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04 de abril de 2026

Marcinho e Aninha


Por Victor Simião Publicado 06/08/2020 às 13h11 Atualizado 25/02/2023 às 02h22
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Aos meus três leitores, um pedido: não se apressem. Embora no início pareçam confusas, as duas histórias abaixo vão se conectar ao longo da crônica. Nesta semana, me lembrei do que aqui registro após uma situação bem triste ter acontecido comigo. Talvez valha a pena contar ao final. Talvez. Antes, vamos aos fatos.

Parece piada, mas não é. Tempos atrás, em Maringá, Marcinho chamou a polícia após ter sido roubado. Ao chegar ao local, os agentes do estado levantaram informações sobre a vítima. Foi quando descobriram que ele estava cumprindo pena em regime semiaberto (!), tinha contra si outro mandado de prisão (!!) e – o pior dos crimes – tatuara na barriga os dizeres ‘Eu amei te ver’ (!!!). Marcinho não conseguiu recuperar sua moto levada. Como recompensa, por outro lado, foi escoltado com pompas e fuzis no caminho de volta. De volta ao sistema prisional.

Mais ou menos na mesma época – também em Maringá –  Aninha, uma conhecida, passou por uma situação estranha. Infeliz no relacionamento, queria se acertar com o parceiro dela. Ele, ao que tudo indica também não satisfeito, deu um perdido. Viajou dizendo que iria cuidar de um parente que estava com problemas psicológicos causados durante a pandemia. Enquanto esteve na cidade do familiar, conversou pouco com Aninha. Ao ser consultado por ela sobre o motivo do silêncio, disse-lhe que “não estava com o celular na mão, só isso,” e que “não estou no meu habitat natural”. Jogo jogado, vida que segue, Aninha pensou.

Ao retornar a Maringá, o parceiro não quis se encontrar com a parceira. Ela, toda paciente – Deus, como consegue? – não insistiu. Dentro de si, repetiu o mantra raça-negrístico “Não deixe o tempo acabar com o nosso amor/Eu faço tudo e o impossível e você não dá valor”. O que aconteceu a seguir foi surreal: uma amiga viu o garotão de Aninha no Tinder. Isso, no aplicativo conhecido como açougue do sexo. Todo bonito na foto: sorrisão, touca azul e óculos escuro – nada parecido com quem ele vinha sendo com ela, alguém que vivia repetindo ser impossível dar risada após cinco meses de isolamento.

Meio sem chão – “Todos os homens são lixos!” -, Aninha decidiu terminar. Com razão. O agora ex-parceiro tentou se justificar dizendo que baixara o aplicativo na outra cidade só por baixar, que estava entediado, mas que não se encontrara com ninguém. Claro, claro: sabemos.

“Todo bonito na foto: sorrisão, touca azul e óculos escuro – nada parecido com quem ele vinha sendo com ela, alguém que vivia repetindo ser impossível dar risada após cinco meses de isolamento”, escreve Victor Simião (Foto: Tinder/Reprodução)

Aqui, as histórias se unem – eu não disse que isso aconteceria? Tanto Marcinho quanto Aninha me procuraram para pedir conselhos. Inspirado em Salomão, o devasso, refleti em busca da sapiência. Não sendo filho de Davi e nem tendo Messias no nome, não obtive nenhuma luz especial e nem propaguei o uso da cloroquina, mas dei um jeito e os apresentei. Para que conversassem. Achei que cada um veria que o problema pessoal não era tão ruim assim.

O encontro na cadeia durou uma hora. Ao final, Aninha disse que preferia estar presa a ter de passar pela decepção amorosa, descobrindo que o parceiro estava usando o aplicativo porque, palavras dele, “estava de saco cheio”. Claro, claro: sabemos.  

– Meu ex-companheiro pediu para que eu terminasse o namoro em que estava antes só para ficar com ele. Também repetiu nunca ter conhecido ninguém igual a mim, que só comigo teve vontade de ter um filho. Mas olha só: viajou por alguns dias e já baixou o Tinder. E tudo isso dentro do Brasil. Tivesse ido para o estrangeiro, certeza que se casaria e teria outra família, o egoísta!

Marcinho, eu imaginei, iria me dizer que preferiria ter sabido que uma de suas minas estava no aplicativo do amor carnal em vez de ter sido descoberto ao chamar a polícia. Ledo engano.

– Simi – ele se refere a mim dessa forma, devido ao meu sobrenome – sou ladrão, sim, mas, na questão do amor, eu não levo nada de ninguém. Enganar o outro é enganar a si próprio.

Pensei em perguntar sobre como ele via o fato de roubar a casa de outras pessoas, mas me calei porque Marcinho tem altas habilidades com faca e revólver. 

Agora, Marcinho e Aninha estão namorando. Embora o preso tenha me dito sobre não enganar o outro, minha conhecida tem lá suas dúvidas. Na cadeia, com celular, ele às vezes não responde as mensagens dela. Marcinho ainda não foi descoberto no Tinder, segundo Aninha, mas já falou que não consegue ficar o tempo todo no WhatsApp: “não estou em meu habitat natural”. O que a tranquiliza um pouco é o fato de que ele não deve viajar pelos próximos dois anos.

Quanto ao que aconteceu comigo, ah!, deixo para outro momento. Não vale a pena roubar o protagonismo de Aninha e principalmente do Marcinho nesta história, muito por conta das habilidades dele. Claro, claro: sabemos.

***

Victor Simião, 26 anos. É jornalista. O cronista está no Twitter e no Instagram. Ele também assina a coluna “Biblioteca CBN“, na rádio CBN Maringá.

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