BC: Projeção de IPCA de 2027, horizonte relevante, passa de 3,5% para 3,7%
O Comitê de Política Monetária (Copom) revisou nesta quarta-feira, 17, a projeção para a inflação acumulada em 12 meses até o fim de 2027, atual horizonte relevante da política monetária, de 3,5% para 3,7%, considerando o cenário de referência.
A projeção segue acima do centro da meta, de 3%. Isso indica que a trajetória de juros embutida no relatório Focus é insuficiente para fazer a inflação convergir ao alvo no período de seis trimestres observado pelo BC. Hoje, as medianas do relatório indicam que a Selic estará em 13,75% no fim deste ano e cairá para 12,0% no fim de 2027.
Nesta reunião, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,50% para 14,25%. A decisão foi unânime e ficou em linha com a expectativa de 39 das 49 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast.
Ao justificar a decisão, o colegiado disse que “julgou apropriado, neste momento, dar sequência ao ciclo de calibração da política monetária, reduzindo a taxa de juros para 14,25% ao ano”.
“O período prolongado de manutenção da taxa básica de juros em patamar contracionista propiciou evidências da transmissão da política monetária sobre a desaceleração da atividade econômica. Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o comunicado.
Desde a última reunião, de abril, a cotação do dólar usada pelo comitê em suas projeções aumentou de R$ 5,00 para R$ 5,10. A mediana do Focus para o IPCA de 2026 subiu de 4,86% para 5,30%. Para 2027, aumentou de 4,0% para 4,10%.
A projeção do Copom para o IPCA acumulado em 2026 aumentou de 4,6% para 5,2%. Também no cenário de referência, o colegiado ajustou as estimativas para a inflação de preços livres em 2026 (4,5% para 5,3%) e em 2027 (3,5% para 3,7%) e para os preços administrados neste ano (4,8% para 4,7%) e no próximo (3,6% para 3,9%).
Todas as estimativas levam em conta a evolução da taxa de câmbio conforme a paridade do poder de compra (PPC), a trajetória da Selic embutida no relatório Focus e o preço do petróleo seguindo a curva futura por aproximadamente seis meses, passando a aumentar 2% ao ano posteriormente.
Juros reais
Mesmo com a redução da Selic para 14,25%, o Brasil tem hoje a maior taxa de juros reais do mundo, 9,67%, segundo o ranking MoneYou/Lev Intelligence. A Rússia está em segundo lugar, com 9,31%. Na sequência, estão Turquia (5,57%), México (5,10%) e África do Sul (3,74%).
O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil – que não estimula nem deprime a economia – é de 5,0%.
