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31 de maio de 2026

Do grão à experiência: como o noroeste paranaense redescobriu o café pelas mãos dos pequenos negócios 


Por Brenda Caramaschi Publicado 31/05/2026 às 08h20
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O estado que já foi o maior produtor de café do mundo redescobre o protagonismo da bebida em uma região onde a cafeicultura acelerou a ocupação do território, mas agora com foco na experiência. / Foto: divulgação Brasil Coffee Festival

O cheiro de café faz parte da memória afetiva do Paraná, que já foi o maior produtor desse grão no mundo. Entre as décadas de 1960 e 1970, o estado liderou o ranking mundial com colheitas que superavam 20 milhões de sacas anuais, impulsionado pela alta fertilidade da famosa “terra roxa” do Norte e Noroeste do estado, onde o café já foi sinônimo de riqueza, expansão urbana e desenvolvimento econômico. 

Em Maringá e nos municípios da região a própria ocupação do território está ligada à cafeicultura. O café atraiu famílias, impulsionou o comércio e ajudou a desenhar a identidade regional de municípios recém-nascidos que começavam a se desenvolver. Mas a Geada Negra de 1975 devastou plantações, desestruturou produtores e alterou profundamente a economia paranaense, forçando a debandada de famílias produtoras para outros estados, como Minas Gerais, ou a migração para outros segmentos agrícolas.

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O setor de cafés especiais transformou a bebida cotidiana em um ativo turístico e gastronômico no noroeste paranaense. / Foto: divulgação Le Petit Café

Durante décadas, o protagonismo do café se perdeu. O grão permaneceu na rotina, no cafézinho de todo dia, mas deixou de receber atenção na economia regional. Porém, quase cinquenta e um anos depois do evento climático ter dizimado cafezais e forçado a migração de famílias, o café voltou a ganhar força e a região vive um verdadeiro resgate cultural e econômico. Desta vez, no entanto, o foco não é a quantidade, a produção em larga escala, e sim a excelência e a experiência. 

Liderado por pequenos empreendedores, o setor de cafés especiais transformou a bebida cotidiana em um ativo turístico e gastronômico, movimentando milhões de reais e consolidando o noroeste paranaense como um polo de inovação no setor. Cafeterias, torrefações artesanais, produtores, baristas e empreendedores decidiram trabalhar juntos para transformar o café especial por meio de um ecossistema que une cidades, movimenta festivais gastronômicos, cria rotas turísticas e fortalece dezenas de micro e pequenas empresas.

O impacto dos pequenos negócios e a força do coletivo 

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Na região de maringá, o número de cafeterias especializadas cresceu acompanhado por torrefações e marcas próprias de cafés especiais. / Foto: divulgação Le Petit Café

Segundo dados do Atlas dos Pequenos Negócios (DataSebrae/IBGE), as micro e pequenas empresas, incluindo microempreendedores individuais (MEIs), representam cerca de 95% dos empreendimentos formais do Brasil. Elas respondem por 26,5% do Produto Interno Bruto nacional e foram responsáveis por aproximadamente 80% dos empregos formais gerados no país em 2025.

Os pequenos negócios atuam como os verdadeiros motores do desenvolvimento territorial e da inclusão produtiva e isso se torna claro no crescimento do ecossistema ligado ao café no noroeste paranaense. O que antes era uma lembrança nostálgica dos tempos áureos da cafeicultura, hoje é uma economia pulsante, moderna e, acima de tudo, unida. O café que era visto principalmente como commodity, agora aparece como experiência sensorial. Nos últimos anos, o número de cafeterias especializadas cresceu, torrefações surgiram em cidades da região e em confeitarias e padarias o café deixou de ser apenas acompanhamento para se tornar protagonista. Essa mudança acelerada tem uma explicação mercadológica clara: o associativismo. Compreendendo que a concorrência predatória isolaria as iniciativas, os micro e pequenos empresários locais entenderam que, sem a união, não encontrariam um denominador comum de fortalecimento. 

