
Nesta sexta-feira, 16, Valdir Pignata, do Cidadania, foi o entrevistado na Série de Entrevistas com Candidatos a Prefeitura de Maringá da CBN Maringá. Pignata falou sobre a questão econômica e os motivos de realizar o Refis Ele detalhou sobre o problema das vagas nas creches e disse que espera resolver o problema. O candidato também explicou como vai lidar com a limpeza pública e o problema da retirada de árvores, em apoio do setor privado. Por fim, Pignata disse estar trabalhando na solução da questão do passe de estudantes. Leia ou assista a entrevista completa!
Gilson Aguiar: No que o senhor sustenta a necessidade de um Refis
Valdir Pignata: Eu acho que é muito simples essa situação. Eu compreendo as pessoas que pagam honrando o seu compromisso com a prefeitura e Maringá, cada vez que sai o IPTU, 70 a 80% para a vista, isso é muito bom. O poder público se sente respeitado, valorizado, e resolve a situação. Quanto ao Refis, por que nós estamos vendendo esse plano? Porque nós estamos nessa época de pandemia e eu tenho conversado com as pessoas e muitas pessoas, para você ter uma ideia, deve estar em torno de 43 mil contribuintes que estão pendentes na prefeitura. A grande maioria são pessoas que não tem o poder aquisitivo forte, que eles necessitam do suporte. Então, você fica imaginando, as pessoas que estão devendo na prefeitura querem honrar esse compromisso, e vamos dizer que ele deva mil reais, dois mil reais de IPTU. Quando esse valor vai para o cartório, vai para o fórum, essa conta não é R$ 2 mil, R$ 1.500, aumenta substancialmente em torno de R$ 600. Então você imagina uma pessoa que trabalha, que luta para vencer os problemas. Em especial agora, que ficou desempregada, que perdeu o seu emprego, o empresário que passa por um sufoco para tentar honrar os compromissos, principalmente junto a seus funcionários, tem os que demitiram funcionários, um parte, ficou dentro da legislação. Então, nós estamos vendendo a ideia de que o poder público também tem que dar esse suporte, esse apoio para que ele possa resgatar a sua luta que ele sempre pagou certinho e, infelizmente, devido a situações, que cada caso é um caso, você sabe que tem contribuintes que imaginou nunca acontecer isso […]. Então é uma maneira que nós encontramos de dar o nosso suporte ao nosso contribuinte, assim ele dilui, nós pretendemos, junto com a Câmara Municipal, implantar isso, para que dentro de um prazo de seis meses, um ano, ele avalia isso, dentro da situação dele para ele vir a pagar todos os impostos e recomeçar. Para que ele comece 2021 tranquilo, de forma serena e venha pagar seus impostos, por isso que nós queremos viabilizar o Refis, em especial, o IPTU, porque o IPTU não foi incluído nesses Refis que foram realizados e, principalmente, para atender as pessoas menos favorecidas.
Gilson Aguiar: Quando se fala de Refis, fala-se de tributação, fala-se de orçamento. A gente sabe que Maringá, por mais que a arrecadação seja positiva, a gente tem o endividamento do poder municipal. E nós temos a questão das contratações. O senhor coloca, no seu plano de governo, de transparência, de ter uma gestão mais responsável. Isso significa enxugar a máquina pública, no que que se pode enxugar com o orçamento?
Valdir Pignata: Eu tive empresa como advogado, […] fui secretário de transporte, fui secretário de relações interinstitucionais, fui do Procon, fui da área de licitações e o poder público hoje, essa questão do índice para atender o custeio, para viabilizar isso realmente é uma situação muito complicada e o gestor tem que tomar toda a cautela para atender esses índices. E vem essa situação: a necessidade de trabalhar em sintonia com o poder público e o empresariado. Para que a gente possa resgatar essa situação, não para falar assim: ‘eu sou o poder público e vou fazer desse jeito’. Mas, acima de tudo, ouvindo as pessoas, ouvindo as associações de classes para que a gente possa chegar em um consenso. Um exemplo que vou citar. Nós temos um grande problema, que é a questão das vagas na creche, então continuamos aí com duas, três mil vagas em aberto. Tem espaço, mas não tem como contratar para viabilizar, para atender as crianças que tanto necessitam do poder público. E aí vem o seguinte, esse contrato realizado eu achei uma excelente ideia, mas o que aconteceu? A Prefeitura não está honrando o contrato, e como o poder público pode viabilizar, fazer um trabalho nesse sentido sem deixar de pagar essas creches particulares? Uma gerou 50 vagas, outra 100 vagas e, no entanto, ele investiu pesado, ele gastou seu R$ 50 mil, R$ 100 mil, para que ele pudesse atender essa expectativa da população. E, na hora que ele ficou esperando a contrapartida do poder público, ele não está recebendo. Eu conheço duas, três creches que estão sofrendo porque eles criaram expectativa, contrataram professores, prepararam o terreno e, na hora de receber da prefeitura não estão recebendo. Então, nós vamos fazer esse trabalho, vamos continuar construindo creches, não vou fazer promessa, mas nós vamos resolver o problema, atendendo essa demanda que está represada junto com as creches particulares e, também, criando vagas, resolvendo o problema dessas vagas que estão ociosas sobrando da prefeitura. Tem que ser realmente bem trabalhado para a gente atender essa expectativa. O que eu espero, no prazo de dois anos, é que a gente possa reduzir pelo menos pela metade para não ficar essa situação tão constrangedora que o poder público ficou.
