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12 de junho de 2026

Dólar cai no dia a R$ 5,06 com acordo EUA-Irã no radar e recua 1,86% na semana


Por Agência Estado Publicado 12/06/2026 às 17h39
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O dólar apresentou queda firme nesta sexta-feira, 12, alinhado ao comportamento da moeda norte-americana no exterior, mas se manteve acima da linha de R$ 5,05. Sinais de progresso nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã reduziram os temores de piora da inflação americana e estimularam a busca por divisas emergentes.

O real exibiu um dos melhores desempenhos entre as moedas mais líquidas. A melhora do apetite ao risco se sobrepôs ao efeito negativo da queda do petróleo sobre os termos de troca. A perspectiva de uma postura mais cautelosa do Banco Central no processo de calibração da taxa Selic, após a leitura do IPCA de maio, pode ter contribuído para a apreciação do real, ao sugerir a manutenção de amplo diferencial de juros.

Com mínima de R$ 5,0584, à tarde, o dólar à vista fechou em baixa de 0,79%, a R$ 5,0615, acumulando queda de 1,86% na semana.

A divisa ainda avança 0,37% em junho, após valorização de 1,82% em maio. No ano, a moeda norte-americana recua 7,79% frente ao real, que apresenta ganhos inferiores em 2026 apenas aos do rublo russo e do novo shekel israelense.

“Vimos hoje um movimento de valorização de divisas emergentes em relação ao dólar, com algum otimismo do mercado diante da possibilidade de um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio”, afirma a economista-chefe para a América Latina da Coface, Patrícia Krause.

Após informações desencontradas sobre as negociações entre Irã e EUA pela manhã, com o presidente Donald Trump acusando Teerã de divulgar informações falsas sobre os termos do suposto entendimento, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o chamado Memorando de Entendimento de Islamabad “nunca esteve tão próximo” de sua conclusão.

Segundo a Axios, Trump classificou, em breve conversa por telefone, como “muito positiva” as declarações de Araghchi e reiterou que acredita na assinatura de um acordo com o Irã ao longo do fim de semana ou na segunda-feira. Na reta final do pregão, o chanceler iraniano afirmou que o memorando de entendimento com os EUA terá 14 artigos, mencionando que Teerã garantirá a passagem segura de navios pelo Estreito de Ormuz.

As cotações do petróleo recuaram mais de 3% com a expectativa de um acordo. Não houve aceleração relevante das perdas no pregão eletrônico na esteira das afirmações de Araghchi. Parâmetro de preços nos EUA, o contrato do WTI para julho caiu 3,23%, a US$ 84,88 o barril. Já o contrato do Brent para agosto, referência para a Petrobras, recuou 3,37%, a US$ 83,77, acumulando abaixa de 6,19% na semana.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, em especial o euro e o iene, o índice DXY operou em leve queda e recuava pouco mais de 0,10% no fim da tarde, ao redor dos 99,700 pontos, após mínima de 99,635 pontos pela manhã. O Dollar Index acumula alta de 0,80% em junho e de mais de 1,50% no ano.

“O DXY tem se mantido bastante forte, apesar do tom duro do Banco Central Europeu e de um potencial cessar-fogo no Golfo. Esperamos que encontre suporte perto de 99,500”, afirma, em nota, o chefe de estratégia de mercados do banco ING, Chris Turner, acrescentando que o comportamento do DXY reflete o fato de o “gênio do aperto monetário” pelo Federal Reserve ter sido “solto da garrafa”.

As expectativas são de que o Fed, além de manter a taxa básica de juros inalterada, adote um tom cauteloso na superquarta, 17, primeiro encontro comandado por Kevin Warsh, indicado por Donald Trump à presidência do BC americano. Por aqui, parte dos analistas, embora minoritária, já vê a possibilidade de que o Comitê de Política Monetária (Copom) interrompa o ciclo de queda dos juros em razão da deterioração das expectativas de inflação.

Pela manhã, o IBGE informou que o IPCA desacelerou de 0,67% em abril para 0,58% em maio. A leitura superou, contudo, a mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, que era de 0,55%. A avaliação da maioria dos analistas ouvidos pelo Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) é de que o resultado da inflação oficial em maio acende um sinal amarelo para o Banco Central.

“O IPCA de maio acima do esperado reforçou a expectativa de um Banco Central mais cauteloso, sustentando o diferencial de juros e mantendo o real entre as moedas de melhor desempenho entre os emergentes”, afirma o analista de investimentos Bruno Shahini, da Nomad Investimentos.

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