Esse movimento ganhou força especialmente após a criação da Rota dos Cafés Especiais de Maringá e Região, núcleo setorial ligado à Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim), com apoio do Sebrae e do Visite Maringá. Hoje a rota reúne cerca de 30 empresas, abrangendo não apenas Maringá, mas também Cianorte, Mandaguari, Marialva e Campo Mourão.  “Entendemos que se a gente não se unisse, a gente se tornaria uma ‘paleta mexicana’ e deixaria de existir”, afirma Celene Viana, presidente da Rota e fundadora da torrefação Semeado Cafés Especiais, citando uma das muitas “ondas gastronômicas” que se formaram, cresceram e sumiram em pouco tempo. “Quando uma potência econômica e turística como Maringá se aquece, ela puxa toda a região junto”, diz. Celene lembra que o cenário era completamente diferente pouco tempo atrás. “Quando começamos, falar de café especial aqui ainda parecia algo distante. Existia receio de que o mercado não entendesse esse produto. Mas a gente acreditava que precisava educar o consumidor”.

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Integrantes da Rota dos Cafés Especiais posam durante evento que entrou para o calendário oficial de Maringá. / Foto: arquivo pessoal Celene Viana

Mas o que é considerado um café especial? Em resumo, são grãos que atingem pontuação superior a 80 pontos em uma escala internacional, livres de defeitos primários e com perfil sensorial complexo. Hoje, cafeterias e torrefações da região trabalham não apenas com venda de café, mas também com experiências sensoriais, harmonizações, degustações guiadas, eventos culturais e turismo gastronômico. O suporte do Sebrae foi fundamental para a “virada de chave” na mentalidade dos empresários, ajudando-os a se enxergarem como ativos turísticos. Consultorias para a formatação de produtos de experiência permitiram que a gastronomia se tornasse um motor para o turismo local. O café se tornou âncora para atrair visitantes, transformando pequenos estabelecimentos, muitos deles com 5 a 10 mesas, em destinos que movimentam milhões na economia regional.

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Festivais transformaram curiosidade em mercado

Os festivais gastronômicos tornaram-se o grande catalisador desse crescimento. Eventos e circuitos gastronômicos ajudaram a popularizar o café especial e aproximaram o público de pequenos negócios. O Brasil Coffee Festival, que nasceu como Maringá Coffee Week antes de aumentar a duração e migrar para outras cidades e estados, foi idealizado pelo jornalista e barista maringaense Diego Drush. Dez estabelecimentos participaram da primeira edição, em 2021; em 2026 foram 50 – e com recorde de vendas para alguns já no primeiro dia de evento: a padaria Fica Leve, por exemplo, vendeu 131 menus no dia 22 de maio, quando começou a edição deste ano. “Eu nunca havia vendido mais do que 98 menus no mesmo dia em outras edições do festival. Mas no dia seguinte, que foi o primeiro sábado do festival, nós vendemos 257 menus”, comemora Carol Hoffmann, uma das sócias proprietárias da padaria artesanal, que participa do evento pela quinta vez e na edição de 2026 oferece aos clientes uma toast com creme de queijo, um pain au chocolat com calda extra de chocolate e um café especial na prensa francesa pelo valor de R$32 durante o Coffee Festival. “Aquece muito o comércio e esse ano, em uma semana, vendemos mais do que nas duas semanas dos festivais de anos anteriores”, afirma, enquanto vê a fila de espera aumentar na frente do estabelecimento, com mais clientes querendo experimentar o combo sazonal. E o que acontece na pequena padaria artesanal se repete em outros estabelecimentos participantes na cidade e na região. 

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Menu sazonal a preço fixo traz recorde de vendas aos participantes como a padaria artesanal Fica Leve, que em 2026 apostou em itens com inspiração francesa. / Foto: divulgação Brasil Coffee Festival

Em 2025, em apenas 15 dias de festival, o faturamento total (incluindo menus e vendas extras, uma vez que quem vai para conhecer os pratos e bebidas criados para o festival de café acaba aproveitando para consumir outros itens) ultrapassou os R$ 3 milhões.  “Eu acho que os festivais gastronômicos se tornam uma grande vitrine para os estabelecimentos e acho que eles puxam as pessoas para uma integração, como se elas fizessem parte daquilo, porque as pessoas querem, de fato, fazer a rota, o circuito gastronômico. Eu vejo que os festivais conseguem, ao mesmo tempo, movimentar a economia e ter um fator muito forte social e turístico. Consigo perceber pessoas da região vindo para Maringá para participar dos festivais que existem. A gente tem esse retorno de gente que reformou, gente que abriu outra unidade, de cafeterias que faturam no período do festival o que elas faturariam em três meses. E eu sempre bato muito na tecla que antes da gente pensar em consumo de um produto, a gente precisa trabalhar uma cultura. Isso foi feito em Maringá, fazendo um resgate histórico para lembrar que a gente é um lugar em que o café faz parte da nossa formação de sociedade no norte do Paraná. Maringá de fato virou uma cidade muito referência de cafeterias”, detalha o criador do Coffee Festival. 

Para Patrícia Duarte, os festivais aceleraram o amadurecimento do setor. Ela é dona da primeira cafeteria focada em cafés especiais a abrir em um bairro mais afastado da área central de Maringá, a Le Petit, e tinha acabado de inaugurar quando uma das primeiras edições do festival criado por Drush aconteceu. “Isso traz muito repertório, muita qualidade e muita acessibilidade pro público de forma geral. Os festivais criam essa curiosidade, as pessoas querem experimentar um café diferente, novos métodos de preparos, novos grãos de café. Trazem essa proximidade com o público e os pequenos negócios ganham uma visibilidade nisso. Porque o pequeno negócio muitas vezes não tem uma força de divulgação grande, de estar nas principais mídias da cidade, e como o festival ele passa a ser parte daquilo e ganha essa visibilidade coletiva. O festival ajudou muito porque as pessoas passaram a conhecer a cafeteria, ficaram curiosas e voltaram depois. A gente conseguiu trazer o pessoal do bairro, que passou a entender o que é café especial, uma torra média, um sabor mais doce. As pessoas tinham curiosidade de entender por que aquele café era diferente”, afirma. 

Desde o início, Patrícia, que atuou por anos no mercado publicitário, apostou no conceito de café como experiência, com iniciativas como réguas de degustação (onde o consumidor pode provar diferentes grãos e métodos de extração, a exemplo do que existe em algumas cervejarias artesanais), harmonizações guiadas e experiências sensoriais para apresentar diferentes perfis de cafés ao público. “A ideia nunca foi só vender café ou comida, mas criar memória e conexão. E quando o cliente entende isso, participa da experiência, isso fideliza, gera compartilhamento espontâneo de mídia nas redes sociais e não só o consumo”. 

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Régua de degustação é um dos produtos de café como experiência, com foco no turismo gastronômico. / Foto: divulgação Le Petit Café

No cerne dessa engrenagem comercial operada pelos pequenos negócios habita uma mudança comportamental profunda na sociedade contemporânea: as cafeterias se tornaram espaços de criação de memórias coletivas. O consumidor atual migrou do consumo automático da bebida para a busca por rituais de bem-estar. O café, historicamente rotulado como um combustível energético para o trabalho, foi ressignificado e passou a ser sinônimo de respiro no meio do cotidiano e de reconexão cultural com a história da região. “As pessoas enxergam também que o café também pode ser pausa, que a gente pode respirar no meio da correria do dia a dia e tomar um cafezinho ali, tirar uma horinha para desacelerar e tomar um café com calma e viver uma experiência num lugar gostoso. A gente organizou esse mercado e não se considera concorrente, e sim fortalecedor do negócio um do outro, e isso passa a ser uma identidade gastronômica e cultural da cidade. Temos o Festival do Café Especial no calendário oficial da cidade, leis que nos ajudam a criar a rota dos cafés especiais da cidade também, e isso fortalece o pequeno negócio que faz parte de algo maior”, diz Patrícia Duarte. 