Gilson Aguiar: Falando de limpeza pública, como é que será a coleta e o tratamento de resíduos na sua gestão?
Valdir Pignata: Quando você fala em resíduos, é um trabalho que exige muito na questão da educação, da cultura nossa. Maringá, graças a Deus, é um povo privilegiado, tem um discernimento da importância de fazer o trabalho de coleta de lixo, de recicláveis e nós vamos continuar ampliando isso. E nós precisamos continuar investindo nas empresas cooperativas de recicláveis, é um trabalho que eles fazem […] que orgulha Maringá. As pessoas que se dedicam a fazer esse trabalho abrem mão, na sua simplicidade, são aguerridas, um ganho pequeno, mas eles acreditam nisso e isso que nós precisamos ter, de pessoas que acreditam e nessa questão da reciclagem, de resíduos sólidos, orgânicos, nós vamos continuar investindo para resolver a questão da falta de limpeza. Eu vejo o que você falou, realmente, muita rua suja, sem o devido cuidado e isso é triste, por que nós, uma cidade que é considerada cidade verde, em tantas outras situações, no entanto ela está correndo à mercê, o poder público deixa a desejar e o povo se sente desprestigiado, porque quando você prestigia o contribuinte, valoriza ele, fazendo a limpeza, cuidando dos centros esportivos, fazendo a retirada das árvores, que é um exemplo hoje. Inclusive, ontem [quinta-feira, 15], eu coloquei uma foto […], a árvore caiu antes de ontem a noite. Realmente um problema, a energia e tudo, mas é numa avenida que passa cinco, oito mil carros por dia. Se o poder público tivesse ido ali, fizesse a poda daqueles galhos que invadiram a pista à esquerda, estaria fluindo normalmente. No entanto, hoje até tirei uma filmagem, continua sendo desviado, claro tem a questão da energia, eles estão sem energia […], mas o poder público, se tivesse a pode de alguns galhos […] a tráfego seria tranquilo. Uma pena. E o pessoal às vezes critica porque eu estou aproveitando a oportunidade para ‘descer a ripa’ no candidato a reeleição. Não é isso. Eu acho que isso é falta de eficiência, tinha que ter uma equipe exatamente para ver quais são as situações mais complicadas e resolver esses casos […], travou a avenida Pedro Taques e até hoje não foi resolvido. É uma pena. E para você ter uma ideia, onde caiu a árvore, no desvio, eles foram lá e tiraram ontem, então você pensa assim: “poxa a vida, uma avenida deixar desse jeito”. Então são situações que você fica muito triste. O povo realmente sofre muito.
Gilson Aguiar: Como é que o senhor agilizaria a retirada, a poda das árvores, já que hoje tem árvores que estão agendada para tirar desde 2015?
Valdir Pignata: Aí vem o trabalho do setor público com o setor privado. Nós vamos viabilizar esse trabalho criando, fazendo um chamamento público. Vamos criar uma situação aqui. De 50 empresas ou até 100 empresas que estejam exatamente, devidamente aptas para fazer avaliação daquela árvore, fazer o levantamento dessa árvore, se há necessidade ou não da retirada. E o contribuinte ele quer retirar a árvore, provavelmente vai ter um custo, aí ele vai viabilizar junto a essa empresa para que seja retirada essa árvore e seja replantada. Talvez não seja no mesmo local, mas ela deverá ser replantada, porque a gente ainda aí, tem quadras e quadras devido o replantio das árvores e não podemos aceitar isso. Então a pessoa precisa da retirada, é uma situação que a prefeitura que vai fazer, o poder público tem condições de fazer? Ótimo. Se não passa essa condição para uma dessas empresas, ele vai lá, negocia, trabalha para que ele possa fazer isso dentro dos parâmetros. A partir do momento que tem um engenheiro da área, que assina este laudo […], a empresa vai retirar e vai acertar direto com o contribuinte e o poder público faz a fiscalização. Acompanha isso. Porque o poder público é muito complicado cuidar de tudo, então tem que viabilizar, fazer essa parceria par ajustar essa situação.
Gilson Aguiar: Como é que nós podemos resolver o problema do transporte coletivo em Maringá?
Valdir Pignata: Nós temos um plano de governo que é não ficar refém do sistema. E é muito complicado porque esse contrato amarra muito. Ele pode ser renovado por 20 anos. Eu acredito que deva ter uma outra situação e não ser renovado. Mas a própria natureza do setor está obrigando, você hoje a questão dos aplicativos. Nós temos um plano de trabalho. Vamos criar uma situação: o passe do estudante. A partir do momento que o passe do estudante, necessariamente, ele tem que ir para a empresa que faz esse trabalho. Nós estamos trabalhando nesse sentido de viabilizar que o aluno receba esse cartão, ele possa usar através do aplicativo e isso descongestiona o momento do pessoal que vai trabalhar e libera essa situação. Então, dentro da lei, juridicamente trabalhando, nós temos esse plano de descomplicar. Claro, eu gostaria de ter dez ônibus na rua ao invés de ter 100 carros, 200 carros na mesma via. Mas são situações que estão nos obrigando, porque a gente vê que o povo não está contente, as coisas não estão acontecendo como se esperava. E isso nós estamos trabalhando exatamente com essa ideia de viabilizar que o aluno receba esse passe e ele possa usar da melhor forma possível para chegas às aulas.