Paciente internada há sete meses após quadro de chikungunya tem alta


Por Luciana Peña/CBN Maringá

Uma paciente de 67 anos, que ficou internada por sete meses no Hospital Cemil, em Umuarama, recebeu alta hospitalar no fim da semana passada após enfrentar uma doença autoimune rara desencadeada por chikungunya. Conceição Aparecida, moradora de Iporã, chegou a ter suspeita de morte encefálica, mas respondeu ao tratamento e agora segue a recuperação em casa.

Foto: Hospital Cemil

O caso começou em junho de 2025, quando Conceição procurou uma unidade de saúde com sintomas semelhantes aos da dengue, além de formigamento nas mãos e nos pés. Após atendimento, ela voltou para casa, mas foi encontrada inconsciente por um dos filhos na madrugada do dia seguinte. A paciente foi entubada às pressas e transferida pelo Samu para a UTI do Hospital Cemil, onde foi estabilizada.

Na internação, Conceição apresentava tetraplegia, alterações oculares e rebaixamento do nível de consciência. Inicialmente, a equipe médica chegou a suspeitar de morte encefálica. No entanto, uma avaliação mais detalhada, feita por uma equipe multidisciplinar, levou a outro diagnóstico.

Segundo os médicos, a paciente estava há cerca de 15 dias com febre de chikungunya, que desencadeou a encefalite de Bickerstaff — uma doença autoimune rara, potencialmente fatal e considerada uma variante da síndrome de Guillain-Barré. A condição provoca sinais neurológicos graves, muito semelhantes aos da morte encefálica.

Durante 11 dias, Conceição permaneceu em coma. A primeira resposta ao tratamento foi percebida quando, após um pedido do filho, ela fez um leve movimento com a cabeça, sinalizando que ainda reagia a estímulos.

De acordo com a neurologista Karina Farah Sakumoto, o tratamento foi iniciado mesmo diante das incertezas. “Essa condição provoca sinais muito semelhantes aos da morte encefálica, sem que o paciente esteja, de fato, nessa situação. Com a suspeita diagnóstica, iniciamos o tratamento com imunoglobulina, mesmo diante da incerteza, já que era um caso inédito no hospital. Após 24 a 48 horas, a paciente começou a responder, com reversão dos sinais iniciais”, explica.

Apesar da melhora neurológica, a recuperação foi lenta. Conceição permaneceu por meses dependente de ventilação mecânica e enfrentou complicações decorrentes da longa permanência na UTI, o que prolongou a internação.

Agora em casa, ela segue em tratamento contínuo, com uso de medicamentos e sessões de fisioterapia, para dar sequência ao processo de reabilitação.

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