Crônica de um amanhecer maringaense no Gabinete do Prefeito, com o Ângelo, o Josué, o Luciano, a Luana…


Por Walter Téle Menechino

Na quinta-feira, 15, ainda estava escuro quando os primeiros cidadãos e cidadãs maringaenses começaram a se juntar na entrada principal da Prefeitura de Maringá. Às 5h35, lá já estavam o vereador Ângelo Salgueiro (Pode) com Josué Maldonado, presidente da Associação dos Moradores do Jardins de Monet – um dos condomínios mais luxuosos da cidade – e um grupo de alunos de natação da Vila Olímpica, com camisetas identificando a modalidade esportiva que praticam. Entre eles, Luciano Gonzalez e Marcos Vinícius.

Pouco depois começaram a chegar grupos de mulheres dos conjuntos habitacionais Thaís, Ney Braga e Jardim Olímpico, também uniformizadas com camisetas laranjas da ATI – Academia da Terceira Idade. Mais e mais gente foram chegando. Em comum, eles e elas tinham reivindicações para apresentar ao prefeito Silvio Barros. Quinze minutos antes das 6 horas, quando as luzes dos postes já não se faziam tão necessárias, as portas do Paço Municipal foram abertas e as pessoas encaminhadas para uma antessala da grande sala de reuniões.

Turma das ATIs dos bairros Thaís, Ney Braga e Jardim Olímpico compareceu ao Gabinete do Prefeito: faltam professores. Foto: Luana Bermejo

Ordem de chegada

Os encontros na sala de reuniões do Gabinete do Prefeito são agendados previamente, mas os atendimentos são feitos pela ordem de chegada – o que, talvez, tenha motivado alguns a chegar bem cedo. Há um número limitado de audiências, cerca de 15, sempre às quintas – a série que o GMC Online acompanhou foi a segunda do ano. Poucos minutos antes das 6 horas, horário marcado para o início da sequência de reuniões, o prefeito, em traje mais esportivo do que costuma aparecer em público, chegou. Cumprimentou os presentes e se dirigiu à sala de reuniões.

O primeiro grupo atendido na sala de reuniões do Gabinete do Prefeito foi o de alunos de natação da Vila Olímpica. Foram pedir segurança para o local que, segundo eles, passou a ser invadido por moradores de rua e usuários de drogas. Contaram que as alunas, em trajes de banho, são assediadas; que os homens são provocados e chamados pra briga; que eles cortam os alambrados, pulam na água durante as aulas e até já defecaram na piscina. Em suma, estão botando terror na Vila Olímpica.

Grupo da natação da Vila Olímpica em visita ao Gabinete do Prefeito: usuários de drogas e moradores de rua incomodam. Foto: Luana Bermejo

Burocracia é demorada

Silvio ouviu as queixas com atenção, fez perguntas e anotações. Depois disse que está em processo de licitação a contratação de uma empresa particular para fazer a segurança dos prédios e equipamentos públicos, mas ponderou que a burocracia pode ser demorada, devido à concorrência acirrada e as possibilidades de recursos estabelecidos pela lei das licitações. Mas emergencialmente, vai, à medida do possível, enviar para o local a unidade móvel da Guarda Municipal que faz reconhecimento facial. Isso deve, ao menos, intimidar o vandalismo.

Os representantes do Jardins de Monet foram solicitar melhorias na Estrada Rodrigues, que é uma alternativa de acesso à cidade e, inclusive a Mandaguaçu, para evitar passar pela trincheira da BR 376, que tem um intenso movimento de caminhões. Parte da estrada recebeu uma manta asfáltica, com a ajuda do vereador Salgueiro, mas a outra metade ainda é de terra. No condomínio residem 120 famílias e outras 130 casas estão em construção. “O movimento de moradores e trabalhadores da construção civil é muito grande”, disse Maldonado.

Professor voluntário

O grupo de mulheres das três ATIs, o maior do dia, foi reclamar da “falta de professores de educação física desde o ano passado”. Segundo elas, as três academias contam com apenas um professor, que faz um trabalho voluntário. E assim, seguiram as audiências, com o prefeito anotando as demandas, fazendo perguntas e tecendo comentários. Silvio conta com a ajuda do assessor Junior Crispim, responsável pelos agendamentos das reuniões, encaminhamentos das demandas aos secretários municipais das áreas afins e, também, pelos acompanhamentos e retornos aos munícipes.

“Quando os agendamentos são solicitados, nós já tomamos conhecimento prévio das demandas. Depois das audiências e da formalização dos pedidos, nós encaminhados os casos aos secretários. Inicialmente, o prefeito estabelece um prazo de até sete dias para que seja dado um retorno, o que é feito por telefone. À medida que as ações das secretarias vão sendo realizadas, nós vamos atualizando as informações aos contribuintes”, explicou Crispim, que passou boa parte da tarde de quinta-feira organizando as planilhas esboçadas durante as audiências.

Inovação e conselho

Mas nem só de solicitações e cobranças são feitas as reuniões populares, que começaram às 6 horas e só foram encerradas pouco depois das 8 horas. Um jovem empreendedor maringaense foi à audiência em busca de conselhos do prefeito, conhecido por ser cosmopolita e ter grande apreço às inovações: ele e a esposa desenvolveram uma nova tecnologia no ramo de alimentação que, segundo um ranking do Sebrae, está entre os 300 projetos mais inovadores do Brasil. Silvio não se furtou a dar dicas de marketing, mercado e gestão de negócios.

No ano passado foram realizados 600 atendimentos. Há muitos casos relacionados à arborização, pavimentação, questões tributárias, além de consultas especializadas na área da saúde. “Nesses casos, orientamos que a pessoa traga o encaminhamento, o protocolo ou envie as informações pelo WhatsApp, para que possamos encaminhá-las à secretaria responsável, já solicitando informações prévias antes mesmo do atendimento com o prefeito. Já nos casos da arborização e da pavimentação, é importante realizar o protocolo via 156, para que a demanda se torne oficial”, explica Crispim.

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