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O fortalecimento do setor fez com que o café passasse a integrar o planejamento turístico regional. Atualmente, a Rota dos Cafés Especiais trabalha com um calendário anual de eventos voltado à movimentação econômica e turística, incluindo outros festivais sazonais. O objetivo é transformar a região em referência em turismo gastronômico ligado ao café, fortalecendo toda a cadeia: produtores, torrefações, cafeterias, empórios que vendem os grãos e outros estabelecimentos que servem a bebida. “Eu vejo que nenhum ecossistema se constrói sozinho. O Café Semeado está presente sendo servido em várias cafeterias participantes. Para uma marca nascida em Cianorte, ver o seu produto brilhando nas xícaras de um grande festival em Maringá é a validação perfeita de que a união regional funciona”, resume Celene Viana.

Um dos pilares do início desse movimento foi o trabalho desenvolvido por empreendedores como Michael Tamura, atual presidente do Visite Maringá e vice-presidente da Rota dos Cafés Especiais. Vindo de uma família tradicional de produtores de café e proprietário de cafeteria, ele capitaneou o processo de rebranding da marca familiar “Café Tamura” justamente no início do “boom” do setor, antes mesmo de abrir as portas do espaço físico, onde o menu estampa suas raízes e identidade nipônicas como diferencial competitivo. “A marca Café Tamura foi fundada em 2000. Falávamos de café especial quando ninguém falava disso em Maringá. Passamos por todas as fases: desde quando as pessoas buscavam ‘produtos gourmet’ até hoje, que já sabem a diferença entre o gourmet e o especial. Sem o trabalho da Rota e a união dos empresários, não teríamos um público com o poder crítico e de consumo consciente que temos hoje. É um mercado em pleno crescimento”, afirma.

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Atual presidente do Visite Maringá e vice-presidente da Rota dos Cafés Especiais, Michael Tamura capitaneou o processo de rebranding da marca familiar antes do café especial começar a ganhar força. / Foto: arquivo pessoal Michael Tamura

Presidindo a organização sem fins lucrativos que visa estimular o turismo e impulsionar o desenvolvimento econômico local, Tamura diz que não foi simples ou rápido fazer com que os empresários realmente se enxergassem como ativos turísticos, mas que traduzir as possibilidades que essa visão traria foi decisivo para atingir o cenário atual. “O Sebrae teve um papel fundamental na formatação de produtos turísticos. Quando formamos a Rota dos Cafés Especiais, uma das consultorias foi para a formatação de produtos de experiência. Isso fez com que entendessem que a gastronomia pode sim ser um ativo que mobiliza o turismo. Hoje é comum incluirmos estabelecimentos gastronômicos em roteiros de viagem e eventos que criam roteiros e dão previsibilidade de custos caíram no gosto do maringaense. Ter uma rota definida e produtos divulgados antecipadamente facilita a escolha do cliente e convida quem não conhece a própria cidade a circular por novos lugares. O Festival de Verão da Rota dos Cafés Especiais, por exemplo, ajudou a movimentar a economia em um período de baixa venda, quando o café quente é menos procurado”, conta o empresário.

Calendário de eventos do café em 2026

Para manter o mercado aquecido e educar o consumidor, a Rota estruturou o seguinte calendário:

  • Edição de Verão: Focada em cafés gelados e bebidas refrescantes.
  • Festival do Café Especial (Março): Realizado pela Rota e Visite Maringá.
  • Maringá Coffee Festival (22 de maio a 07 de julho): Evento consagrado com a participação de 22 estabelecimentos da Rota.
  • Festival Cultural “Café com Música” (Agosto): Une café, arte e música regional.
  • Rota das Experiências (Outubro): Ação para consolidar o circuito turístico entre as cidades parceiras.

A Indicação Geográfica (IG) de Mandaguari e o selo que ajudou a reposicionar o café regional

O resgate do café também passa pela qualificação técnica. Enquanto cafeterias e torrefações fortaleciam a experiência do café nas cidades, produtores rurais buscavam valorizar a origem do grão. Em Mandaguari, a recente conquista do selo de Indicação Geográfica (IG) para o café especial é um marco. A ferramenta de propriedade industrial que protege os atributos distintivos vinculados ao meio geográfico reconhece que o café da região possui identidade única, moldada por fatores naturais e pelo saber-fazer humano. A IG de Mandaguari abrange também Jandaia do Sul, Cambira e Apucarana, garantindo que o café da região tenha atributos distintivos reconhecidos internacionalmente. Para o pequeno produtor, a IG representa a transição da invisibilidade da commodity, sem diferenciação por qualidade ou origem (onde o preço é ditado por bolsas externas, muitas vezes abaixo do custo de produção) para o protagonismo do café especial. 

