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22 de maio de 2026

Desorganização Financeira: o erro que destrói famílias, mas tem solução


Por José Pedro Comini Barros Publicado 22/05/2026 às 13h56
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Foto: Freepik

Imagine chegar ao fim do mês com as contas vencendo, o cartão já estourado e a sensação de que qualquer imprevisto vai desmontar o orçamento. Agora imagine esse imprevisto vindo na forma de uma doença na família, com remédios caros, consulta, exame e a escolha cruel entre pagar a conta ou cuidar de quem você ama. É nesse ponto que a falta de educação financeira deixa de ser um conceito abstrato e vira sofrimento concreto, ansiedade, culpa e medo.

Esse cenário é mais comum do que parece no Brasil. Em março de 2026, 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas, o maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da CNC. Em fevereiro, o indicador também já havia batido recorde, com 80,2% das famílias com alguma dívida e 29,6% com parcelas em atraso. Esses números mostram que o problema não é pontual, ele faz parte da rotina de milhões de lares brasileiros.

Some a isso a explosão das apostas esportivas, que ganharam espaço rápido demais no orçamento de muita gente. Em 2025, as Bets movimentaram cerca de R$ 37 bilhões em receita e alcançaram 25,2 milhões de brasileiros no mercado legal. Além disso, um estudo citado pela Agência Brasil estimou perdas econômicas e sociais de R$ 38,8 bilhões por ano ao país, incluindo impactos sobre saúde mental, moradia e perda de renda. Não se trata apenas de entretenimento, mas de um risco real para famílias já pressionadas pelas contas.

E o dinheiro não afeta apenas o bolso, afeta também os vínculos. Levantamentos recentes mostram que as finanças estão entre os principais motivos de conflito em relacionamentos no Brasil, com 53% dos entrevistados apontando o dinheiro como principal causa de brigas entre casais, segundo pesquisa repercutida pela Serasa. Em outra pesquisa da própria Serasa, 41% dos brasileiros disseram já ter ficado com CPF negativado por causa de um relacionamento, o que mostra como a desorganização financeira pode virar problema emocional e familiar. Quando o casal não conversa sobre dinheiro, a conta não fica só no extrato, ela entra na convivência.

Mas há saída, e ela começa pela ordem certa. Se a pessoa tem dívidas, o primeiro passo é quitá-las, porque nenhum investimento costuma render mais do que os juros que o banco cobra. Se a renda atual não for suficiente, vale buscar renda extra com rapidez e disciplina, como vender bolos, doces ou marmitas, fazer limpeza, pequenos reparos, entrega por aplicativo, revisão de textos ou digitação, sempre escolhendo algo que caiba na rotina e ajude, de fato, a aliviar o orçamento. Também ajuda muito usar uma planilha financeira para controlar o que entra, quando sai, por onde o dinheiro entrou e, principalmente, para onde ele está indo, porque só se organiza bem quem enxerga o próprio fluxo de caixa no dia a dia. Depois disso, o foco deve ser montar uma reserva de emergência, idealmente de seis meses do custo de vida, para proteger a família de imprevistos de verdade.

Na organização do mês, uma regra simples pode ajudar: 50% da renda para contas essenciais, 30% para investir, 10% para guardar e 10% para gastar com o que desejar. Essa divisão é apenas uma referência e pode ser adaptada à realidade de cada pessoa, especialmente em um país em que o orçamento raramente é folgado. O importante é que o dinheiro tenha destino antes de desaparecer, e que a pessoa acompanhe esse fluxo com constância.

Ao mesmo tempo, ninguém deve tentar organizar a vida financeira sem estudar. É fundamental conhecer renda fixa, renda variável, risco, liquidez e prazo, sempre com apoio de profissionais como consultores ou assessores de investimentos quando necessário. Livro não precisa ser caro, nem conhecimento precisa ficar distante, a educação financeira está disponível em materiais públicos, conteúdos gratuitos e iniciativas sérias de formação. O conhecimento é o ativo que rende os melhores juros, porque ele reduz erro, melhora decisão e gera autonomia.

Por isso, antes de pensar em investir alto, pense em se proteger, antes de querer ganhar mais no mercado, aprenda a não perder para a desorganização. Quitar dívidas, montar reserva, organizar percentuais, usar uma planilha e estudar são etapas que precisam ser respeitadas nessa ordem.

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