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30 de janeiro de 2026

Em pregão volátil, dólar cai 0,25% e fecha baixo de R$ 5,20


Por Agência Estado Publicado 29/01/2026 às 18h39
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Após trocas de sinal e oscilação de mais de oito centavos entre a mínima (R$ 5,1659) e a máxima (R$ 5,2488), o dólar à vista fechou cotado a R$ 5,1936, em queda de 0,25%, acumulado perda de 1,75% na semana até o momento e de 5,38% em janeiro. Foi a primeira vez que a divisa fechou abaixo de R$ 5,20 desde 28 de maio de 2024.

Operadores ressaltam que, apesar de indicadores domésticos relevantes – como resultado primário do governo central e a geração de empregos medida pelo Caged de dezembro e em 2025 – os negócios no mercado de câmbio local foram ditados, uma vez mais, pela dinâmica global de moedas. As commodities voltaram a subir, com ganhos de quase 4% dos preços do petróleo com ameaças militares dos EUA ao Irã.

Depois de tocar R$ 5,16 pela manhã, o dólar até experimentou uma alta pontual no início da tarde, quando atingiu R$ 5,25, em meio a um aumento da aversão ao risco no exterior com tombo firme das bolsas em Nova York. Com a diminuição do estresse lá fora, a moeda americana voltou a recuar no exterior, o que se refletiu na taxa de câmbio doméstica.

Em ambiente favorável para divisas emergentes, o real tende a se sobressair no curto prazo pela atratividade do carry trade, apesar da sinalização de quarta do Comitê de Política Monetária (Copom) de início de ciclo de cortes de juros em março. Apostas de economistas se dividem, grosso modo, entre redução inicial de 25 ou 50 ponto porcentual.

Mesmo com o tom cauteloso de quarta do Federal Reserve, não está descartada a possibilidade de novos cortes de juros nos EUA neste ano, sobretudo após a troca de comando na instituição, com a substituição de Jerome Powell, cujo mandato termina em maio, por nome indicado pelo presidente americano Donald Trump.

Os estrategistas do Citi veem o real bem posicionado no curto prazo e mantêm, por ora, uma posição vendida em euro em relação à moeda brasileira. “Historicamente, o real tende a se valorizar antes do primeiro corte de juros, mas depois enfrenta problemas dependendo da extensão do ciclo”, afirmam os estrategistas do banco. “Com as eleições se aproximando na segunda metade do ano, também esperamos que a moeda enfrente um ambiente menos favorável”.

Para o superintendente da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, o enfraquecimento global do dólar é fruto de um movimento especulativo “exagerado”, amparado na perspectiva de enfraquecimento da atividade nos EUA com a política econômica e diplomática errática de Trump, além do risco de nova paralisação (shutdown) da máquina pública americana.

“Esse movimento de perda do dólar é um exagero, mesmo com o próprio Trump dizendo que a desvalorização da moeda não é uma preocupação. A atividade nos EUA segue resiliente”, afirma Chiumento, citando dados fortes das encomendas à indústria americana em novembro divulgados nesta quinta-feira, 29, no início da tarde.

Para o tesoureiro, a rodada recente de apreciação do real reflete o comportamento do mercado global de moedas e a rotatividade de carteiras de investimentos rumo a ativos emergentes, o que ajuda a explicar o forte fluxo de investimento estrangeiro para a bolsa doméstica.

“Não há nada doméstico que explique o desempenho do real. É puramente a fuga global do dólar. Mas podemos ver mais volatilidade por questões locais com o ciclo de corte da Selic, que pode começar com redução de 0,50 ponto porcentual, e o processo eleitoral”, afirma Chiumento.

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