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24 de abril de 2026

Guerra no Irã faz preço de matérias-primas disparar ao maior nível desde a pandemia, diz CNI


Por Agência Estado Publicado 24/04/2026 às 12h55
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou nesta sexta-feira que a alta do petróleo e de outros insumos por conta da guerra no Oriente Médio levou o índice de evolução do preço médio das matérias-primas a disparar, de acordo com a Sondagem Industrial. O indicador saltou 10,8 pontos entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, passando de 55,3 pontos para 66,1 pontos.

A Sondagem Industrial ouviu 1.406 empresas – 588 pequenas, 477 médias e 341 grandes – entre 1º e 13 de abril 2026.

O levantamento mostra que o índice que mede a variação do preço das matérias-primas não ficava tão alto desde o segundo trimestre de 2022, quando o fluxo de comércio global ainda se recuperava dos efeitos da pandemia.

Os industriais demonstraram insatisfação com as condições financeiras das empresas, cujo índice caiu de 50,1 pontos no 4º trimestre de 2025 para 47,2 pontos no 1º trimestre de 2026.

Já o índice de satisfação com o lucro operacional caiu 2,6 pontos, para 41,9 pontos. Com isso, o indicador atingiu seu menor valor desde o 2º trimestre de 2020, quando registrou 37 pontos. À época, a indústria sofria os efeitos da pandemia.

O índice de acesso ao crédito, por sua vez, caiu 1,9 ponto, passando de 40,9 pontos, no 4º trimestre de 2025, para 39 pontos, no 1º trimestre de 2026, pior marca em três anos. O indicador permanece muito abaixo da linha de 50 pontos, revelando grande dificuldade de acesso ao crédito pelas empresas.

A elevada carga tributária continua liderando o ranking dos principais problemas enfrentados pela indústria. No 1º trimestre de 2026, o entrave foi apontado por 34,8% dos empresários, queda de 6,3 pontos porcentuais em relação ao 4º trimestre do ano passado.

“A maior preocupação dos empresários com a falta ou alto custo das matérias-primas reflete o que vem acontecendo no conflito no Oriente Médio, que vem aumentando os custos com petróleo e outros insumos importantes. Isso e os juros altos estão afetando o fôlego financeiro das empresas”, avalia Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI.

Resultados positivos para a produção e a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) em março ajudaram a melhorar as expectativas dos empresários para o setor nos próximos meses. Todos os índices de expectativas subiram em abril, exceto em relação ao número de empregados.

Na prática, os industriais esperam aumento da demanda por bens industriais, da compra de insumos e matérias-primas e das exportações, mas preveem estabilidade dos postos de trabalho.

O cenário externo incerto e os juros altos continuam segurando a intenção de investimento do setor, que caiu pelo quarto mês consecutivo. Em abril, o índice de intenção de investimento caiu 1,1 ponto, passando de 54,8 pontos para 53,7 pontos.

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