Caso de Icaraíma completa seis meses: veja o que se sabe sobre o crime e o que ainda falta esclarecer

Seis meses após o desaparecimento de quatro homens em Icaraíma, no Noroeste do Paraná, o caso que se tornou um dos crimes mais brutais e complexos já registrados no Estado segue sem nenhum dos principais suspeitos presos. Nesta quinta-feira, 5, a data marca exatamente meio ano desde a última vez em que Alencar Gonçalves de Souza Giron (36), Diego Henrique Affonso (39), Rafael Juliano Marascalchi (43) e Robishley Hirnani de Oliveira (53) foram vistos com vida.
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O que começou, à época, como o desaparecimento de quatro homens evoluiu para uma investigação que revelou uma execução múltipla em plena luz do dia, ocultação de cadáveres, uso de armas de uso restrito e a existência de bunkers subterrâneos em uma área rural apontada pela polícia como utilizada pelo crime organizado.
As investigações da Polícia Civil indicam que o crime teve origem em um conflito financeiro envolvendo a negociação de um sítio de cinco alqueires, avaliado em cerca de R$ 750 mil, no distrito de Vila Rica do Ivaí. Alencar havia pago R$ 255 mil à vista pela propriedade, mas o financiamento do valor restante foi negado, o que levou ao distrato do negócio e à tentativa de reaver o dinheiro.
Diante do atraso na devolução dos valores, Alencar contratou Diego Henrique Affonso, conhecido por atuar em cobranças, que levou Rafael Marascalchi e Robishley de Oliveira, ambos de São José do Rio Preto (SP), para auxiliar na negociação. O grupo chegou a Icaraíma no dia 4 de agosto de 2025 e, no dia seguinte, retornou à zona rural para um novo contato, após ser filmado em uma panificadora da cidade — as últimas imagens conhecidas das vítimas com vida.
Laudos divulgados pela Polícia Civil apontam que os quatro homens foram executados por volta das 12h30 do dia 5 de agosto de 2025, logo após chegarem à propriedade rural. Eles foram mortos dentro ou ao lado da caminhonete Fiat Toro, atingidos por disparos de pelo menos cinco armas de calibres diferentes, incluindo .223, 5.56, .45, .40, 9mm e calibre 12, evidenciando o uso de armamento de uso restrito. A polícia descarta tortura ou cárcere privado.
A caminhonete das vítimas foi localizada apenas em 12 de setembro, enterrada em uma vala profunda em meio à mata, dentro de um bunker subterrâneo. O veículo apresentava perfurações por tiros, vestígios de sangue e objetos pessoais das vítimas. Nenhum corpo foi encontrado no local.
Somente na noite de 18 de setembro, quase 45 dias após o crime, os corpos foram localizados em uma área de mata da Fazenda Jundiá, a cerca de 500 metros de onde o veículo havia sido ocultado. Segundo a polícia, o solo havia sido recentemente remexido e camuflado com vegetação. Os corpos estavam em avançado estado de decomposição.
Durante as buscas, a Polícia Civil identificou 22 estruturas subterrâneas na fazenda, entre bunkers de alvenaria e esconderijos improvisados. O local foi multado em R$ 7,5 milhões por danos ambientais e embargado.
Os principais suspeitos do crime, Antônio Buscariollo e o filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo, seguem foragidos desde 8 de agosto, quando tiveram a prisão preventiva decretada. O inquérito permanece sob sigilo e segue sendo conduzido pelo delegado Thiago Andrade, de Icaraíma.
Com informações do Obemdito.







