As eleições para governador e o descompasso entre aprovação e intenção de voto
A nova rodada de pesquisas para governador do Paraná reforça aquilo que já vinha se desenhando: Sergio Moro continua liderando com folga. Logo atrás aparece Requião Filho, que, curiosamente, mantém sua posição sem nem precisar entrar, de fato, em campanha – um fenômeno que diz mais sobre o cenário do que sobre o próprio candidato.

Mas o ponto que mais chama atenção, e levanta dúvidas, é o desempenho do nome apoiado pelo governador Ratinho Júnior. Sandro Alex, apontado como possível sucessor, ainda não mostrou a que veio nas pesquisas. E isso gera um ruído difícil de ignorar.
Afinal, se cerca de 64% da população afirma querer a continuidade do atual modelo de governo, por que esse apoio não se traduz em intenção de voto no candidato do próprio governo? A conta não fecha, e não é por falta de calculadora.
Uma das hipóteses mais óbvias: o nome apresentado simplesmente não empolgou. Na política, quando o eleitor não se empolga… ele troca de canal.
Nos bastidores, o último fim de semana trouxe mais combustível para essa novela. Em um encontro na fazenda de Ratinho Júnior, na região de Apucarana, que reuniu prefeitos, deputados e lideranças políticas, a expectativa era de fortalecimento de Sandro Alex como pré-candidato. Mas, segundo relatos de quem esteve presente, o roteiro não saiu como planejado.
Em vez de um coro uníssono, o que se ouviu foi outro nome ganhando força: Alexandre Curi, deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa.
Curi vem construindo uma imagem de articulador e pacificador, com boa aceitação entre prefeitos e trânsito fácil entre diferentes grupos políticos.
Traduzindo: agrada mais gente e incomoda menos.
Outro ponto que chamou atenção foi a ausência de Cristina Graeml, que havia sido convidada pelo próprio governador para integrar o grupo e despontava como possível pré-candidata ao Senado. Até agora, silêncio.
E, na política, silêncio raramente é neutro. Fica a dúvida: Senado? Vice? Ou fora do jogo?
Também causou estranheza a situação de Guto Silva. Após deixar o cargo para se lançar como pré-candidato ao governo, acabou sendo preterido na última hora. Mais um capítulo que reforça a falta de definição dentro da base governista.
Enquanto isso, do outro lado, Moro segue fazendo o básico bem feito: articulação, fortalecimento partidário e consolidação de base. Sem grandes sobressaltos, vai ocupando espaço e, principalmente, mantendo a liderança.
Já Rafael Greca aparece como uma peça importante nesse tabuleiro. Com postura firme, já deixou claro que não pretende ser vice. Quer ser cabeça de chapa, ponto final. Os números indicam que ele pode, sim, embaralhar o jogo e levar a disputa para um segundo turno.
No fim das contas, o Paraná vive um cenário curioso: um governo bem avaliado, um eleitor que diz querer continuidade… e um grupo político que ainda não conseguiu combinar quem, de fato, vai representar tudo isso.
Se a estratégia era mostrar força, por enquanto o que aparece é divisão. E eleição, como se sabe, não costuma perdoar desorganização.
A novela continua e, pelo ritmo, ainda vai render vários capítulos.
