
A subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Maringá se manifestou oficialmente nesta quarta-feira, 20, sobre o caso que chocou a cidade após um advogado criminalista ser apontado como suspeito de matar o próprio cliente a facadas dentro de um apartamento na Zona 7. O crime ocorreu na noite de terça-feira, 19, na Rua Tietê.
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Em nota encaminhada à imprensa, a OAB Maringá informou que acompanha o caso desde que tomou conhecimento da ocorrência e afirmou ter mobilizado sua Presidência, Diretoria de Prerrogativas e Comissão de Defesa das Prerrogativas Profissionais para acompanhar os desdobramentos do episódio envolvendo o advogado Rodrigo Gawlinski, de 32 anos.
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A instituição lamentou a morte registrada no caso e manifestou solidariedade à família da vítima, Nelson de Souza Pedro, de 48 anos. “Tão logo tomou conhecimento do ocorrido, a OAB Maringá passou a diligenciar junto às autoridades competentes, incluindo a Polícia Militar, a Polícia Civil e a equipe médica responsável pelo atendimento do advogado, com o objetivo de colher informações precisas e oficiais sobre as circunstâncias do caso”, informou a entidade.
Ainda conforme a nota, um grupo de trabalho específico foi criado para acompanhar o caso junto às autoridades de segurança pública, inclusive no âmbito do inquérito policial instaurado para apuração dos fatos. A OAB informou ainda que já iniciou o acompanhamento das oitivas de testemunhas realizadas pela Polícia Civil.
A subseção ressaltou que seguirá acompanhando todos os atos oficiais relacionados ao caso, destacando a observância das garantias legais e constitucionais, além do respeito às prerrogativas profissionais, sem prejuízo da rigorosa investigação dos fatos pelas autoridades.
Quem é o advogado suspeito
Rodrigo Gawlinski é advogado criminalista, natural do Rio Grande do Sul, e estava atuando profissionalmente em Maringá. Segundo informações apuradas pela reportagem, ele já teria sido preso outras quatro vezes anteriormente, sendo uma das ocorrências relacionada à embriaguez ao volante. Até o momento, a defesa do advogado não havia se manifestado oficialmente sobre o caso.
O que aconteceu no apartamento na Zona 7
De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, equipes foram acionadas para atender uma situação de esfaqueamento em um apartamento na Rua Tietê, na Zona 7, em Maringá. Ao chegarem ao local, policiais conversaram inicialmente com a filha da vítima, que informou que o pai havia sido esfaqueado dentro do imóvel e apontou o advogado como autor das agressões.
Segundo o registro policial, equipes que entraram primeiro no apartamento encontraram o suspeito caído sobre Nelson de Souza Pedro. Os policiais relataram que, em determinado momento, o homem retomou a consciência e ainda teria chutado a vítima, que permanecia caída no chão e aparentemente apresentava sinais vitais naquele instante.
O boletim aponta ainda que o suspeito teria reagido à abordagem policial, desobedecido ordens e entrado em luta corporal com os agentes, sendo necessária a contenção física e o uso de algemas diante do estado de agressividade apresentado. Duas mulheres que estavam no apartamento relataram à polícia que estavam em um quarto do imóvel enquanto vítima e suspeito permaneciam em outro cômodo. Conforme os depoimentos, elas passaram a ouvir gritos, discussões e sons de agressão física.
Ainda segundo as testemunhas, Rodrigo teria se apoderado de uma faca e iniciado os golpes contra Nelson. Uma das mulheres relatou ter tentado interromper o ataque utilizando uma panela para atingir o suspeito e afastá-lo da vítima. O boletim também revela que o advogado atuava na defesa de Nelson em um processo relacionado à violência doméstica e que os dois mantinham contato frequente desde abril.
As testemunhas afirmaram ainda que seria comum o consumo de substâncias entorpecentes durante os encontros. Há relatos sobre uso de cocaína, crack, maconha e ritalina pelos envolvidos. A Polícia Militar destacou, no entanto, que essas informações partiram exclusivamente dos depoimentos prestados no local e que não havia confirmação conclusiva sobre a dinâmica do eventual consumo.
Após ser contido, o advogado apresentou um quadro convulsivo e recebeu atendimento do Samu e do Corpo de Bombeiros. O local foi isolado para o trabalho da Polícia Científica e da Delegacia de Homicídios da Polícia Civil, que investiga o caso.