Prefeitura deve analisar se estragos na pista do Parque do Ingá foram causados por erro na instalação, diz Ulisses Maia


Por Redação GMC Online, com informações de Gilson Aguiar/CBN Maringá
Foto: Arquivo/PMM

O estrago causado pela chuva em parte da pista emborrachada no entorno do Parque do Ingá, nesta terça-feira, 22, rendeu comentários entre a população e levantou dúvidas a respeito do conserto da pista. Em entrevista à CBN Maringá na manhã desta quarta-feira, 23, o prefeito de Maringá, Ulisses Maia, comentou a situação e explicou quais serão os próximos passos da administração para identificar possíveis responsáveis.

A pista emborrachada do Parque do Ingá tem aproximadamente 3,5 mil metros de extensão e foi um investimento de quase R$ 4 milhões em Maringá. Questionado, Ulisses Maia destacou que técnicos da prefeitura vão realizar perícias no local para entender se o deslocamento da pista aconteceu por erro na instalação ou se há problemas de drenagem no local. 

“Foi muito triste nós vermos aquela cena ontem. Claro que a prefeitura tomará todas as providências, como a gente sempre toma. Nós temos que verificar agora, e as perícias vão apontar isso, se tem a ver com a implantação da pista ou se é decorrente da drenagem. O fato é que, graças a Deus, ninguém se machucou, os estragos a gente conserta. Toda obra pública tem a garantia, a empresa que faz tem que prestar garantia dos serviços de instalação. O que é preciso analisar agora [é] se o impacto ou os danos causados em alguma parte dela é decorrente de erro na instalação ou se foi algo imprevisto, como é o caso da chuva. Fato é que nós estamos apurando, vamos apurar, se houver alguma responsabilidade da empresa, mas com toda certeza ela será acionada”, garantiu Maia. 

Segundo o prefeito, é preciso considerar os problemas de drenagem nas proximidades do Parque do Ingá. “É fato que existe toda uma problemática envolvendo a drenagem na cidade de Maringá. Aquelas imediações do Parque do Ingá há 10 anos tinham quantos prédios? Quantos prédios têm hoje? Qual era a área permeável do entorno do Parque do Ingá? Qual é a área permeável que nós temos hoje? Evidentemente que tudo isso vai para a rede de águas pluviais que não suporta. Vocês mesmo viram a reportagem que nós fizemos que deu repercussão nacional e internacional, que é aquela medida de instalar uma grade dentro do bueiro e em dois dias instalada, a grade estava puro barro, puro sujeira com copos, garrafas. Então existe também [o problema] de jogar esse lixo onde não é o lixo, todo esse material com a chuva vai para o esgoto, dentro do esgoto entope, não dá para saber se está entupido ou não, só vai saber quando vem uma chuva grande dessa aqui. Então, é algo muito mais amplo do que simplesmente dizer que o problema está na pista emborrachada, o problema está em vários aspectos”, considerou. 

Os temporais registrados em Maringá frequentemente também são o estopim para outro problema conhecido da população: a queda de árvores. A chuva desta terça-feira, apesar de rápida, derrubou mais de 30 árvores, além de grandes galhos que atingiram casas e carros. 

Uma reclamação recorrente de moradores é a demora por parte da Prefeitura Municipal para retirar árvores que, segundo a própria população, estariam condenadas e com risco de queda. Questionado, Maia voltou a lembrar que o trabalho de remoção precisa, antes, de um atestado técnico indicando o perigo da árvore em questão.

“Os prejuízos provocados pela chuva são inesperados, e uma cidade que tem o privilégio de ter 140 mil árvores na área urbana, a grande maioria saudáveis, não há outra alternativa que não conviver com a queda de galhos. A prefeitura não pode remover uma árvore que não tenha o laudo de um engenheiro ambiental atestando que ela está doente. Nós substituímos três mil árvores por ano, mas sempre vai haver árvores caindo e isso é uma consequência de sermos uma das cidades arborizadas do Brasil. Não tem essa questão de árvores condenadas que a prefeitura não tem estrutura para tirar. Repetindo: grande parte dos pedidos [para remoção] é de árvores saudáveis! […] As pessoas também precisam ter essa conscientização. E outra, nós moramos em Maringá, a maior cidade do Brasil para se viver, todo mundo elogia a qualidade de vida de Maringá, um dos motivos da qualidade de vida de Maringá é essa arborização, então as árvores não podem ser motivos de crítica, mas motivo de comemoração em Maringá. Agora, muitas pessoas estão incomodadas com as árvores, muitos comércios querem tirar a árvore para limpar a fachada e nós multamos várias empresas que limpam a fachada cortando árvores para mostrar o nome da empresa. Então, o que que nós fizemos em Maringá? No nosso mandato, contratamos a UEM, contratamos técnicos e elaboramos o nosso Plano Municipal de Gerenciamento da Arborização Urbana de Maringá, detectando cada uma das nossas árvores, em cada local da cidade, que tipo de árvore que pode ser plantada. Hoje, nós temos o controle técnico de arborização. Nós estamos fazendo remoções, podas constantes, Está dando mais de 3 mil remoções por ano, podas são milhares e milhares. E, agora, em 2021, nós conseguimos mudar o número e plantar mais árvores do que estão sendo removidas. Eu entendo as pessoas estão com medo, algumas árvores muito grandes em cima do telhado, nós estamos acelerando o processo, melhorando os processos de contratação de empresas”, detalhou o prefeito. 

