1952: o primeiro prefeito municipal de Maringá


Por Reginaldo Dias
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À direita, Inocente Villanova Jr. em campanha a cavalo, em 1952 | Foto: Gerência de Patrimônio Histórico de Maringá/Acervo Maringá Histórica

Olá, pessoal, hoje vou narrar, para vocês, a eleição do primeiro prefeito do município de Maringá, ocorrida em novembro de 1952.

Promulgada a lei que criou o município, abriu-se a corrida para verificar quem teria a honra de ser o primeiro prefeito de Maringá.

Quatro candidatos se inscreveram no certame.

De início, havia a avaliação de que os favoritos eram Ângelo Planas (PR) e Waldemar Gomes da Cunha (UDN), que tinham partidos bem organizados e somavam, ao prestígio pessoal, apoios políticos sólidos.

Ângelo Planas, visto como o principal líder comunitário da primeira fase da nossa história, era apoiado pelo governador Bento Munhoz da Rocha. Waldemar Gomes da Cunha era apoiado pela poderosa Companhia Melhoramentos  Norte do Paraná.

De sua parte, o médico Raul Moletta (PSP) procurou associar-se à imagem do líder nacional de seu partido, Ademar de Barros, ex-governador de São Paulo.

Por fim, Inocente Vilanova Junior, um empresário ainda não muito conhecido, tinha como trunfo a mística de sua legenda, o PTB do presidente Getúlio Vargas, que tinha forte apelo na população de baixa renda.

Foi uma campanha quente, que um cronista da época chamou de campanha do vale tudo. Proliferaram panfletos apócrifos, panfletos sem autoria identificada, com ofensas e falsas denúncias para desgastar os candidatos. O uso do que agora chamamos de fake News é tão antigo quanto a política. Só muda a tecnologia de divulgação.

Ao que tudo indica, o eleitor estava vacinado e fez a escolha pelos seus próprios critérios. Inocente Villanova Jr foi bem castigado por esses panfletos, mas isso não impediu a sua vitória.

O resultado das urnas foi bem equilibrado. Houve uma pequena diferença do primeiro para o terceiro colocado. Eis os números. Raul Moleta ficou em quarto lugar, com apenas 303 votos; Ângelo Planas foi o terceiro colocado, com 1707 votos; Waldemar Gomes da Cunha chegou em segundo, com 1725 votos. Inocente Vilanova Jr foi eleito prefeito com 1871 votos.

Qual foi o fator decisivo da vitória? Há vários fatores, mas eu cito dois. Os testemunhos da época salientam que a associação com o carisma do presidente Getúlio Vargas foi muito importante. O cronista Ivens Lagoano Pacheco escreveu: “O PTB, tendo à frente Inocente Vilanova Junior, se esparramava pelos bairros, com a fotografia de Getúlio abraçando seu candidato”.

Além disso, houve uma tática de campanha eficiente. O PTB fez mais de 30 comícios, usando a tática de vir da periferia para o centro, onde Ângelo Planas e Waldemar Gomes da Cunha eram mais fortes.

Até onde é possível avistar, Vilanova teve, principalmente, os votos da população de baixa renda e da periferia do município. Destacava-se a crescente importância eleitoral da Vila Operária, onde Inocente Vilanova e o seu PTB estavam bem estabelecidos.

Ouça o episódio:

https://gmconline.com.br/wp-content/uploads/2024/08/reginaldo-dias-episodio-de-15.08.mp3

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