Nós usamos cookies para melhorar a sua experiência em nosso site, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Ao acessar nosso portal, você concorda com o uso dessa tecnologia. Saiba mais em nossa Política de Privacidade.

18 de junho de 2026

Taxas de juros sobem em reação a comunicado do Copom, na contramão do alívio externo


Por Agência Estado Publicado 18/06/2026 às 18h05
Ouvir: 00:00

Os juros futuros fecharam a sessão em alta firme, com mais força nos contratos de longo prazo, com a curva ganhando inclinação neste “day after” do Copom. A sinalização foi lida como dovish ao deixar, na avaliação de boa parte do mercado, a porta aberta para novos cortes da Selic. O desenho da curva local contrastou com as quedas nos rendimentos dos Treasuries e do petróleo.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caía de 14,302% para 14,235% e a do DI para janeiro de 2028 subia a 14,700%, de 14,562%. O DI para janeiro de 2029 projetava taxa de 14,765% (de 14,594%) e o DI para janeiro de 2031 tinha taxa de 14,690%, ante 14,486% de quarta.

A repercussão do Copom preponderou como fator central para moldar o desenho da curva desde a abertura. As taxas a partir de 2029 abriram cerca de 20 pontos-base, refletindo o ceticismo do mercado sobre a convergência da inflação para a meta de 3%. Entre os principais vértices, apenas o DI para janeiro de 2027 mostrava queda, vista como um ajuste, dado que a curva precificava até ontem alguma chance de manutenção da taxa, aposta esta que teve de ser corrigida. “As taxas estão subindo pela leitura de que o Copom está cometendo um erro na política monetária e terá de corrigir isso mais adiante”, resume um profissional.

O comunicado foi polêmico, especialmente no parágrafo em que afirma que a trajetória necessária para assegurar a convergência da inflação, no atual horizonte relevante (4º trimestre de 2027), traria a inflação projetada a partir do horizonte relevante vigente na próxima reunião (1º trimestre de 2028) para baixo da meta. Com isso, o Copom vê como menos danosas aos “agregados macroeconômicos” trajetórias alternativas garantindo a convergência da inflação à meta no primeiro trimestre de 2028.

Ainda que não tenha trazido um guidance explícito, a impressão do mercado é de que alongar o horizonte relevante da inflação de forma antecipada foi um artifício para viabilizar o corte da Selic e deixar em aberto a continuidade do ciclo de calibragem, apesar da forte desancoragem das expectativas e dos estímulos fiscais à atividade.

Para Ariane Benedito, economista-chefe do PicPay, este é o ponto mais crítico do comunicado. “Ao indicar que ‘diferentes trajetórias de juros’ são compatíveis com a convergência da inflação à meta, e que projeções a partir do novo horizonte poderiam situar-se abaixo da meta, o Copom comunica que a régua para a interrupção do ciclo segue elevada, mas que a velocidade de chegada lá pode ser menor do que o mercado precificava”, avalia. “Num ambiente de expectativas já desancoradas, essa leitura tende a adicionar prêmio”, completa.

“Ao esticar o horizonte relevante, o BC passa a ideia da possibilidade de aceitar que a inflação ficará acima da meta”, observa o economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel, que mantém por ora a expectativa de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto e taxa encerrando 2026 em 13,75%. “Ficaram muitas dúvidas e os diretores terão duas oportunidades para se explicar na próxima semana”, acrescenta, referindo-se à divulgação da ata do Copom na terça-feira (23) e à entrevista coletiva sobre o Relatório de Política Monetária (RPM), na quinta (26).

Na pesquisa Projeções Broadcast, entre 27 casas consultadas, 18 apostam em nova queda de 25 pontos da taxa básica em agosto e 9 preveem estabilidade. Para o fim de 2026, a mediana aponta nível de 14,00%. Na curva a termo, o cenário é mais conservador. Para a próxima reunião, a curva precificava, perto das 16h30, 33% de chance de queda de 25 pontos e 67% de probabilidade de manutenção, com Selic a 14,38% no fim do ano. Ou seja, há apostas de aperto ao longo do segundo semestre.

Pauta do Leitor

Aconteceu algo e quer compartilhar?
Envie para nós!

WhatsApp da Redação

Comentar

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

FMI: choque energético testa orçamentos globais; políticas fiscais podem provocar turbulência

Publicado 18/06/2026 às 18h08

O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que, diante do choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio, governos estão…


O Fundo Monetário Internacional (FMI) avalia que, diante do choque de energia provocado pela guerra no Oriente Médio, governos estão…

Economia

Dólar dispara e fecha a R$ 5,1752 após Fed e Copom

Publicado 18/06/2026 às 17h48

O dólar disparou no mercado local nesta quinta-feira, 18, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior, com a incorporação…


O dólar disparou no mercado local nesta quinta-feira, 18, alinhado ao comportamento da moeda americana no exterior, com a incorporação…

Economia

Ibovespa destoa de NY e cai sob receio com Copom e demanda por ações de IA

Publicado 18/06/2026 às 17h42

O Ibovespa operou lateralizado e aquém da alta vista em Wall Street, pressionado pela falta de clareza em relação às…


O Ibovespa operou lateralizado e aquém da alta vista em Wall Street, pressionado pela falta de clareza em relação às…