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16 de abril de 2026

Orçamento do processo de calibração nunca foi discutido, diz Nilton David


Por Agência Estado Publicado 15/04/2026 às 19h23
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O diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta quarta-feira, 15, que o orçamento total para cortes da taxa Selic nunca esteve entre as discussões recentes do Comitê de Política Monetária (Copom).

A declaração foi feita por Nilton durante evento do JPMorgan, em Washington, em meio às reuniões de Primavera com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele havia sido questionado sobre até que ponto a Selic poderia chegar dentro do chamado processo de “calibragem” do juro, termo que vem sendo utilizado pelo BC para se referir ao atual ciclo.

“O orçamento da calibração nunca entrou na discussão”, disse o diretor do BC, reforçando que é muito difícil pensar nesse tipo de orçamento em meio a um cenário de elevada incerteza como o atual.

Nesse sentido, Nilton pontuou que, para além da taxa neutra estrutural e real de juro, hoje estimada em 5% pelo BC, existem outras “camadas” de ordem mais conjuntural. Por isso, ponderou, é preciso cautela ao determinar um nível de Selic em que a política monetária deixaria de ser ou não restritiva. “Essas camadas são extras. Por isso, não estamos rodando só um pouco acima de 5% de juro real. Estamos muito acima. E a razão é contemplar essas ondas de coisas. E essas coisas, a maioria já ficou para trás ou está ficando para trás”, detalhou.

Mercado de trabalho

Durante a sua palestra, o diretor reiterou a avaliação de que a atividade econômica está voltando a seu potencial, deixando para trás o pico dos estímulos ao consumo. Ele observou que, embora esteja mais apertado do que o ideal, o mercado de trabalho é o último a sofrer os efeitos dos juros altos.

Nesse ponto, Nilton ponderou que a maior escassez de mão de obra está mais concentrada no setor de construção, onde a taxa de juros média é diferente das demais atividades. Apesar disso, ao abordar os últimos dados de emprego, que vieram abaixo das expectativas de economistas, o diretor do BC pontuou que a autoridade monetária não toma decisões com base em um único dado.

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