Alertas: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto negou nesta quarta-feira, 11, ter matado a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento em que morava em São Paulo.
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Em entrevista à TV Record, Neto falou pela primeira vez sobre o caso. O policial diz que estava no banheiro quando ouviu um barulho forte e que ao abrir a porta encontrou a mulher caída na sala com um tiro na cabeça na manhã do dia 18 de fevereiro.
“Eu estava no banho e escutei um barulho forte. Não desliguei o chuveiro, apenas abri o box. Quando eu abri o box, eu abri um pedacinho da porta. Achei que ela estivesse em pé na porta do banheiro querendo falar comigo. Quando eu abri a porta deu pra ver. Ela estava caída no meio da sala com a cabeça no chão. Tinha uma poça de sangue se formando ao lado da cabeça. Foi a cena mais traumatizante… a pior cena que já vi em toda a minha vida”, afirmou.
O tenente-coronel afirmou que “tem a consciência tranquila” e que nunca agrediu a mulher.
“Eu nunca levantei a mão para a minha esposa. Eu nunca a agredi. Eu tenho a consciência tranquila com Deus, com a Gisele”, afirmou.
Neto negou ter alterado a cena do crime. Ele afirmou que acionou o Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar (PM) e o SAMU para o resgate.
“A primeira coisa que fiz foi abrir a porta do apartamento e liguei para o 193, 192, 190”, disse.
Segundo o tenente-coronel, ele contou à mulher que gostaria de se divorciar, mas negou que os dois tenham discutido na manhã em que Gisele foi encontrada morta.
“Acordei por volta das 7h10, fiz minhas orações, fui até o quarto dela. Estávamos dormindo separados há oito meses. Bati na porta do quarto, dei bom dia e falei: ‘depois da conversa que tivemos ontem à noite, acho melhor a gente se separar mesmo’. Ela estava deitada na cama, com o celular na mão. Ela levantou, me empurrou, eu saí do quarto e ela bateu a porta com muita força”, disse.
Laudo aponta marcas no pescoço
O laudo da exumação da soldado da Polícia Militar, morta no mês passado, aponta que ela sofreu lesões “contundentes” no pescoço. Na versão do marido dela, ela teria cometido suicídio após uma discussão entre os dois.
“Existiram lesões na face e região cervical. São lesões contundentes por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal” (causadas pela unha), aponta o laudo, ao qual o Estadão teve acesso. O documento indica ainda que não foram observadas lesões típicas de defesa.
Segundo Neto, as marcas no pescoço da vítima podem ter sido causadas pela filha de Gisele, uma criança de sete anos, durante um passeio. O tenente-coronel diz que a enteada costumava ser carregada no colo da mãe e apoiava as mãos no pescoço dela.
O caso aconteceu no dia 18 de fevereiro, no apartamento em que o casal vivia no Brás, região central de São Paulo. No laudo necroscópico feito em 19 de fevereiro, um dia após a morte, os peritos já tinham apontado lesões no pescoço de Gisele, mas não mencionaram tratar-se de marcas “contundentes”.
Diante das informações, fontes da Polícia Civil ouvidas pela reportagem entendem que aumentam as chances do caso ser tratado como feminicídio – como já vem sendo defendido pela defesa da família de Gisele – e que há possibilidade de haver o pedido de prisão de Geraldo Neto.
A Justiça de São Paulo determinou na terça-feira, 10, que a polícia investigue a morte da policial como feminicídio.
A morte chegou a ser registrada como suicídio, mas a classificação mudou após a família de Gisele afirmar que a soldado sofria abusos e violência por parte do marido. O caso passou, então, a ser tratado como morte suspeita.