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26 de junho de 2026

Taxas de juros recuam em linha com perdas do petróleo, acumulando queda também na semana


Por Agência Estado Publicado 26/06/2026 às 18h13
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Os juros futuros caíram nesta sexta-feira, 26, embalados pelo recuo do petróleo que, por sua vez, tem alimentado a ideia de alívio no cenário inflacionário global, e pelo rescaldo da surpresa com o IPCA-15 de junho na quinta. A trajetória fortemente baixista da commodity nos últimos dias e o reforço nas apostas de queda da Selic resultaram em queda relevante das taxas no cômputo semanal, com perda de inclinação da curva.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caía de 14,091% quinta no ajuste para 14,050%, nível mais baixo desde 25/5/2026 (14,025%). A taxa do DI para janeiro de 2028 cedeu para 14,180%, de 14,246%. A do DI para janeiro de 2029 estava em 14,255%, de 14,339%. E a do DI para janeiro de 2031 recuou de 14,396% para 14,370%. Na semana, a ponta curta acumulou queda em torno de 20 pontos-base, enquanto os longos caíam cerca de 50 pontos.

O ambiente externo ditou o rumo das taxas desde a primeira etapa do pregão, sobrepondo-se à agenda doméstica, que trouxe, na Pnad Contínua, estabilidade da taxa de desemprego no trimestre até maio, em 5,6%, coincidindo com a mediana apurada na pesquisa do Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo rela do Grupo Estado).

Os preços do petróleo apuraram perda de quase 10% na semana, com o tipo Brent fechando essa sexta na casa dos US$ 72, em patamar pré-guerra do Irã. “A cotação está caindo para níveis que a gente não previa mesmo com o alívio da guerra, a despeito dos ruídos que estão vindo da região. Há a percepção de que o Estreito vai continuar aberto e com fluxo em progressão”, avalia o economista-chefe da Nomos Investimentos, Beto Saadia.

Entre os ruídos mencionados estão os ataques de drones pelo Irã a navios que atravessavam Ormuz, classificados pelo presidente dos EUA, Donald Trump, como “violação imprudente do nosso acordo de cessar-fogo”.

“Aparentemente o fluxo do Estreito está normalizando e o receio agora foi para a outra ponta, com a AIE prevendo excesso de oferta em 2027. Tenho zero convicção se o petróleo segue em queda ou se o mercado exagerou. Mas também não vou brigar com o preço, prefiro assumir que o mercado está certo. Se estiver, o mercado de juros está olhando o retrovisor”, avalia Rafael Ihara, economista da Meraki Capital.

Ao retroceder a preços pré-guerra, o petróleo ajuda a melhorar o humor do mercado após os ruídos de comunicação do Banco Central, estimulando as apostas de redução da Selic em agosto. O movimento ganhou força na quinta com o IPCA-15 de junho aquém da mediana das estimativas, com núcleos e serviços subjacentes aparentemente tendo feito pico, diz Ihara, acrescentando que a Pnad desta sexta, apesar do desemprego em linha, mostrou as métricas de rendimento também no pico.

“Naturalmente, vale fazer o disclaimer que é apenas um mês para cada indicador, mas já dá algum alívio na margem”, afirma o economista da Meraki, para quem o próximo Boletim Focus já pode mostrar estabilidade, ou até leve queda, nas medianas de inflação. “Ou seja, acabaram as revisões altistas por enquanto”, comenta.

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