Atendimento e eu fui”

Inflamação após quatro doses da medicação

Angela havia recebido indicação médica para completar seis aplicações da medicação. No entanto, após a quarta dose, apresentou inflamação em um dos pontos de aplicação.

O prontuário médico aponta lesão compatível com abscesso e informa que a paciente está temporariamente impedida de trabalhar em razão do quadro clínico.

Segundo ela, os sintomas começaram com febre e dor já no primeiro dia após o procedimento. A paciente também relatou secreção no local.

“Eu não vou tomar as últimas duas porque eu sei que ela errou. No primeiro dia eu tive febre, dor, tomei o remédio que ela mandou tomar e estou tomando um antibiótico. O local está bem vermelho, no início saía pus com sangue, agora que ela mexeu ali, fez um buraquinho”.

Atendimento na UPA e questionamentos sobre reações adversas

Após buscar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Angela afirma ter recebido medicação e orientação para retornar para casa.

“Eu pedi o acesso ao prontuário para ser encaminhada ao hospital em busca do tratamento para a inflamação. No UPA me deram dois remédios e me mandaram para casa, mas fui bem atendida lá. No posto estão só debochando de mim”.

De acordo com a bula da benzetacil, reações dermatológicas são consideradas incomuns e incluem manifestações como erupções cutâneas, vermelhidão, coceira e urticária. O documento não menciona, de forma direta, risco de infecções ou inflamações profundas no local da aplicação.

O caso agora aguarda o resultado da perícia para esclarecer se houve falha técnica na aplicação ou se a complicação pode estar relacionada a reação individual ao medicamento.

O que dizem a Prefeitura de Curitiba e a Polícia Civil?

Procurada, a Prefeitura de Curitiba informou, por meio de nota da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), que a paciente está sendo acompanhada pela unidade de saúde Sambaqui, com troca de curativo diariamente. Inclusive, o serviço do Saúde em Casa da SMS também passou a acompanhar o caso, realizando atendimentos diretamente na residência da paciente.

Conforme a SMS, a lesão está regredindo e encontra-se em processo de cicatrização. Segundo a nota, “até o momento, não há indícios de erros de aplicação da medicação. Todo procedimento invasivo traz risco de lesão. O risco pode ser agravado dependendo de condições crônicas prévias do paciente, processo de cicatrização individual, assim como os cuidados empregados em casa”.

A SMS esclareceu também que não há terceirização nas unidades de saúde de Curitiba. Os cerca de 10,8 mil profissionais da rede municipal são servidores com ingresso por concurso público ou empregados públicos contratados por processo seletivo via Fundação Estatal de Atenção à Saúde (Feas).

“A Feas é uma fundação pública, criada pela Lei Municipal nº 13.663/2010, que integra a administração pública indireta da Prefeitura e atua sob as diretrizes da SMS. Isso significa que a Feas não pode ser considerada terceirização, pois pertence ao próprio município”, conclui a nota.

Além da Prefeitura de Curitiba, a Banda B também entrou em contato com a Polícia Civil, que confirmou que está investigando a denúncia. Segundo a polícia, prontuários médicos foram solicitados e deverão passar por análise pericial.

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