Relação entre a Prefeitura de Maringá e a Sanepar

Durante a entrevista concedida à CBN Maringá, o prefeito Ulisses Maia também comentou sobre a relação da Prefeitura de Maringá com a Sanepar. Nesta semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que o município poderá suspender o contrato com a estatal. 

“Esse casamento acabou faz tempo, vamos ser bem sinceros. A relação entre a prefeitura e a Sanepar nunca foi uma relação muito saudável. Eu, por exemplo, inclusive, já tive muitas discussões com a Sanepar. O contrato da água e esgoto é municipal e isso não se discute. Em 1980, o prefeito da época fez uma concessão de 30 anos que venceu em 2010. Ponto final. Não se discute. Em 2010, venceu a concessão, vencida a concessão tem que ser feita ou uma nova licitação ou a renovação com a Sanepar. Era possível fazer a renovação da Sanepar antes dessa nova mudança, desse marco regulatório e dessas decisões do Supremo Tribunal Federal. O que a prefeitura vinha ouvindo da Sanepar sobre propostas de renovação, até chegou a fazer umas duas, três propostas, mas nada perto do que justificasse a renovação novamente com a prefeitura. Nada perto. Porque vale uma fortuna a concessão de águas e esgoto de Maringá. A Sanepar tem um lucro milionário em Maringá, a Sanepar deve ter próximo de R$ 200 milhões de lucro por ano em Maringá. Ela tem déficit em várias outras cidades do Paraná, mas em cidades como Maringá é superavitária. O que a Sanepar faz enquanto estado é o subsídio cruzado, ou seja, ela tem déficit em várias cidades e em outras ela tem lucro e ela faz um encontro de contas e no final a Sanepar tem lucro. Essa é a administração dela enquanto uma empresa do estado. No entanto, enquanto município de Maringá, ela tem um lucro extraordinário e se ela tem o lucro e quer continuar explorando por 20, 25 ou 30 anos, evidentemente que ela tem que pagar por isso, de várias formas, não só nos investimentos porque os investimentos no serviço são investimentos obrigatórios para explorar o serviço e, a rigor, Maringá tem 98% da rede de esgoto, nós só não temos esgoto em alguns pequenos locais ainda em Maringá, Iguatemi e Floriano, que eu estou brigando com a Sanepar há 5 anos para que ela faça o esgoto nesses dois distritos”, esclareceu. 

“A Prefeitura entrou na Justiça contra a Sanepar porque ela também não devolve o serviço para Maringá e também não faz uma proposta convincente de renovação. Resumindo, definitivamente o STF definiu de forma pacífica que os serviços de água e esgoto são da cidade, são do município de Maringá e deve fazer um processo de licitação. Pode a Sanepar vencer o processo de licitação? Pode. Não tem nenhum problema, até gostaria que fosse uma empresa pública do que uma privada, nada contra empresa privada, mas eu acho que onde teve privatização de serviços públicos, a população é que acabou pagando o preço por tarifas caras, como é o caso de telefone celular e tantas outras outras. […] Tem um detalhe nessa decisão, e por isso que a gente não fez a licitação, na decisão o Supremo diz que a Sanepar tem direito a uma indenização. A indenização que a Sanepar tem direito é muito menor do que vale o serviço de água e esgoto, então a prefeitura teria que pagar a Sanepar mas receber muito mais. Por conta disso, a prefeitura está contratando agora uma auditoria de nível nacional […] para apurar o valor que seria essa indenização e também para apurar o valor da outorga”, acrescentou. 

Assista a entrevista completa do prefeito de Maringá, Ulisses Maia, à CBN Maringá: 

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