
A Polícia Civil do Paraná se manifestou oficialmente nesta quarta-feira, 17, sobre os novos questionamentos envolvendo a investigação da chacina de Icaraíma, crime que chocou o Noroeste do Estado após a execução de quatro homens em uma área rural do município em agosto de 2025.
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A atualização ocorre poucos dias após familiares das vítimas e a defesa deles apontarem que fotografias anexadas recentemente ao processo levantariam suspeitas de que os homens teriam sido submetidos a tortura antes das execuções.
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Em nota encaminhada à imprensa, o delegado responsável pelo caso afirmou que, até o momento, não existem elementos novos capazes de alterar as informações já divulgadas oficialmente pela Polícia Civil do Paraná.
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“Em relação aos questionamentos sobre informações anteriormente divulgadas pela Polícia Civil do Paraná, esclarece-se que, até o presente momento, não há qualquer elemento novo na investigação que justifique a alteração, complementação ou retificação das informações oficialmente repassadas”, informou a autoridade policial.
Polícia Civil descarta indícios de tortura
Segundo o delegado, apesar das discussões levantadas após a divulgação de imagens periciais anexadas ao processo, a investigação não identificou provas que permitam concluir que as vítimas foram torturadas antes de serem mortas.
“Quanto às indagações relacionadas à eventual prática de tortura contra as vítimas, informa-se que, até o presente estágio das investigações, não foram identificados elementos probatórios que permitam concluir pela ocorrência de tortura”, destacou.
A Polícia Civil também informou que os elementos técnicos reunidos até agora apontam que os disparos atingiram regiões vitais dos corpos, indicando que as mortes ocorreram de forma imediata.
“Os elementos probatórios colhidos até o momento apontam, em princípio, que a morte das vítimas foi instantânea, tendo em vista os pontos vitais onde os disparos ocorreram e a ausência de outras lesões, o que afasta a manutenção em cativeiro e práticas de torturas antes da morte”, acrescentou o delegado.
Entenda a polêmica envolvendo os novos laudos
A manifestação da Polícia Civil acontece após a advogada das famílias das vítimas, Josiane Monteiro, informar ao GMC Online que fotografias periciais anexadas ao processo levantaram dúvidas sobre a dinâmica do crime.
Entre os pontos questionados estão a presença de uma corda vermelha junto a um dos corpos e uma lesão observada na orelha de outra vítima. Para a defesa das famílias, esses elementos poderiam indicar que os homens sofreram agressões antes das execuções.
Além disso, familiares questionaram o fato de as chamadas fotos cadavéricas terem sido disponibilizadas apenas posteriormente, alegando que durante parte da investigação tiveram acesso apenas a documentos incompletos.
Delegado explica presença de corda em um dos corpos
Outro ponto abordado pela Polícia Civil foi a corda encontrada junto a uma das vítimas, fato que passou a ser apontado por familiares como um possível indício de restrição de liberdade. De acordo com o delegado, a hipótese mais consistente levantada pela investigação é de que o objeto tenha sido utilizado para auxiliar no transporte do cadáver até a cova clandestina.
“Quanto à corda encontrada junto a um dos corpos, os elementos investigativos e periciais colhidos até o presente momento indicam, em tese, que ela pode ter sido utilizada para auxiliar no arrastamento do cadáver até o local de ocultação”, afirmou. A autoridade policial explicou ainda que os corpos foram enterrados em uma região de difícil acesso, cercada por vegetação densa e sem condições para a circulação de veículos.
“Essa hipótese encontra respaldo nas características do terreno, uma vez que os corpos foram enterrados em área de difícil acesso, coberta por vegetação densa e sem condições de tráfego para veículos automotores até o ponto exato da cova clandestina.” Segundo a Polícia Civil, não existem evidências periciais que permitam afirmar que a corda tenha sido utilizada para manter a vítima em cárcere ou submetê-la a tortura.
Relembre o caso
As vítimas foram identificadas como Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Mariscal, Diego Henrique Affonso e Alencar Gonçalves de Souza Giron. Os quatro desapareceram no início de agosto de 2025 e foram encontrados dias depois enterrados em uma propriedade rural de Icaraíma. O caso ganhou repercussão estadual pela violência empregada e pela complexidade da investigação.
A Polícia Civil apura um quádruplo homicídio qualificado que, segundo as investigações, teria sido cometido mediante emboscada previamente planejada. Os corpos e o veículo utilizado pelas vítimas foram ocultados após o crime. A perícia já identificou a utilização de pelo menos cinco armas de calibres diferentes durante as execuções, circunstância considerada um dos indicativos do elevado grau de planejamento da ação criminosa.
Suspeitos continuam foragidos
Mesmo após mais de dez meses do crime, os principais investigados seguem foragidos. Antônio Buscariollo, de 67 anos, conhecido como Tonhão, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 23 anos, são apontados pela investigação como suspeitos centrais no caso e continuam sendo procurados pelas autoridades.
Na semana passada, uma denúncia anônima levou equipes policiais até uma propriedade da família Buscariollo, em Vila Rica do Ivaí, após informações sobre uma possível reunião familiar e a eventual presença dos investigados. No entanto, a diligência não confirmou a localização dos foragidos.