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01 de junho de 2026

‘Golpe Explosivo’ tem excesso de reviravoltas


Por Agência Estado Publicado 01/06/2026 às 08h00
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O thriller de tensão tem uma fórmula clara e bem-sucedida: coloque personagens competentes em situações impossíveis e deixe o relógio correr. É o que fizeram Velocidade Máxima, Fogo Contra Fogo e, em certa medida, toda a tradição dos filmes de assalto britânicos desde Roubo ao Banco da Inglaterra. Agora, Golpe Explosivo, dirigido por David Mackenzie, o mesmo de A Qualquer Custo, entende essa gramática e começa como se fosse dominá-la para, depois, tropeçar nas próprias ambições.

O filme começa sem pestanejar: uma bomba não detonada da Segunda Guerra é descoberta no centro de Londres. Enquanto o esquadrão antibomba do exército britânico, liderado por Aaron Taylor-Johnson (Extermínio: A Evolução), evacua a região e tenta desarmar o dispositivo contra o tempo, um bando de assaltantes aproveita o caos para invadir o cofre de um banco próximo.

Tudo isso começa sem apresentações, sem histórico, sem apresentar os personagens. O público vai conhecendo esses detalhes depois, já no meio do caos. O primeiro ato funciona com precisão cirúrgica.

Mackenzie sabe conduzir tensão e há uma crueza nos procedimentos do esquadrão, uma sensação de peso real nas decisões tomadas em segundos.

O elenco, que inclui Theo James (O Macaco), Sam Worthington (Avatar) e Gugu Mbatha-Raw (Loki), veste bem seus papéis sem precisar recorrer a exageros. Por um momento, parece que o filme vai conseguir o que poucos do gênero conseguem: ser ao mesmo tempo inteligente e visceral; verdadeiro e desesperador.

Cansaço

O problema é que Golpe Explosivo não confia nas próprias possibilidades. Conforme a narrativa avança, a confiança na tensão orgânica vai cedendo espaço para uma série de reviravoltas que, em vez de surpreender, cansam.

O grande twist – e há um, anunciado com néon desde os primeiros minutos – chega sem o impacto prometido. É a armadilha clássica de roteiros que constroem tudo em função de um momento que deveria ser a cereja e acaba sendo apenas o fim do sorvete. É como se todos os bons momentos fossem rifados por um único, e óbvio, plot twist.

Há, porém, méritos que não devem ser ignorados. Mackenzie tem disciplina visual e o filme raramente parece inflado ou ansioso demais. Tem ritmo, assim como as ambientações criam um contraste geográfico que funciona como metáfora dramática. Em seus melhores momentos, Golpe Explosivo lembra que o cinema de gênero bem executado não precisa de superpoderes nem de universos compartilhados para entreter.

O filme tampouco é um desastre. Está longe dos thrillers genéricos produzidos em série por plataformas de streaming, que confundem velocidade com urgência.

Há artesanato aqui, há intenção. Mas o roteiro cobra um preço caro demais pela aposta no final: sacrifica a credibilidade emocional acumulada, em nome de um golpe narrativo que não sai como planejado – ironia involuntária, talvez, para um filme cujo título promete exatamente isso.

Golpe Explosivo é, no fim, um thriller correto que queria ser extraordinário. Tem a bomba, tem o elenco, tem o diretor certo. Faltou confiar que a premissa, por si só, já era explosiva o suficiente.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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