‘Não se trata de um acidente’, diz delegada sobre caso de mãe e filha mortas após carro afundar no Rio Paraná, em Porto Rico


Por Thiago Danezi
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Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Paraná concluiu o inquérito que investigava a morte de Iria Djanira Roman Costa Talaska, de 36 anos, e da filha dela, Maria Laura Roman Talaska, de apenas 3 anos, após o carro da família afundar no Rio Paraná, em Porto Rico, no noroeste do estado. O caso, registrado no dia 2 de março, ganhou um novo desdobramento nesta sexta-feira, 15, com o indiciamento de Márcio Talaska pelos crimes de feminicídio e vicaricídio.

Segundo a delegada responsável pelo caso, as investigações descartaram completamente a hipótese de acidente apresentada inicialmente pelo investigado. A Polícia Civil afirma que reuniu provas técnicas, imagens de monitoramento, laudos periciais e depoimentos de testemunhas que apontam que o homem dirigia o veículo no momento em que ele entrou na água.

Foto: Reprodução

De acordo com a polícia, foram analisadas 23 câmeras de monitoramento ao longo do trajeto percorrido pela família em Porto Rico. Os investigadores também reconstruíram o percurso feito pelo carro entre a residência onde ocorria uma confraternização e o local onde o veículo afundou no Rio Paraná.

A investigação apontou que o trajeto tinha cerca de três quilômetros e poderia ser realizado em aproximadamente oito minutos, tempo considerado compatível com uma condução normal pelas vias da cidade. A Polícia Civil destacou que não há qualquer evidência de que o casal estivesse perdido, como alegou Márcio Talaska em seu depoimento.

Ainda conforme o inquérito, uma testemunha revelou que o casal havia passado parte do dia na região da beira-rio de Porto Rico, inclusive almoçando próximo ao local onde o carro caiu no rio horas depois.

Música “Narcisista” teria provocado discussão entre casal

Um dos pontos centrais da investigação envolve uma discussão ocorrida durante a confraternização antes da tragédia.

Segundo testemunhas ouvidas pela Polícia Civil, Iria teria pedido para tocar a música “Narcisista”, da dupla Maiara & Maraisa. A canção traz trechos sobre um homem manipulador, egoísta e narcisista, o que teria provocado irritação em Márcio Talaska.

Conforme os depoimentos, após o pedido da música, o clima entre o casal ficou tenso. O investigado teria deixado a residência sem se despedir dos presentes e ido diretamente para o veículo.

Uma testemunha relatou que Iria saiu da casa chorando e entrou no carro no banco do passageiro. Poucos metros após a saída do veículo, a mesma testemunha afirmou ter ouvido o homem proferindo xingamentos contra a esposa.

Laudos reforçam tese de crime, diz polícia

Os laudos periciais também foram decisivos para o indiciamento. Segundo a Polícia Civil, o exame necroscópico confirmou que mãe e filha morreram por afogamento. Já o laudo realizado no veículo apontou que o automóvel tinha plenas condições de funcionamento no momento em que caiu no rio.

A perícia ainda concluiu que os freios estavam funcionando normalmente e que o motorista teria tempo suficiente para evitar que o carro entrasse na água. Os bombeiros que participaram do resgate também prestaram depoimento. Segundo os relatos, Iria foi encontrada no banco do passageiro e a criança no banco traseiro. O veículo estava engatado e sem o freio de mão acionado.

Polícia afirma que não houve acidente

Durante o pronunciamento divulgado nesta sexta-feira (15), a delegada afirmou que todas as diligências possíveis foram realizadas e que o conjunto de provas aponta para um crime intencional. “A Polícia Civil concluiu, à base das câmeras de monitoramento, depoimentos e laudos periciais, que não se trata de um acidente, e sim de um feminicídio e vicaricídio”, afirmou.

O investigado permanece preso à disposição da Justiça.

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