O meteorologista Piter Scheuer fez um alerta recente sobre a possibilidade de formação de um super El Niño com potencial para provocar chuva extrema, temporais severos e aumento no risco de enchentes no Sul do Brasil nos próximos meses. Segundo ele, o fenômeno climático pode se tornar um dos mais intensos da história recente. As informações são do Bem Paraná.
De acordo com Scheuer, o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial já apresenta sinais importantes de interação entre oceano e atmosfera, condição considerada fundamental para ampliar os impactos climáticos ao longo do segundo semestre deste ano.
Os modelos analisados pelo meteorologista apontam águas extremamente aquecidas em profundidades entre 150 e 200 metros, chegando perto de 400 metros em algumas regiões do Pacífico Equatorial. O cenário é associado a uma intensa onda de Kelvin, fenômeno oceânico que favorece o fortalecimento do El Niño.
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Segundo as projeções apresentadas por Scheuer, as temperaturas do oceano podem ficar próximas ou acima de 3°C em relação à média histórica, índice considerado muito elevado e capaz de intensificar os eventos climáticos extremos.
O meteorologista explicou ainda que o fenômeno começou a influenciar o clima de forma leve durante maio, mas a tendência é de avanço gradual entre junho, julho e agosto.
Paraná pode registrar chuva acima da média durante avanço do El Niño
Entre os estados da região Sul, o Paraná aparece entre as áreas com maior risco de volumes elevados de chuva durante o desenvolvimento do fenôeno climático.
Os modelos climáticos indicam precipitações muito acima da média entre agosto, setembro, outubro e novembro, período que pode ser marcado por temporais frequentes, rajadas de vento, queda de granizo e altos acumulados de chuva em curto espaço de tempo.
Scheuer destacou que o comportamento do El Niño pode ser irregular nos primeiros meses, criando diferenças significativas entre cidades próximas. Enquanto alguns municípios podem enfrentar temporais intensos e grandes volumes de precipitação, outras localidades podem registrar pouca chuva.
Segundo o meteorologista, o padrão climático lembra episódios históricos registrados em 1982, 1983 e 2015, anos marcados por enchentes e eventos extremos em diversos estados do Sul do Brasil.
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Meteorologista faz alerta para enchentes, alagamentos e deslizamentos
A expectativa é de que as instabilidades atmosféricas aumentem de forma mais intensa no fim do inverno e durante toda a primavera.
“Depois que ele estiver com todo o vapor, com toda a energia, que é no final do inverno e durante a primavera como um todo, sai da frente, porque vem chumbo grosso: enchentes, alagamentos, enxurradas, deslizamentos de terra e quedas de barreira”, alerta o meteorologista.
Simepar e Defesa Civil acompanham evolução do fenômeno
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná realiza o monitoramento semanal da evolução do El Niño e dos possíveis impactos sobre o clima paranaense.
A Defesa Civil do Paraná também intensificou ações preventivas junto aos municípios, com treinamentos, simulados e orientações para minimizar impactos em situações de emergência climática.
Nos últimos meses, o Fundo Estadual para Calamidade Pública (Fecap) destinou R$ 16,2 milhões para obras preventivas em cidades paranaenses. Os recursos foram utilizados em projetos de drenagem urbana em Londrina e Guaratuba, além da construção de pontes rurais em Espigão Alto do Iguaçu.
Outra frente de preparação envolve a capacitação de voluntários. Neste mês, a Defesa Civil promove a maior formação já realizada no Paraná, reunindo mais de 3 mil pessoas em treinamento para atuação em situações extremas.