Maringá registra quase 17 casos de violência contra a mulher por dia

Os dados do Centro de Análise, Planejamento e Estatística, elaborado a partir do Boletim de Ocorrência Unificado (BOU), mostram que durante o ano de 2025 Maringá registrou mais de 6,1 mil casos de violência contra a mulher, o que significa que são quase 17 casos por dia. Mas, ressalvou a Secretária Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres, Olga Agulhon: “Esses números podem ser maiores, pois a subnotificação é um problema nacional”.
Para melhor retratar a realidade maringaense, ela informou que está em andamento a criação de um Observatório da Mulher, no qual serão lançados um grande número de dados e que, por meio de Inteligência Artificial, será possível fazer cruzamentos e saber, por exemplo, quais são os bairros onde mais ocorrem casos de violências contra a mulher, “que ajudarão nas ações da secretaria”.
Os números sobre os casos de violência contra a mulher constam no Plano de Políticas Públicas para Mulheres 2026-2029, que “pela primeira vez foi publicado no Diário Oficial de Maringá”, observou Olga Agulhon. Ela também lembrou que neste sábado, 24, será realizado um ato público em alusão ao Dia Mundial de Combate ao Feminicidio, às 9 horas, no Banco Vermelho, instalado na Praça da Catedral.
Plano de Políticas Públicas para Mulheres
A publicação do Plano de Políticas Públicas para Mulheres 2026-2029 ocorreu na noite de quinta-feira, 22, e “tem como objetivo estabelecer diretrizes que promovam a equidade de gênero, fortaleçam a cidadania das mulheres e enfrentem desigualdades estruturais”. O Plano conta com conta com quatro eixos estratégicos e orienta a implementação de políticas voltadas para o bem-estar físico e psicológico das mulheres, segurança e autonomia feminina no município.
O primeiro eixo trata do Fomento ao Protagonismo Feminino, por meio da promoção de ações que incentivem a participação ativa das mulheres na sociedade, incluindo programas e cursos de capacitação, empreendedorismo e apoio à liderança em espaços políticos, sociais e econômicos.
O segundo eixo propaga o Enfrentamento às Violências Contra as Mulheres. E estabelece políticas de prevenção, proteção e acolhimento às mulheres em situação de violência, reforçando a rede de apoio e ampliando o acesso a serviços especializados. Também propõe campanhas educativas e ações de vários setores para combater todas as formas de violência.
Política de gêneros e novos programas
O terceiro, de Fortalecimento Institucional e Participação Social, visa à criação e ao fortalecimento de estruturas governamentais que garantam a efetividade das políticas de gênero e incentiva a participação da sociedade civil na formulação e no monitoramento das políticas públicas, promovendo o controle social e a transparência.
E o quarto se refere à Análise Transversal de Impacto sobre as Mulheres nas Políticas Públicas. Prevê, por exemplo, a incorporação de uma perspectiva de gênero em todas as políticas públicas, garantindo que os impactos sobre as mulheres sejam analisados e mitigados. Também busca assegurar a formulação, implementação e avaliação de ações e parâmetros específicos em programas municipais, considerando as necessidades específicas das mulheres em diferentes contextos sociais e econômicos.
