‘Só saio daqui morto ou deportado’, diz paranaense em situação ilegal nos EUA
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Victor Hugo (o nome completo não será revelado), de 31 anos, é um umuaramense ilegal nos EUA. Vive há cinco anos na Flórida, sem nehum documento daquele país. Natural de Umuarama, no Paraná, ele deixou o Brasil em busca de melhores oportunidades. Entrou no país de Donald Trump pela fronteira com o México.
Para realizar o que chama de “sonho americano”, vendeu tudo o que tinha no Brasil e gastou cerca de R$ 60 mil na travessia, realizada ao lado da então namorada, com quem já não mantém contato.
Atualmente, o imigrante brasileiro trabalha em um lava-carros administrado por um brasileiro (este com visto americano definitivo). Recebe um salário de aproximadamente 4 mil dólares, mas complementa sua renda com “moonlight” (bicos) nos finais de semana, que rendem mais 1.500 dólares, o que, convertido na moeda do Brasil, chega a R$ 30 mil.
O dinheiro extra é essencial para sustentar sua vida no país, onde compartilha um pequeno quarto-sala alugado com outros três brasileiros, naturais de Francisco Beltrão (PR) e Governador Valadares (MG).
Apesar de viver em condições modestas, Victor conseguiu adquirir um carro próprio e poupar dinheiro para investimentos no Brasil, onde diz ter uma casa rendendo aluguel.
“Tudo o que eu tenho hoje, nestes pouco mais de cinco anos, foi fruto de muito trabalho. Aqui é puxado. Não dá para desperdiçar nenhuma oportunidade. Estou tomando muito cuidado para não ser localizado (pela polícia). Só saio daqui morto ou deportado”, afirmou.
A rotina do umuaramense ilegal nos EUA
Victor Hugo descreve sua rotina como intensa. De segunda a sexta-feira, trabalha no lava-carros, onde lava desde veículos populares até SUVs de luxo. Nos finais de semana, realiza serviços gerais em reformas e manutenções residenciais, trabalhos que ele conseguiu por meio de indicações de outros brasileiros na região.
“Aqui, a gente tem que fazer de tudo um pouco. Não dá para escolher trabalho”, explicou.
Nos últimos dias, porém, Victor Hugo passou a viver sob maior tensão. Ele conta que a repressão contra imigrantes ilegais na Flórida tem aumentado, especialmente após denúncias feitas por moradores locais, que antes até mantinham uma relação amistosa com os imigrantes.
“A gente fica com medo de sair na rua ou de qualquer abordagem policial. Parece que qualquer deslize pode acabar com tudo”, desabafou.
Segundo ele, os “boatos” sobre operações de imigração e deportações têm circulado entre a comunidade brasileira, o que aumentou a sensação de insegurança. “Esse pessoal que está sendo mandado de volta já estava preso aqui há bastante tempo. Nem chegou a entrar direito”.
Trump é o ‘diabo‘
O imigrante brasileiro também relatou que o presidente Donald Trump sempre foi um nome temido entre os imigrantes ilegais. “Nos últimos anos, ele foi visto como alguém que falava muito, mas agora parece que as medidas contra quem está ilegal estão realmente se intensificando. Ele é um diabo e faz questão de mostrar isso. Mas também acho que seja um pouco de marketing”, comentou.
Para o umuaramense nos EUA, o clima no país está mais hostil, especialmente em regiões como a Flórida, onde há grande concentração de imigrantes.
Apesar das dificuldades, o rapaz segue focado em seu trabalho e na sua rotina. Ele afirma que não pretende voltar ao Brasil por conta própria e só consideraria essa hipótese caso fosse deportado.
“Não foi fácil chegar aqui e não é fácil estar aqui, mas é a vida que eu escolhi. Voltar agora seria como perder tudo o que construí. Uma hora vou voltar, claro. Mas eu espero que demore um pouco mais”, concluiu Victor Hugo.
Com informações do Obemdito.