Faturamento das plataformas de apostas acumula crescimento de 23% no ano, diz FecomercioSP
A participação das plataformas de apostas entre as atividades de maior expansão dentro do setor varejista, pelo menos em São Paulo, tem cada vez mais ganhado proporções cada relevantes. Só neste ano, de janeiro a junho, o segmento de apostas já acumula crescimento de faturamento da ordem de 23,1% sobre igual período em 2025.
Os dados são da Pesquisa Conjuntural do Setor de Serviços (PCSS), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Só em março, e em São Paulo, de acordo com o levantamento, a receita bruta das plataformas atingiu a expressiva cifra de 1,7 bilhão remontando um crescimento de 27,3% sobre montante de R$ 1,4 bilhão auferido no terceiro mês do ano passado.
Esse aumento da participação das plataformas de apostas online no segmento varejista -não só em São Paulo, mas em todo o País – se dá num momento em que o governo federal, através do Ministério do Esporte, tem ampliado a vigilância sobre estas plataformas.
Ainda, de acordo com a FecomercioSP, essa expansão de faturamento, que coloca as bets entre as maiores de atividades tradicionais do setor varejista, tem sido influenciado pela digitalização do consumo, pela consolidação do Pix como principal infraestrutura de pagamentos instantâneos e pela elevada recorrência no uso das plataformas em dispositivos móveis.
Por se tratar de uma atividade com forte capacidade de captura de renda e elevada escalabilidade, os serviços de aposta têm crescido mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador. Prova disso, de acordo com os técnicos da FecomercioSP, é a expansão da atividade em um contexto de desaceleração do consumo e mais restrição financeira entre as famílias, somadas aos juros elevados, ao crédito mais seletivo, à inadimplência e ao comprometimento da renda.
Diz a PCSS que parte do dinheiro disponível das famílias está sendo direcionado a plataformas de apostas, muitas vezes com a expectativa de complementação de receita ou obtenção de ganhos rápidos. De acordo com sondagem recente realizada pela FecomercioSP, um terço, ou 35% dos paulistanos, faz apostas em plataformas online com o objetivo de aumentar a renda doméstica.
Esse comportamento acaba produzindo efeitos sobre os segmentos dependentes do consumo discricionário, especialmente varejo, lazer, alimentação fora de casa, turismo e serviços pessoais, alterando gradualmente a dinâmica do consumo urbano.
Na avaliação da FecomercioSP, que acompanha o tema desde a regulamentação das plataformas no Brasil, é necessário um fortalecimento do debate sobre publicidade, proteção dos consumidores e preservação dos equilíbrios econômico e social, levando em conta, inclusive, o combate às plataformas clandestinas e as internacionais não autorizadas a operar no País.
