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31 de março de 2026

Bienal de Arquitetura Brasileira, no Ibirapuera, é passeio por ambientes inspirados em biomas


Por Agência Estado Publicado 31/03/2026 às 09h23
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O nome Bienal de Arquitetura Brasileira carrega um peso histórico e simbólico difícil de ignorar. Ele remete de imediato às grandes bienais que discutem urbanismo, projeto e teoria arquitetônica.

Aberta na última semana, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, a edição inaugural da mostra promete oferecer um olhar diferente sobre o morar no Brasil, inspirado nos biomas que moldam nosso território.

Mas é bom esclarecer: não se trata de uma mostra de arquitetura nos moldes tradicionais. O que o visitante vai encontrar são interiores e espaços expositivos. O contraste, talvez, fique evidente porque o maior ícone arquitetônico presente é justamente o prédio que abriga a mostra, projetado por Oscar Niemeyer. A arquitetura está ali, firme e forte, mas como cenário, não como objeto de discussão.

A distinção é necessária. Apesar de evocar o nome da disciplina, o que se vê na Bienal são ambientes criados para representar modos de vida, com a saudável intenção de aproximar o público da arquitetura. O resultado, porém, é outro: não se trata de debater questões arquitetônicas, mas de oferecer espaços pensados para encantar e comunicar.

Inspiração em biomas brasileiros

E, nesse sentido, a iniciativa, por certo, tem seus méritos. São 28 pavilhões organizados a partir dos biomas brasileiros, que cumprem bem o papel de mostrar como a arquitetura de interiores é praticada hoje no país. De quebra, a mostra revela novos profissionais de diferentes regiões e apresenta uma variedade de técnicas construtivas e acabamentos aplicados de forma criativa em todo o território nacional.

“Apostamos em um discurso acessível, que tenta mostrar que a arquitetura está em tudo”, diz Raphael Tristão, um dos curadores da Bienal. Ele destaca o desenho da montagem, pensado para evidenciar diferentes sensibilidades regionais. “O percurso convida o visitante a refletir sobre como habitamos e como nossos modos de vida se relacionam com nosso território”, conclui.

Conheça alguns ambientes e seus biomas:

Amazônia

Aqui, a madeira e a vegetação abundante dão o tom. Um dos destaques é a Casa Empate, criada pela arquiteta acreana Marlúcia Cândida com apoio de Marcelo Rosenbaum. O projeto homenageia as mulheres seringueiras que participaram dos “empates” – movimentos de resistência pacífica contra o desmatamento nos anos 1970 e 1980. O resultado é um espaço que mistura tradição, memória e força simbólica.

Cerrado

No Cerrado, predominam as cores terrosas e soluções simples, que remetem à rusticidade típica do bioma. Representando Minas Gerais, a arquiteta Marina Reis apresenta a Casa Adélia Prado, inspirada na obra da poetisa. O projeto traduz a delicadeza do cotidiano, a força do silêncio e a beleza do que é vivido todos os dias. Como diz a arquiteta, “o extraordinário mora no ordinário”.

Caatinga

Os cenários áridos da Caatinga aparecem com texturas secas e técnicas locais que evocam adaptação ao clima. A Casa Trussardi, do estúdio Vida de Vila, traz o uso do Taipal, revestimento que remete à taipa. É um retorno da terra a aplicações mais refinadas, combinando controle térmico, desempenho e responsabilidade ambiental.

Mata Atlântica

Ambientes exuberantes, que vão da praia à cidade, marcam o bioma da Mata Atlântica. O projeto Tão paulista quanto a Avenida, do escritório Os Gêmeos, representa São Paulo e propõe uma experiência sensorial onde natureza, cultura e arquitetura se encontram. Mais do que referências visuais, o espaço sugere uma forma de habitar conectada ao território.

Pampa

No Pampa, o destaque vai para os modos de viver a paisagem sulista, com materialidade terrosa e tradições locais como eixo central. O projeto Querência Amada, assinado pelo Matte Arquitetura e pelo Studio Carbono, de Bento Gonçalves (RS), recria modos de viver das cidades gaúchas e coloca a cozinha como núcleo do espaço – um convite à convivência e à memória afetiva.

Bienal de Arquitetura Brasileira 2026

– Quando: 25 de março a 30 de abril de 2026, das 12h às 21h.

– Onde: Parque Ibirapuera, Pavilhão das Culturas Brasileiras, São Paulo.

Ingressos: R$ 100 (inteira) aos finais de semana e R$ 80 (inteira) durante a semana.

Vendas realizadas exclusivamente pelo site oficial da Bienal.

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