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14 de maio de 2026

Taxas de juros futuras corrigem parte do estresse de ontem com alívio no cenário externo


Por Agência Estado Publicado 14/05/2026 às 18h15
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Após o estresse gerado pelo “Flávio Day 2.0” na quarta-feira, quando vencimentos intermediários e longos chegaram a disparar mais de 30 pontos-base, com a notícia de que o presidenciável tinha proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro e pediu dinheiro ao dono do Master, os juros futuros exibiram tendência de acomodação ao longo desta quinta-feira, 14.

Num cenário em que a ausência de novidades sobre a guerra no Oriente Médio pode ser considerada uma boa notícia, as taxas não chegaram a devolver a disparada da quarta-feira, mas operaram em baixa. O suporte veio principalmente do cenário externo, com relativa estabilidade das cotações do petróleo, ainda que em patamares acima de US$ 100. O barril do Brent para julho, que serve de referência para a Petrobras, fechou em alta marginal de 0,09%, a US$ 105,72.

O encontro aparentemente bem-sucedido entre o presidente Donald Trump e seu colega chinês, Xi Jinping, em Pequim, foi monitorado e ajudou a moderar as curvas de juros globais, beneficiando também o mercado local de renda fixa. Ambos concordaram que o Irã “jamais poderá ter uma arma nuclear”.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 14,21% no ajuste de quarta a 14,19%. O DI para janeiro de 2029 encerrou negociado a 13,99%, vindo de 14,054% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 arrefeceu de 14,115% a 14,075%.

Gestor de portfólio da Connex Capital, Gean Lima observa que, na sessão desta quinta, as taxas devolveram aproximadamente um terço da elevação exibida na véspera; ou seja, ainda há prêmio nelas. “O cenário global está mais calmo e seguimos um pouco desse movimento aqui, mas ainda é cedo para dar um ‘downplay’ no evento com o Flávio”, diz Lima, referindo-se à notícia do Intercept Brasil, que divulgou diversos trechos de conversas entre o filho de Jair Bolsonaro e Vorcaro.

Em sua visão, o saldo de alta entre a sessão de quarta e a desta quinta se deve ao risco eleitoral. Dois cenários são possíveis daqui para frente, em sua avaliação. No primeiro, se de fato houver perda de força de sua candidatura, o senador poderia desistir da corrida presidencial e apoiar outro candidato de direita com maior competitividade. Na segunda hipótese, mais negativa para os ativos domésticos, Flávio seguiria no páreo, o que aumentaria a chance de um quadro em que não há transição de governo em 2027 e no qual, portanto, a política fiscal seguiria expansionista.

“A história da eleição estava meio apagada, parecia que era algo muito distante e agora, faltando quatro meses para o pleito, deve entrar mais nos preços daqui em diante”, avalia o profissional de renda fixa.

Lá fora, Trump afirmou que Xi, após ter se encontrado com ele, ofereceu ajuda nas negociações envolvendo o Irã e demonstrou interesse em um acordo para reduzir tensões no Oriente Médio. O líder chinês, de acordo com o republicano, deseja a manutenção da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. “Mas ao mesmo tempo, eles compram muito do petróleo deles lá, e gostariam de continuar fazendo isso”, acrescentou o presidente dos EUA.

Em relatório, Andrea Damico, fundadora e economista-chefe da consultoria BuysideBrazil, observa que a China é o maior importador mundial de petróleo e gás, enquanto os EUA são o maior produtor, mas o comércio entre os dois países foi interrompido em 2025 devido às tarifas impostas por Pequim em retaliação às medidas de Trump. Na cúpula, Xi expressou interesse em comprar mais petróleo dos EUA para reduzir a dependência de Ormuz no futuro.

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