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Q-grader Eduardo Barros, de Mandaguari, durante curso na Colômbia, aprimorando conhecimentos para repassar aos produtores da região. / Foto: arquivo pessoal Eduardo Barros

Foi nesse contexto que o empresário Eduardo Barros mergulhou no universo dos cafés especiais. Ao lado da esposa, fundadora da padaria artesanal Assucar, ele passou a estudar cafés de alta qualidade, se especializou internacionalmente em análise sensorial e se tornou o primeiro avaliador de café (Q-Grader) de Mandaguari. O Q-Grader é o avaliador profissional de café, detentor de uma habilitação internacional que o capacita como o “sommelier” do grão, realizando o cupping (degustação técnica) para identificar se o lote atende aos rigorosos padrões de especialidade. Hoje, Barros tem percorrido o mundo para trazer tecnologia de pós-colheita para os pequenos produtores locais e diz que alguns cafeicultores tradicionais chegam às lágrimas ao compreender que a qualidade técnica é um caminho de dignidade e valorização de sua história, permitindo que a pequena propriedade rural (muitas vezes de base familiar) seja economicamente viável. Além de avaliar cafés da associação local, Eduardo também atua na formação técnica de profissionais e consumidores da região, oferecendo cursos ligados à análise sensorial, torra e preparo. Para ele, a qualificação é essencial para que pequenos produtores consigam agregar valor ao produto.  “O café commodity não traz melhoria de vida para o cafeicultor. Com o café especial, ele sai desse mercado onde o preço é imposto e passa a oferecer um produto de valor agregado”, explica Barros. 

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A região da IG de Mandaguari produz aproximadamente 18 mil sacas de café anuais. Embora o volume seja reduzido em comparação a grandes centros de produção em massa, o foco na especialidade e na proteção territorial assegura que o valor agregado compense a escala. Este modelo protege os pequenos negócios da volatilidade do mercado e garante que o café paranaense permaneça como um símbolo de excelência. A entrevista de Eduardo Barros foi concedida enquanto ele estava na Colômbia, fazendo mais um curso de capacitação na área. “A Colômbia é referência em café especial no mundo e confesso que desde o primeiro dia aqui foi um choque de realidade, porque eles possuem muitos métodos, muita tecnologia de processamento de café pós-colheita. E aí isso é o que tem feito com que o café deles mundialmente seja reconhecido como café especial. É claro que a gente tem isso no Brasil também, só que de um de uma forma um pouco diferente. Nós precisamos recorrer a algumas técnicas um pouco artesanais e a metodologias alternativas para termos um bom café. A minha expectativa é retornar ao Brasil e compartilhar esse conhecimento com os cafeicultores da nossa região. A minha primeira atividade é uma palestra em Apucarana, onde eu vou compartilhar experiência com eles para prepararem seus cafés para o concurso Qualidade Café Paraná, que vai acontecer esse ano em Curitiba. Na sequência tem um evento em Cianorte. Esse tem sido o meu trabalho e eu amo o que eu faço”, finaliza o especialista. 

Entenda os atributos sensoriais e critérios de avaliação do café

Atributo SensorialDescrição Técnica (Padrão de Avaliação)
Fragrância e AromaDistinção entre a percepção olfativa do pó seco (fragrância) e a do café em contato com água quente (aroma).
SaborAvaliação da complexidade gustativa, integrando os gostos percebidos na língua e os aromas retro-nasais.
DoçuraIntensidade dos açúcares naturais da fruta preservados no processamento, sem amargor residual de torras excessivas.
Corpo (Sensação Tátil)Avaliação da viscosidade e peso da bebida na boca, analisando a textura e a persistência no paladar.

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