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29 de junho de 2026

Dólar tem leve alta e atinge R$ 5,17 em pregão de liquidez reduzida


Por Agência Estado Publicado 29/06/2026 às 18h06
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Com trocas de sinal e oscilações modestas ao longo da tarde, o dólar ganhou certo fôlego na reta final dos negócios e encerrou esta segunda-feira, 29, em leve alta, na casa de R$ 5,17. Operadores ressaltam que a sessão foi marcada por liquidez reduzida, em razão do jogo do Brasil contra o Japão na Copa do Mundo no período da tarde, e por questões técnicas ligadas à rolagem de contratos de virada do mês e à disputa, na terça-feira, pela formação da última taxa Ptax de junho.

O real tropeçou apesar do sinal predominante de baixa da moeda americana no exterior, em aparente ajuste após a valorização nas últimas semanas, na esteira da expectativa de alta de juros nos EUA. A agenda doméstica, com deflação do IGP-M em junho e pesquisa eleitoral mostrando diminuição da distância entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi monitorada, mas não teve impacto relevante na formação da taxa de câmbio.

Depois de oscilar entre mínima de R$ 5,1553 e máxima de R$ 5,1859, o dólar à vista terminou em alta de 0,13%, a R$ 5,1743. A moeda norte-americana avança 2,61% frente ao real em junho, após valorização de 1,82% no mês passado. No ano, as perdas, que chegaram a superar dois dígitos no início de maio, quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90, agora são de 5,73%.

O head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, prevê taxa de câmbio oscilando entre R$ 5,10 e R$ 5,20 no curto prazo, com investidores de olho, sobretudo, em indicadores econômicos nos EUA e eventuais ruídos políticos domésticos. Ele ressalta que houve uma retração do apetite por ativos após o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) adotar um tom mais duro em relação à inflação, o que tirou fôlego da moeda brasileira.

“As expectativas passaram a incorporar, no mínimo, a manutenção dos juros americanos até o fim de 2026, em contraste com o cenário predominante até março, quando o mercado projetava aproximadamente 75 pontos-base de cortes pelo Fed”, afirma Chiumento, acrescentando que há também uma dinâmica de aumento de prêmios de risco nos ativos locais, dada a piora da perspectiva fiscal.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY recuava pouco mais de 0,20% por volta das 17 horas, aos 101,100 pontos, depois de mínima aos 101,071 pontos. Apesar do escorregão nesta segunda, o Dollar Index ainda sobe mais de 2% em julho e tem alta superior a 2,80% no ano. As taxas dos Treasuries praticamente não se mexeram, com o yield do papel de 2 anos rondando 4,10%. As atenções ao longo da semana estão voltadas a dados do mercado de trabalho nos EUA, em especial o relatório de empregos (payroll) de junho.

Depois do tombo de quase 10% na semana passada, as cotações do petróleo avançaram em meio a informações desencontradas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã e dúvidas sobre o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz. O contrato do Brent para setembro, referência de preços para a Petrobras, fechou em alta de 1,80%, a US$ 73,91 o barril.

O economista Robin Brooks, do Brookings Institute, observa que a alta do DXY desde o encontro de política monetária do Fed no último dia 17 não é um sinal inequívoco de tendência de dólar forte daqui para frente. Ele pondera que não há sinais de descontrole na inflação subjacente nos EUA que justifiquem um aperto monetário.

“Faz muito tempo que não vejo o mercado tão otimista quanto ao dólar. Muito desse otimismo, na minha opinião, é construído sobre areia, porque o Fed não foi tão duro como todo mundo parece pensar”, afirma Brooks, em relatório, ressaltando que o tombo recente do petróleo vai trazer a inflação para baixo nos próximos meses. “Não é um ambiente em que o Fed deva subir os juros. Estamos atualmente no pico do fortalecimento do dólar.”

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