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03 de junho de 2026

Taxas de juros têm forte alta após mercado começar a questionar cortes na Selic este ano


Por Agência Estado Publicado 03/06/2026 às 18h13
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Sob um pano de fundo de continuidade de revisões para cima nas estimativas para a Selic e de aversão ao risco vinda do exterior devido à nova escalada do conflito no Oriente Médio, fatores técnicos também pesaram sobre o mercado local de juros futuros, que renovaram máximas intradia ao longo do pregão desta quarta-feira, 03.

Segundo agentes ouvidos pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), players desmontaram posições aplicadas, ou seja, que apostam na queda das taxas, diante da perspectiva de que há menos espaço – ou nenhum – para a continuidade do ciclo de calibração da Selic. A zeragem de estratégias contribuiu para realçar ainda mais a tendência de alta dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DIs), que saltaram às máximas do ano, com os vértices longos abrindo mais de 30 pontos-base.

Terminados os negócios, a taxa do DI para janeiro de 2027 saltou de 14,168% no ajuste de terça-feira a 14,275%. O DI para janeiro de 2029 avançou a 14,375%, vindo de 14,053% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 disparou de 14,063% no ajuste a 14,345%.

Estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, Luis Felipe Vital avalia que não houve um gatilho específico para o fôlego adicional dos DIs no meio da tarde, em um dia já bastante negativo desde a abertura dos negócios para o mercado local de renda fixa.

Vital observa que a onda de revisões altistas para o juro básico observada na terça e nesta quarta e as violações do cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã, que pressionaram as cotações do petróleo, já fizeram as curvas de juros globais e locais abrirem em elevação. Para piorar, o leilão de títulos prefixados do Tesouro Nacional conferiu impulso adicional aos DIs, acrescentou.

Antecipado para esta quarta devido ao feriado de Corpus Christi nesta quinta-feira, o certame do Tesouro Nacional ofertou 8,75 milhões de Letras do Tesouro Nacional (LTN), das quais 4,66 milhões foram absorvidas pelo mercado. Já o lote de 2,25 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F) foi colocado integralmente.

“O leilão foi abaixo da média e o Tesouro, conservador. Mas com o mercado tão negativo, essa oferta contribuiu para piorar o mercado”, avaliou o estrategista da Warren.

Para um gestor da mesa de títulos públicos de uma grande corretora, que conversou com a Broadcast sob anonimato, o maior vetor de alta para os juros futuros na sessão de hoje e de terça, aliado ao contexto desafiador para o Banco Central, foi técnico. “Diria que é 80% técnico. Houve ‘stop’ de posições que se beneficiavam de um Copom Comitê de Política Monetária em movimento de flexibilização”, apontou.

De fato, enquanto mais casas migram suas projeções para taxa terminal da Selic em 2026 a 14% ou mais, as apostas na curva futura mostram agora o mercado dividido entre chance de redução de 0,25 ponto da Selic este mês ou manutenção da taxa nos atuais 14,50%.

A curva de juros a termo mostrava no meio desta tarde 50% de chance de um corte de 25 pontos-base e 50% de chance de Selic estável no Copom de junho, segundo cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco Bmg. Na terça, a curva apontava 70% de probabilidade de corte e 30% de manutenção do juro. Para o fim de 2026, a Selic apontada pela curva subiu de 14,25% na terça-feira para 14,40% nesta quarta. “Por enquanto, ainda não pensei em mudar minha projeção, mas precisamos ver a comunicação do BC em junho”, observou Serrano.

Em revisão divulgada nesta quarta, o economista-chefe para Brasil do Barclays, Roberto Secemski, afirma que “o BC pode ser forçado a interromper seu ciclo de calibragem mais cedo do que tarde caso a piora recente nas métricas subjacentes de inflação continue, enquanto os efeitos diretos do conflito no Oriente Médio ainda se desdobram”. Secemski, agora, espera que a Selic termine 2026 em 14%, de 13,50% anteriormente.

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