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30 de abril de 2026

Taxas de juros encerram a semana em baixa, com alívio no exterior e petróleo comportado


Por Agência Estado Publicado 30/04/2026 às 18h19
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Os juros futuros na B3 recuaram com força na véspera do feriado, apoiados pela queda do dólar, maior apetite a risco no exterior e modesto alívio nos preços do petróleo, o que levou a baixas de até quase 10 pontos-base nos vencimentos curtos e perto de 20 pontos nos médios e longos.

Apesar do tom visto como “hawkish” do Copom no comunicado de quarta, probabilidade de novo corte de 0,25 ponto porcentual da Selic em junho subiu de 60% para 70%, de acordo com a precificação da curva futura. A taxa terminal projetada para o final de 2026 continua em 14%.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,209% no ajuste de quarta para 14,145%. O DI para janeiro de 2029 cedeu a 13,71%, vindo de 13,855% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 recuou de 13,852% no ajuste antecedente para 13,74%.

Apesar do arrefecimento desta quinta-feira, 30, o saldo da semana foi de inclinação da curva a termo, com o DI para janeiro de 2027 avançando 5 pontos em relação ao fechamento da última sexta-feira, ante aumento de cerca de 20 pontos nas taxas intermediárias e mais distantes.

No cômputo do mês, a dificuldade de EUA e Irã chegarem a um acordo e a continuidade do bloqueio no Estreito de Ormuz impediram devolução mais expressiva dos prêmios. O DI para janeiro de 2027 encerra abril com alta de cerca de 5 pontos. As taxas para janeiro de 2029 e 2031 caíram 5 pontos e 15 pontos, pela ordem.

Em maior medida, o ambiente externo foi o determinante para o fechamento da curva local, mas o Copom, em certa medida, também contribuiu, avalia Serrano. Embora, na quarta, grande parte dos profissionais ouvidos pela Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, tenha considerado o comunicado mais duro, o economista observa que o mercado esperava mudança no balanço de riscos para inflação, de simétrico para assimétrico, mas isso não ocorreu.

“Para mim, o comunicado veio neutro em relação ao anterior, e ‘dove’ em relação ao que o mercado esperava. O mercado pelo menos se protegeu disso de uma mudança no balanço de riscos”, disse o economista-chefe do Bmg.

Para Guilherme Rodrigues, gestor de renda fixa da Kinea Investimentos, o aumento da projeção para a inflação no horizonte relevante da política monetária, de 3,3% para 3,5%, foi o ponto mais “hawkish” do comunicado, e coloca uma barra alta para o Banco Central.

“Ele não vai ter muita margem de segurança para acomodar surpresas negativas. Se o petróleo subir mais, se o dólar reverter a depreciação ante o real, o que o BC faz? Muda a projeção para 3,6%, 3,7%?”, comentou Rodrigues à Broadcast. Segundo o gestor, a ata do Copom, a ser publicada na próxima terça-feira, pode vir mais conservadora do que o comunicado de quarta.

Em carta mensal antecipada à Broadcast, a Kinea informa que segue aplicada em juros no Brasil. “A combinação de um real apreciado com curvas futuras de commodities mais benignas nos parece compatível com uma trajetória de cortes mais intensa do que a hoje embutida nos preços”, avalia a gestora.

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