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18 de maio de 2026

Após ficar tetraplégico, maringaense cria telas com pincel amarrado na mão


Por Fábio Guillen Publicado 24/07/2020 às 11h32 Atualizado 24/02/2023 às 22h22
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Márcio Nalon, 41 anos, pintando uma tela com o pincel amarrado na mão
– Foto: Arquivo pessoal

Enfrentar uma fase difícil com entusiasmo e superação. Foi o que fez Márcio Nalon, de 41 anos, morador de Sarandi, após ficar tetraplégico. Há 22 anos, o artista plástico natural de Maringá, descobriu um talento que estava escondido.

Nalon sofreu um acidente em uma piscina, em Maringá, e fraturou a medula, perdendo os movimentos do corpo e ficando tetraplégico. Deitado na cama, olhando para o teto, Nalon teve a iniciativa de tentar desenhar, deitado na cama mesmo. A mão não conseguia segurar a caneta, mas ele deu um jeito e colou a caneta com uma fita e começou os primeiros rabiscos. 

“Um ano após o acidente eu não queria ficar parado, não queria depender dos outros. Eu olhava para o teto e era muito ruim. Comecei a desenhar e do desenho fui para a pintura. Uma madrinha minha me deu uma aula, deu o material, e comecei. Fui brincando, brincando e até que aconteceu. Eu grudo o pincel na mão com uma fita porque minha mão não segura o pincel”, explicou Márcio Nalon. 

Pelo mundo

O artista plástico encontrou na arte a superação. Com o passar dos anos veio o reconhecimento. Em 2014, algumas obras de Márcio Nalon correram o mundo em uma exposição de belas artes. As telas passaram por países da Europa, como Bulgária e Noruega, e também pela República Dominicana, na América no Norte.

A sensibilidade de Nalon faz com que ele dê vida e cor a celebridades mundiais como Marilyn Monroe, Charles Chaplin, Elvis Presley, dentre outros. O artista plástico, que já pintou mais de mil telas, também produz quadros com cenas da natureza que são de tirar o fôlego. Tudo feito com muito trabalho, deitado em uma cama e com um pincel amarrado na mão.

“Cada tela tem uma história e um tempo para ficar pronta. Há telas que faço em um dia, outras em um mês e tem telas que demoro até anos para terminar. Sou muito perfeccionista, então dependendo do trabalho quero mexer e mudar o tempo todo”, conta. 

A arte curou a depressão 

Márcio Nalon e sua tela de Marilyn Monroe durante exposição – Foto: arquivo pessoal

Recentemente, Márcio Nalon passou por mais uma fase difícil em sua vida. O artista plástico teve depressão e parou por um ano e meio de pintar. Ele afirma que perdeu a vontade de viver. 

“Passei muito mau. Tinha dias que eu achava que iria morrer. Fiquei fraco, doente e foi muito difícil. Os médicos vinham em casa me atender e eu tinha certeza que iria morrer. Nada tinha mais sentido. Eu só ficava dentro do quarto trancado. Um pouco antes da pandemia eu consegui superar e graças a Deus estou livre. Agora, só quero pintar e pintar minhas telas e atender meus clientes”, diz Nalon. 

Há quatro meses, Márcio Nalon retomou seu trabalho e já pintou diversas telas nesse período. O artista aceita encomendas de qualquer estilo de tela e tamanho. O contato com os clientes é feiro, geralmente, pela página Superação pela Arte, no Facebook. Clique aqui e veja. 

Márcio Nalon está na luta para conquistar a casa própria. Após se recuperar da depressão, o artista decidiu que vai se engajar para comprar uma casa e ter uma vida mais tranquila com a mãe, que tem 63 anos e é aposentada. 

“A dona da casa que moramos já pediu a residência. A gente vive de aluguel e é muito difícil. Meus amigos estão até fazendo uma vaquinha virtual para tentar me ajudar. Tenho fé que vou conseguir”, contou. 

Veja abaixo algumas obras de Márcio Nalon

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