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11 de junho de 2026

Dólar cai a R$ 5,10 e real é melhor emergente com aposta em acordo EUA-Irã


Por Agência Estado Publicado 11/06/2026 às 17h56
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O dólar cedeu mais de 1% nesta quinta-feira, 11, e passou a acumular perda de 1,08% na semana, chegando a tocar nível abaixo de R$ 5,10 à tarde. Apesar da desvalorização global do dólar, o real se destacou ao ter a melhor performance entre os mercados emergentes, na toada de desmonte de posições defensivas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer que cancelou os ataques e bombardeios para o Irã, antes programados para esta noite. O desempenho positivo foi ainda mais forte, com fluxo estrangeiro para a Bolsa, depois de o republicano dizer que fez um ótimo acordo para encerrar a guerra até o fim de semana.

Após máxima de R$ 5,182 (+0,18%) pela manhã e mínima a R$ 5,0921 (-1,55%) nesta tarde, o dólar à vista fechou em queda de 1,37%, a R$ 5,1016. No ano, a divisa americana perde 7,06%, mas ainda acumula alta de 1,16% em junho.

Por volta das 17 horas, o contrato futuro para julho caía 1,62%, a R$ 5,124, enquanto o índice DXY, que mede o comportamento da divisa americana ante seis moedas fortes, recuava 0,30%.

A alta do dólar pela manhã foi pontual, com a divisa passando a ceder com a expectativa de juros altos por mais tempo sustentando fluxo para o real através de operações de carry trade. A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, nota que a pesquisa mensal de serviços (PMS) mais forte do que o esperado coloca pressão sobre juros aqui dentro e fala a favor do real, por conta do diferencial de juros.

O fôlego do moeda local, contudo, ficou mais forte – apreciando mais de 1% – apenas após Trump publicar, na Truth Social, que decidiu suspender a operação militar no Irã, antes programada para esta noite, devido ao avanço nas negociações com o país persa. Na ocasião, o republicano também disse que um acordo prévio foi aprovado pela liderança iraniana.

Em desencontro de narrativas, Irã e Israel tinham negado a existência do acordo. Ainda assim, a dinâmica de recuperação do real se manteve. “O mercado financeiro tinha medo de ter mais uma troca de fogo entre EUA e Irã e de que o cessar-fogo realmente acabaria. Então independente de ter um acordo concreto, a sinalização de que não haverá mais uma escalada foi importante”, avalia o economista do grupo CVPAR, Marcelo Fonseca.

A partir do entendimento de que EUA não fará mais um contra-ataque forte, o prêmio de risco global diminuiu e o Brasil atraiu um pouco mais de dinheiro novamente, aponta Kawauti. O movimento de mínima do dólar veio em sintonia com máxima da Bolsa e recuo mais expressivo dos juros futuros.

Por volta das 16h30 a apreciação do real ganhou ainda mais força, após Trump reforçar que teria acabado de fazer um ótimo acordo para encerrar a guerra e prometendo finalizar os documentos nos próximos dias. A CBS News também noticiou que um memorando de entendimento entre EUA e Irã provavelmente será assinado no início da próxima semana.

“Volta um cenário de risk-off no sentido de entusiasmo maior. Mas ainda há dúvidas sobre se é um fim permanente do conflito”, comenta o diretor global de FX e derivativos listados da Hedgepoint Global Markets, Guilhermo Marques, notando que o dólar teve uma alta considerável nas últimas três semanas, a qual ainda não foi totalmente corrigida no pregão desta quinta.

O operador de câmbio da AGK corretora, Fernando César, considera que até não se resolver a situação do Oriente Médio de maneira totalmente conclusiva, com a assinatura do acordo, o câmbio pode continuar volátil. Além de um noticiário mais benigno e otimista em torno de um alinhamento entre EUA, Israel e Irã, o operador também considera que pode ter ocorrido fluxo de venda de posição de exportadores que tinham aproveitado a alta da moeda americana mais cedo.

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