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20 de abril de 2026

Taxas curtas e médias sobem com alta do petróleo e maior tensão no Oriente Médio


Por Agência Estado Publicado 20/04/2026 às 18h06
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Os juros futuros de vencimentos curtos e intermediários exibiram alta modesta no pregão desta segunda-feira, 20, sob um jogo de forças entre o avanço das cotações do petróleo e o alívio do dólar, que passou a recuar levemente no meio da tarde. Diante da liquidez mais escassa, às vésperas do feriado de Tiradentes, as taxas reagiram à escalada do confronto entre Estados Unidos e Irã no fim de semana e, ainda, a versões conflitantes de cada um dos países sobre a continuidade das negociações de paz, a dois dias do fim do cessar-fogo em vigor.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 aumentou de 13,882% no ajuste anterior a 13,91%, mínima intradia. O DI para janeiro de 2029 oscilou a 13,15%, vindo de 13,141% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2031 anotou tímida queda a 13,24%, também em mínima intradia, vindo de 13,294% no ajuste precedente.

Após o aumento da aversão ao risco devido à volta do bloqueio iraniano ao fluxo de navegação no Estreito de Ormuz, agentes monitoraram com ceticismo declarações do presidente Donald Trump de que os EUA estão vencendo a guerra e de que um acordo com Teerã deve ser fechado com rapidez. Por outro lado, uma fonte do governo do Paquistão afirmou à Reuters que o país está confiante de que o Irã vai comparecer a uma nova rodada de diálogo com negociadores americanos.

As conversas devem ocorrer em Islamabad esta semana, mas nenhuma autoridade iraniana confirmou oficialmente até agora que o país participará das tratativas. Já Trump informou em entrevista nesta segunda-feira que uma delegação americana está a caminho do Paquistão. Com dúvidas sobre os próximos desdobramentos e o impasse sobre a situação no estreito – que, de acordo com o Irã, não será liberado até que os EUA retirem o bloqueio naval sobre o país persa -, os contratos futuros de petróleo subiram quase 6% hoje, pressionando as curvas de juros globais e o mercado de renda fixa brasileiro.

Economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel afirma que, na ausência de novidades relevantes no cenário doméstico, o ambiente externo segue como principal vetor sobre a curva de juros futuros local. O bom comportamento do câmbio moderou os prêmios nos trechos mais longos e reduziu a alta dos demais vértices, observa Sichel, mas os vencimentos curtos e médios seguiram reagindo ao noticiário da guerra, ao mesmo tempo em que perspectivas para o ciclo de corte de juros continuam em ajuste.

“O mercado está menos sensível aos ‘headlines’ de autoridades, sejam elas americanas ou iranianas. O mais importante é entender se e quando vai acontecer uma nova rodada de negociações no Paquistão”, apontou o economista. “A notícia de que o Paquistão está confiante sobre a nova rodada dá sustentação à ideia de que essa crise pode ser superada relativamente rápido”, avaliou.

Para a Macquarie Capital, a atual trégua entre EUA e Irã, que se encerra nesta quarta-feira, pode ser estendida por mais uma ou duas semanas. Um acordo de paz completo, no entanto, “levará muito mais tempo”, afirma a instituição em relatório, com base em precedentes históricos de outros processos de negociação. “Enquanto isso, os preços do petróleo bruto permanecerão altos”, dizem os estrategistas globais de câmbio e juros da casa.

Por aqui, o boletim Focus trouxe nova rodada de deterioração das expectativas inflacionárias e revisão para cima da taxa Selic projetada para o final do ano. A estimativa para a alta do IPCA em 2026 avançou de 4,71% a 4,80%, se distanciando mais, portanto, do teto da meta, de 4,50%. A previsão para 2027 passou de 3,91% a 3,99%, e as projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 3,60% e 3,50%, pela ordem. Já a mediana para o juro ao fim de 2026 aumentou a 13%, de 12,5% na semana anterior.

Para Sichel, da Porto Asset, o Focus pode ter contribuído para a abertura das taxas futuras mais curtas hoje, mas a maior influência sobre a curva ainda é o petróleo mais elevado. Levando em conta a inflação mais pressionada, o Banco Central precisa ser mais cauteloso na condução da política monetária, diz ele. No cenário da gestora, a Selic encerrará o ano em 13,5%.

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