Como vivia o casal mantido em situação de escravidão moderna por 20 anos no PR

Um paiol com estrutura de madeira apodrecida, risco constante de desabamento e total ausência de água encanada formavam o cenário da rotina do casal de idosos, de 84 e 66 anos, mantido em condições análogas à escravidão por duas décadas em Guarapuava, na região central do Paraná.
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Após o resgate, realizado na última semana pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, foi constatado que as vítimas viviam em extrema vulnerabilidade. Os detalhes revelados pela equipe de fiscalização apontam que o casal utilizavam três pequenas estruturas de madeira improvisadas para viver. O paiol fica região do Combrão, próxima à rodovia PR-170.
O antigo paiol foi precariamente adaptado como residência principal, enquanto o cômodo designado como banheiro ficava a cerca de 20 metros de distância, construído com paredes abertas, frestas expostas ao frio e instalações elétricas clandestinas. Um terceiro espaço improvisado abrigava o chuveiro.
Segundo o relatório dos auditores-fiscais, a residência principal apresentava um perigo iminente não apenas de queda, mas também de incêndio, asfixia e intoxicação, uma vez que lenha, materiais combustíveis e um botijão de gás eram armazenados de forma irregular ao lado de um fogão a lenha.

Além disso, a água utilizada para o consumo e para as tarefas domésticas era retirada diretamente de nascentes e cursos d’água da fazenda, obrigando os idosos a ferver o líquido sempre que as condições permitiam.
A alimentação também era incerta, dependendo quase que exclusivamente da ajuda e doação de terceiros. Sem qualquer fornecimento de equipamentos de proteção individual por parte do empregador, o casal trabalhava e dormia exposto ao ataque de animais peçonhentos e ao desenvolvimento de doenças respiratórias, agravadas pela completa falta de vedação nas paredes das edificações de madeira.

O empregador manteve os idosos por 20 anos sem registro em carteira, sem concessão de férias, sem pagamento de décimo terceiro salário e com uma remuneração inferior ao piso regional.
No total, o Ministério do Trabalho e Emprego listou 14 irregularidades administrativas. O proprietário poderá ser alvo de investigação criminal pela Polícia Federal e deve pagar R$ 70 mil em verbas rescisórias e indenizatórias às vítimas. Eles foram acolhidos na casa de um filho na área urbana da cidade.
As informações são da TN Online.
