Queda do petróleo e dos retornos dos Treasuries derruba taxas de juros
Os juros futuros fecharam em queda expressiva, respondendo ao recuo nos preços do petróleo, que também aliviou as curvas no exterior. As principais taxas chegavam ao fim da tarde desta quarta-feira, 24, em baixa de mais de 20 pontos-base, mas ainda acima da marca de 14%, mesmo com o dólar em alta e voltando a rodar no nível de R$ 5,20. Esse clima externo positivo marcou a espera pelo Relatório de Política Monetária (RPM), que sai amanhã e deve oferecer novos subsídios ao mercado para precificar a Selic.
No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 estava em 14,125%, ante 14,186% na terça no ajuste. O DI para janeiro de 2028 tinha taxa de 14,300% (mínima), de 14,566%, e o DI para janeiro de 2029, taxa de 14,355% (mínima), de 14,659%. A do DI para janeiro de 2031 cedia de 14,614% para 14,345%.
A agenda esvaziada do dia reforçou a influência do ambiente internacional sobre a curva. O tombo de quase 4% do petróleo levou o barril a patamares pré-guerra do Irã, com o tipo Brent, referência para a Petrobras, fechando na casa dos US$ 73. O movimento foi amparado pelo otimismo em relação à normalização do fluxo no Estreito de Ormuz, que aos poucos está liberando o tráfego de milhões de barris, o que significa aumento da oferta.
O desempenho da commodity também jogou para baixo a curva dos Treasuries e a europeia, uma vez que o choque do petróleo era uma das principais variáveis a pesar sobre o cenário inflacionário global. “O movimento não está circunscrito ao Brasil. É global”, comentou Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, destacando a queda forte da inflação implícita das Tips (papéis atrelados à inflação) americanas, que também se replica na curva das NTN-B no Brasil. Nos demais papéis dos EUA, o yield da T-Note de dez anos, considerada o ativo livre de risco, fechou cerca de 10 pontos-base.
Nos DIs, a taxa para janeiro de 2027, que capta as apostas do mercado para as reuniões do Copom este ano, ao encerrar em nnn%, nível mais baixo desde o último dia 29 de maio (14,09%). A precificação da curva para o Copom de agosto mostrava um mercado dividido sobre a Selic, com 14 pontos de queda, o que representa 56% de chance de redução de 25 pontos-base e 44% de manutenção no nível de 14,25%, em cálculos fornecidos pelo sócio e estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno. Para o fim do ano, a curva segue apontando alta, com Selic de 14,45%.
Se nesta quarta a agenda de indicadores esteve esvaziada, o calendário de quinta deve testar as expectativas do mercado, com a publicação do RPM, seguida das entrevistas coletivas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do diretor de Assuntos Internacionais e de Política Econômica, Paulo Picchetti. Haverá ainda divulgação do IPCA-15 de junho, para o qual a mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) é de 0,44%, menor do que os 0,62% de maio.
Rostagno, da EPS, diz não ter muita expectativa em relação ao esclarecimento dos pontos em aberto deixados pela ata e pelo comunicado, entre eles a queda abrupta da projeção de inflação na transição do horizonte relevante do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028. “Até agora, o tom dos documentos está desconexo com a decisão, com o BC parecendo tentar forçar a barra para cortar. Vamos ver se algo muda amanhã quinta-feira, 25”, disse.
