Eleições 2020: Dias e Valenciano analisam última pesquisa de intenção de voto

Na coluna “O Assunto é Política” desta quinta-feira, 12, o cientista político Tiago Valenciano e o professor e historiador Reginaldo Dias analisaram a última pesquisa de intenção de voto antes do primeiro turno das eleições municipais de 2020 em Maringá. A pesquisa divulgada nesta quinta foi realizada pelo Paraná Pesquisas, instituto especialista em opinião pública, a pedido do Grupo Maringá de Comunicação (GMC). O levantamento mostra os percentuais dos 13 candidatos a prefeito da cidade.
Reginaldo Dias começa fazendo uma comparação de votos válidos entre as três pesquisas divulgadas, aqueles em que são eliminados os votos dos entrevistados que não sabem em quem vão votar ou aqueles que votarão em nenhum dos candidatos. “O prefeito [Ulisses Maia] começou com 41%, mas isso equivalia a 50,1% na primeira pesquisa. Na segunda pesquisa, o prefeito subiu para 51,16% dos votos válidos. Nas duas primeiras pesquisas já teria um patamar para ganhar a eleição em primeiro turno. Nesta última pesquisa, em termos de votos válidos, eles foi para 56,37%. Então ele cresceu 5% da última pesquisa para essa. E de onde é que ele tirou os votos? Dos adversários. Ao invés de os adversários tirarem voto do prefeito, o prefeito está tirando voto dos adversários, porque na outra linha vem: a primeira pesquisa, a soma dos adversários dava 49,3% dos votos válidos. Na segunda, cai para 48,84%, nesta última pesquisa […] dá 43%. Então o prefeito cresceu 5% e os adversários perderam 5% nesse jogo. Então está acontecendo o contrário, o prefeito está crescendo com os votos dos adversários, em parte também diminuiu a rejeição, o “nenhum”, vem de 12% para 8%. Então o prefeito tem sido beneficiado para esse deslocamento de votos e os adversários ou se mantém estagnados ou com um crescimento inferior, porque os únicos que ultrapassam os dois dígitos, segundo os votos válidos, são os candidatos Homero Marchese, com 15,6%, e a Coronel Audilene vai para 11,67%. Os demais candidatos têm menos que 6% […]. O poder gravitacional do prefeito tem sido bastante forte na atração de eleitores e sinalizando uma eleição que pode ser encerrada no próximo domingo”, analisa.
Para Tiago Valenciano, a reta final está dentro do esperado. “A tendência do crescimento daqueles que se tornaram mais conhecidos ao longo da campanha, acaba também se refletindo nas pesquisas eleitorais. Veja que, tanto o prefeito Ulisses Maia, quanto o Homero Marchese, quanto a Coronel Audilene, os três que acabaram se tornando mais conhecidos ao longo desse processo eleitora, na reta final são os que apareceram melhor. Destaque para o Dr. Batista que ‘derreteu’ ao longo das eleições, mas ele tem feito isso muito também em todas as outras disputas que ele fez até agora. Cai bastante, larga bem depois ele vai caindo no meio do caminho, ele sempre vem com a narrativa de que ‘pesquisa não conta’. Sobre esse detalhe da narrativa de que pesquisa não conta, é bom lembrar que nós tivemos duas eleições em Maringá em que as pesquisas na cabeça do povo falharam, mas, na verdade, não. Em 2012, nós tivemos uma pesquisa dando vitória para o Ênio Verri talvez já no primeiro turno, talvez um pouco melhor colocado do que o Pupin. Só que essa pesquisa saiu coisa de 10 dias antes da eleição e foi bem naquela virada de que o Pupin teve sua candidatura deferida. E aí, assim, houve uma mobilização em 10 dias, e isso é possível acontecer, que o Roberto Pupin acabou saindo na frente, largando lá no final, ganhou no primeiro turno e depois acabou sendo prefeito de Maringá em 2012. Em 2016, a situação das pesquisas era muito parecida do que a gente tem hoje, já indicava um segundo turno entre o Sílvio e o Ulisses ou o Quinteiro, o Ulisses deu aquele desgarrada na reta final e acabou ganhando eleição no segundo turno. Na eleição passada fazia-se muito essa narrativa dos votos válidos, que eu não gosto muito dessa metodologia adotada por alguns institutos de pesquisa, porque voto válido você pega e distribui ao total de indecisos, brancos e nulos, proporcionalmente em relação aqueles tiveram votos. Só que, na verdade, o indeciso ele sempre vai estar indeciso, e, na prática, nós temos aí pouco mais de 7,2% daqueles que não sabe ou não respondeu, e também, o Paraná Pesquisas mistura branco, nulo e nenhum, então de fato, o que a gente tem de branco e nulo e, de fato, o que a gente tem de nenhum? Porque o nenhum também pode acabar escolhendo alguém. Então assim, nós temos uma tendência muito alta do atual prefeito ser eleito ainda no primeiro turno por essa série de três pesquisas feitas pela Paraná Pesquisas, só que ainda falta aquela ‘pontinha’ de confirmação para saber se a gente vai ter eleição no primeiro turno ou no segundo turno pelas pesquisas. Resta saber para onde essa quantidade de indecisos vai migrar na reta final”, pontua o cientista político.
Assista à análise completa dos colunistas:
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob n.º PR-02357/2020 para o cargo de Prefeito. Foram ouvidos 810 eleitores da cidade de Maringá, entre os dias 7 e 11 de novembro de 2020. A margem de erro é de 3,5% para mais ou para menos. O grau de confiança é 95%.
