Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

14 de junho de 2026

Como vivia o casal mantido em situação de escravidão moderna por 20 anos no PR


Por Redação GMC Online Publicado 14/06/2026 às 10h58
Ouvir: 00:00
caso-foi-registrado-em-guarapuava-na-regiao-centra-01099273-0-202606132053-ProportionalFillBackground
Foto: Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)

Um paiol com estrutura de madeira apodrecida, risco constante de desabamento e total ausência de água encanada formavam o cenário da rotina do casal de idosos, de 84 e 66 anos, mantido em condições análogas à escravidão por duas décadas em Guarapuava, na região central do Paraná.

Após o resgate, realizado na última semana pela Secretaria de Inspeção do Trabalho, foi constatado que as vítimas viviam em extrema vulnerabilidade. Os detalhes revelados pela equipe de fiscalização apontam que o casal utilizavam três pequenas estruturas de madeira improvisadas para viver. O paiol fica região do Combrão, próxima à rodovia PR-170.

O antigo paiol foi precariamente adaptado como residência principal, enquanto o cômodo designado como banheiro ficava a cerca de 20 metros de distância, construído com paredes abertas, frestas expostas ao frio e instalações elétricas clandestinas. Um terceiro espaço improvisado abrigava o chuveiro.

Segundo o relatório dos auditores-fiscais, a residência principal apresentava um perigo iminente não apenas de queda, mas também de incêndio, asfixia e intoxicação, uma vez que lenha, materiais combustíveis e um botijão de gás eram armazenados de forma irregular ao lado de um fogão a lenha.

como-vivia-o-casal-mantido-em-situacao-de-escravid-01099273-0-202606132053-3
Foto: Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)

Além disso, a água utilizada para o consumo e para as tarefas domésticas era retirada diretamente de nascentes e cursos d’água da fazenda, obrigando os idosos a ferver o líquido sempre que as condições permitiam.

A alimentação também era incerta, dependendo quase que exclusivamente da ajuda e doação de terceiros. Sem qualquer fornecimento de equipamentos de proteção individual por parte do empregador, o casal trabalhava e dormia exposto ao ataque de animais peçonhentos e ao desenvolvimento de doenças respiratórias, agravadas pela completa falta de vedação nas paredes das edificações de madeira.

como-vivia-o-casal-mantido-em-situacao-de-escravid-01099273-1-202606132053-3
Foto: Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT)

O empregador manteve os idosos por 20 anos sem registro em carteira, sem concessão de férias, sem pagamento de décimo terceiro salário e com uma remuneração inferior ao piso regional.

No total, o Ministério do Trabalho e Emprego listou 14 irregularidades administrativas. O proprietário poderá ser alvo de investigação criminal pela Polícia Federal e deve pagar R$ 70 mil em verbas rescisórias e indenizatórias às vítimas. Eles foram acolhidos na casa de um filho na área urbana da cidade.

As informações são da TN Online.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação