Sócios de empresa de eventos de Maringá são indiciados por estelionato em esquema que movimentou R$ 23 milhões


Por Letícia Tristão/CBN Maringá
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Imagem ilustrativa. Foto: Polícia Civil | Reprodução

A Polícia Civil de Maringá concluiu o inquérito que investigava a empresa Filia Eventos por suspeita de aplicar golpes em formandos e casais que contrataram pacotes para festas e casamentos. Três sócios da empresa, duas irmãs e o marido de uma delas foram indiciados pelos crimes de estelionato e associação criminosa. O caso agora segue para análise do Ministério Público.

A investigação teve início em agosto de 2024, quando centenas de vítimas procuraram a polícia após a empresa encerrar as atividades sem cumprir contratos já pagos. Segundo a Polícia Civil, cerca de 500 boletins de ocorrência foram registrados, 150 pessoas foram ouvidas e houve a análise de 104 contas bancárias, vinculadas a 21 instituições financeiras diferentes.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Fernando Garbelini, ficou comprovado que a empresa já enfrentava um colapso financeiro desde meados de 2023, período em que não teria mais condições de cumprir os contratos firmados. Mesmo assim, a Filia Eventos continuou comercializando pacotes com valores abaixo do custo real dos eventos, o que, para a polícia, indica uma prática semelhante à de um esquema de pirâmide financeira.

“Foi possível identificar um dolo antecedente. A partir de julho e agosto de 2023, todos os contratos celebrados certamente não seriam cumpridos. A empresa não tinha condições mínimas de honrar esses compromissos”, explicou o delegado em entrevista à CBN Maringá.

As investigações apontam que, diante da crise financeira, os gestores optaram por intensificar as vendas, oferecendo pacotes ainda mais baratos. O dinheiro arrecadado com novos contratos era utilizado para custear eventos antigos, mantendo a empresa em funcionamento por mais algum tempo e ampliando o número de vítimas.

A movimentação financeira analisada pela polícia revela um giro de aproximadamente R$ 23 milhões entre os anos de 2023 e 2024. Segundo Garbelini, esse valor não representa lucro, mas sim o fluxo de entrada e saída de recursos, grande parte usada para cobrir despesas de eventos anteriores.

Os sócios chegaram a ser ouvidos logo após a abertura do inquérito e alegaram dificuldades financeiras e insucesso empresarial, afirmando não ter havido intenção de golpe. Eles não tiveram prisão decretada, respondem em liberdade e não forneceram endereço fixo às autoridades.

Ainda conforme a Polícia Civil, nenhuma vítima foi ressarcida diretamente pela empresa. Parte dos prejuízos foi minimizada por meio de contestação de pagamentos em cartões de crédito, com os valores sendo absorvidos pelas operadoras. No caso de boletos, algumas vítimas conseguiram renegociar dívidas, mas as contas da empresa, embora bloqueadas, não possuíam saldo suficiente para cobrir os danos.

Com a conclusão do inquérito, o caso foi encaminhado à Justiça e agora aguarda manifestação do Ministério Público, que poderá oferecer denúncia criminal contra os indiciados. A CBN Maringá e o Portal GMC Online tentaram contato com a defesa da empresa Filia Eventos para comentar sobre o assunto, mas até o fechamento desta reportagem não obtiveram retorno.

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