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10 de janeiro de 2026

Dólar fecha praticamente estável com cautela na véspera do payroll


Por Agência Estado Publicado 08/01/2026 às 18h38
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O dólar operou ao redor da estabilidade ao longo da tarde e encerrou a sessão desta quinta-feira, 8, cotado a R$ 5,3890 (+0,04%). Segundo operadores, a taxa de câmbio busca uma acomodação após furar o piso de R$ 5,40 e acumular baixa de quase 2% neste início de janeiro.

O clima é de cautela à espera da divulgação nesta sexta, 9, do relatório de emprego (payroll) nos EUA em dezembro, que pode mexer com as expectativas em torno dos próximos passos do Federal Reserve. No Brasil, as atenções se voltam ao IPCA de dezembro, embora não haja expectativa de que o indicador possa mudar a aposta majoritária de manutenção da taxa Selic em 15% neste mês.

“Vimos um câmbio mais de lado, com o mercado em compasso de espera pelo payroll. O fluxo está muito fraco e a liquidez baixa. Deve haver uma melhora a partir da próxima semana”, afirma o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.

Lá fora, o índice DXY – que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes – operou em alta moderada ao longo do dia e aproximou-se dos 99,000 pontos, com máxima aos 98,984 pontos. A moeda americana também avançou na comparação com a maioria das divisas emergentes e de países exportadores de commodities, a despeito do avanço de mais de 3% dos preços do petróleo.

Números de pedidos semanais de auxílio-desemprego vieram praticamente em linha com o esperado. Sem sinais mais fortes de deterioração do mercado de trabalho e da atividade, é provável que o Fed opte por manter a taxa básica de juros americana inalterada no curto prazo, depois de cortes acumulados de 75 pontos-base em 2025.

Monitoramento do CME Group mostra que as chances de manutenção dos juros em janeiro superam 80%. A probabilidade de que a taxa permaneça inalterada também em março supera 50%. Ou seja, a retomada do alívio monetário ficaria para o segundo trimestre.

“O payroll de dezembro vai ser o primeiro dado do mercado de trabalho que não terá a ‘contaminação’ dos efeitos do shutdown e pode, sim, mexer com as expectativas para a próxima decisão do Fed”, ressalta Velloni, da Frente Corretora.

A mediana de 25 projeções compiladas pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, aponta para criação de 60 mil empregos nos EUA em dezembro. As estimativas variam de 23 mil a 155 mil. Em novembro, houve abertura líquida de 64 mil vagas. A taxa de desemprego deve cair de 4,6% para 4,5%.

Por ora, a avaliação é a de que a manutenção de um diferencial de juros elevado tende a dar amparo ao real ao longo do primeiro trimestre, caso não haja surtos de aversão ao risco no exterior ou ruídos políticos locais que estimulem a demanda pela moeda americana.

A queda de quase 2% do dólar neste início de janeiro é vista como um movimento de correção após a alta de 2,89% em dezembro, motivada pelo aumento dos prêmios de risco com o anúncio da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência da República e a sazonalidade negativa do fluxo cambial.

A gestora de recursos Armor Capital observa que em dezembro o real teve desempenho aproximadamente 5% pior do que o de seus pares emergentes. “Taticamente, na última semana de dezembro, montamos posições compradas em real, acreditando na convergência da moeda em relação aos pares emergentes e no início da sazonalidade positiva dos fluxos comerciais referentes às safras agrícolas”, afirma a gestora, que estima taxa de câmbio em R$ 5,45 no fim do ano.

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