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09 de janeiro de 2026

Béla Tarr, diretor de ‘Sátántangó’, morre aos 70 anos


Por Agência Estado Publicado 06/01/2026 às 15h10
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Béla Tarr, renomado cineasta húngaro, morreu nesta terça-feira, aos 70 anos. A Associação de Artistas de Cinema da Hungria informou que o artista sofria de uma “longa e grave doença”.

“Lamentamos profundamente a perda de um diretor excepcional e uma personalidade com forte voz política, que não só era muito respeitado pelos seus colegas, como também era aclamado pelo público em todo o mundo. A família enlutada pede a compreensão da imprensa e do público e que não seja solicitada a fazer declarações nestes dias difíceis”, diz o comunicado divulgado pela Academia Europeia de Cinema.

O épico Sátántangó (1994), longa em preto e branco de mais de sete horas de duração, é sua obra mais popular entre os nove longas-metragens que lançou.

O filme é baseado no livro de mesmo nome, trabalho de estreia do escritor húngaro László Krasznahorkai, lançado originalmente em 1985. No Brasil, o romance chegou em 2022. Krasznahorkai, que foi parceiro de Taar em outras produções, como A Harmonia Werckmeister, de 2000, venceu o Prêmio Nobel de Literatura de 2025.

Maldição, de 1988, foi outro destaque da filmografia de Tarr – e o que chamou a atenção do circuito mundial de cinema.

Nascido em 1955 na cidade de Pécs, no sul da Hungria, Tarr lançou seu primeiro filme Ninho Familiar, em 1979, aos 23 anos. A produção trouxe atores ainda amadores, o que imprimiu realismo aos diálogos. A produção foi vencedora do Grande Prêmio no Festival Internacional de Cinema de Mannheim-Heidelberg.

O estilo de Tarr, com longos planos sequências e sua preferência por paisagens tristes, influenciaram cineastas como Gus Van Sant e Jim Jarmusch. A obra do cineasta também era política, com retratos do comunismo e do socialismo e com críticas ao nacionalismo e a políticos populistas.

Tarr se despediu da carreira com O Cavalo de Turim, lançado 2011. O longa, inspirado por reflexões do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, venceu o Grande Prêmio do Júri (Urso de Prata) no Festival Internacional de Cinema de Berlim naquele ano.

Depois de se aposentar das telas, o cineasta se mudou para Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina, onde fundou uma escola de cinema, a film.factory, com a qual produziu inúmeros filmes de seus alunos.

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