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30 de junho de 2026

Ibovespa cai 8,31% no 2T26, com cautela do investidor estrangeiro e fiscal


Por Agência Estado Publicado 30/06/2026 às 17h55
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A Bolsa brasileira, assim como na segunda, novamente não conseguiu acompanhar o desempenho positivo de Wall Street. O Ibovespa até amenizou a queda à tarde e recuperou o nível de 172 mil pontos, na esteira do alívio nos juros futuros, após o Caged de maio reforçar a tendência de desaceleração no mercado de trabalho.

Contudo, a ausência de fluxo estrangeiro e a cautela com o quadro fiscal impediram uma recuperação firme, levando o índice a registrar baixa de 0,68% nesta terça-feira, 30, e 0,73% no mês de junho – o quarto recuo mensal seguido -, reduzindo os ganhos do primeiro semestre para 6,76%.

Após máxima aos 173.204,72 pontos, com variação zero, o Ibovespa chegou a tocar os 170.538,48 pontos pela manhã, com recuo de 1,54%. Por fim, com giro financeiro de R$ 21,92 bilhões, o índice fechou aos 172.024,12 pontos, sem força de Petrobras, Vale e dos grandes bancos. No trimestre, apurou queda de 8,31%.

“A questão que mais pesa na Bolsa parece ser o fluxo estrangeiro. Há certa dificuldade de criar uma narrativa positiva para os ativos brasileiros, ao mesmo tempo em que o estrangeiro parece estar em compasso de espera”, afirma o especialista em renda variável da Manchester Investimentos, Felipe Cima.

No mês de junho até sexta-feira, 26, houve retirada de R$ 8,754 bilhões por parte de investidores estrangeiros. Ainda assim, no acumulado do ano, o fluxo de capital externo está positivo em R$ 32,879 bilhões.

O especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, nota que sem a retomada de capital estrangeiro e em meio às incertezas sobre a extensão do ciclo de cortes da Selic, o Ibovespa “encontra dificuldade para sustentar movimentos mais consistentes de alta, mesmo em um ambiente internacional mais favorável”.

Para Cima, o índice da B3 também reflete a piora no quadro fiscal – tema que deve fazer com que as eleições fiquem cada vez mais no centro do debate, acrescenta. “Há cautela com como serão as coisas daqui para frente”, avalia.

Nesta terça, o BC divulgou que o setor público consolidado (governo central, Estados, municípios e estatais, à exceção de Petrobras e Eletrobras) teve déficit primário de R$ 56,131 bilhões em maio, após superávit de R$ 24,624 bilhões em abril. O resultado veio pior do que a mediana do Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), de déficit de R$ 53,9 bilhões, e a XP destaca que o déficit primário e os juros levam a dívida pública para o maior nível desde 2021.

Quanto aos próximos passos para o juro básico, a criação líquida de 72.960 vagas em maio, abaixo da mediana do Projeções Broadcast de 120 mil novos postos, reverberou a expectativa de continuidade do ciclo de calibragem da taxa Selic, segundo o economista sênior do Inter, André Valério.

O Banco Inter inclusive antecipou à Broadcast seu relatório mensal de junho, em que continua vendo a taxa básica de juros alcançando os 13,25% ao ano em dezembro, com cortes de 0,25 ponto porcentual nas próximas quatro reuniões – embaladas pelo petróleo de volta a US$ 70 por barril, dólar abaixo de R$ 5,20 e El Niño com efeito mais concentrado em alimentos.

Também com impacto na inflação, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a destinação de R$ 872,1 milhões como “Bônus de Itaipu”, a ser distribuído aos consumidores elegíveis em agosto de 2026.

Como contraponto, a diretoria da Aneel aprovou uma alta média de 10,18% na conta de luz para consumidores da Enel São Paulo a partir de sábado, 4 de julho. O reajuste deve somar 0,05 ponto porcentual à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, calcula a Warren Investimentos.

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