
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou um homem de 39 anos pelos homicídios da esposa, de 36 anos, e da filha do casal, de apenas três anos, após o carro da família afundar no Rio Paraná, em Porto Rico, no Noroeste do estado. O caso, que inicialmente foi tratado como um possível acidente, ganhou um novo desdobramento nesta quinta-feira, 28, após a formalização da denúncia criminal apresentada pela Promotoria de Justiça de Loanda.
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De acordo com o Ministério Público, o acusado teria lançado deliberadamente o veículo nas águas do Rio Paraná na noite de 2 de maio, provocando a morte da esposa, Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, e da filha, Maria Laura Roman Talaska, de apenas três anos, por afogamento.
A denúncia foi oferecida na última segunda-feira (25) e sustenta que o investigado deve responder pelos crimes de feminicídio e vicaricídio — este último, uma tipificação recente da legislação brasileira voltada a homicídios praticados contra filhos ou dependentes para causar sofrimento à mulher no contexto de violência doméstica.
MP aponta ato deliberado e ausência de tentativa de resgate
Conforme detalhado pelo Ministério Público, no dia do crime a família havia passado horas em Porto Rico visitando o filho mais velho do casal e participando de uma confraternização na casa de amigos. Segundo as investigações, ao deixarem o local por volta das 22h15, o denunciado teria iniciado uma sequência de insultos contra a esposa dentro do carro. Na sequência, conduziu o veículo em alta velocidade até uma rampa náutica próxima ao Aqua Park Resort e entrou com o automóvel nas águas do Rio Paraná.
Ainda conforme a denúncia, após a submersão do veículo, o homem conseguiu sair do carro e nadou até a margem sem realizar tentativa imediata de resgatar a esposa e a filha, que permaneceram presas no automóvel. Os laudos da Polícia Científica confirmaram que mãe e filha morreram por asfixia mecânica causada por afogamento.
Música “Narcisista” teria motivado discussão antes da tragédia
A denúncia do MPPR reforça pontos já levantados durante o inquérito da Polícia Civil do Paraná, concluído no último dia 15 de maio.
Segundo testemunhas ouvidas pela investigação, a esposa teria solicitado, durante a confraternização, a reprodução da música “Narcisista”, da dupla Maiara & Maraisa. A canção, que aborda comportamentos de manipulação e egoísmo em relacionamentos, teria sido interpretada pelo homem como uma indireta sobre a relação do casal. A situação teria provocado irritação no investigado e iniciado uma discussão.
Testemunhas relataram que o homem deixou o local sem se despedir dos presentes e seguiu até o carro. Pouco depois, Iria teria saído chorando da residência e entrado no veículo no banco do passageiro. Uma pessoa presente ainda afirmou ter ouvido xingamentos direcionados à mulher logo após a saída do automóvel.
Polícia Civil descartou hipótese de acidente
No último dia 15, a Polícia Civil do Paraná anunciou oficialmente a conclusão do inquérito e descartou completamente a versão inicial apresentada pelo investigado de que o caso teria sido um acidente. Durante coletiva, a delegada responsável afirmou que foram analisadas 23 câmeras de monitoramento ao longo do trajeto percorrido pela família em Porto Rico. As imagens permitiram reconstituir o deslocamento entre a residência onde ocorria a confraternização e o ponto onde o carro afundou no rio.
Segundo a polícia, o percurso era de aproximadamente três quilômetros e poderia ser feito em cerca de oito minutos, tempo considerado compatível com uma condução normal, sem indícios de que o casal estivesse perdido, como alegado pelo investigado.
Os laudos periciais também apontaram que o veículo estava em plenas condições de funcionamento, incluindo o sistema de freios. A perícia concluiu ainda que havia tempo suficiente para impedir que o automóvel entrasse na água. Durante o resgate, bombeiros encontraram Iria no banco do passageiro e a criança no banco traseiro. O carro estava engatado e sem o freio de mão acionado.
O que é vicaricídio?
Instituído recentemente pela Lei 15.384/2026, o vicaricídio passou a ser considerado crime autônomo no Brasil. A tipificação ocorre quando o homicídio de um filho, dependente ou pessoa sob guarda é cometido no contexto de violência doméstica com o objetivo de atingir emocionalmente a mulher. No entendimento do Ministério Público, a morte da criança teria sido utilizada como forma de sofrimento e punição à esposa dentro da dinâmica de violência familiar. O acusado permanece preso preventivamente desde o dia 8 de maio, à disposição da Justiça.