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05 de abril de 2026

Rafa Brites relata episódios de assédio e conta o que fez para se livrar da situação


Por Agência Estado Publicado 05/02/2026 às 15h39
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Rafa Brites usou as redes sociais para relatar situações de assédio, abuso de poder e violência que afirma ter vivido desde a adolescência. Em um vídeo publicado em seu perfil no Instagram, a apresentadora contou episódios ocorridos em festas, boates e encontros e afirmou que, em diferentes momentos, homens tentaram impor comportamentos, consumo de bebidas e drogas e até restringir sua liberdade.

No relato, Rafa disse que algumas dessas situações só não tiveram consequências mais graves porque ela recebeu orientação familiar e desenvolveu, desde cedo, uma estrutura emocional que a ajudou a reagir.

A comunicadora também fez um alerta sobre como o poder financeiro pode ser usado como ferramenta de intimidação e silenciamento, contribuindo para que crimes permaneçam impunes.

Droga colocada na boca na adolescência

Entre os episódios citados, Rafa afirmou que tinha entre 14 e 15 anos quando um homem colocou uma droga em sua boca durante uma confraternização na praia.

“Quando eu tinha 14 para 15 anos, eu estava no final de tarde na praia, dançando, era tipo uma festinha assim, estava com as minhas amigas, chegou um cara de uma família de Curitiba muito rica, bilionária, milionária, sei lá, e falou abre a boca e me colocou um êxtase dentro da boca e eu peguei, muito esperta que sou e sempre fui, orientada pelos meus pais, pelas minhas irmãs, a nunca aceitar nada, eu tirei da boca e joguei no chão”, relatou.

Ela contou que foi ofendida após se recusar a consumir a substância. “E ele fez um escândalo, falou: sabe quanto custa isso?, me chamou de vagabunda na época, e eu pisei e falei você devia ter vergonha de dar isso, dar droga para uma menina da minha idade. Falei se você quiser, lambe do chão”, disse.

Convite para viajar sem o namorado

Rafa também relembrou uma situação ocorrida anos depois, quando tinha 21 ou 22 anos. Segundo ela, estava em um jantar com um ex-namorado quando um homem passou a insistir para que ela viajasse com ele para a praia.

“Anos depois, só falando algumas passagens, eu estava num jantar com meu ex, tinha uns 21, 22 anos, e senta um outro cara de uma família de São Paulo, bilionária, e começou a me chamar para ir para a praia, vamos para a praia, não sei o que, no meu avião e tal. Eu achei que era junto com meu ex, afinal de contas eram amigos”, afirmou.

A apresentadora disse que a proposta, no entanto, era para que ela fosse sozinha. “Não, não é ele, é só você, não precisa falar e você vem com a gente”, contou. Rafa também relatou que ouviu do homem que “um monte de mulher” estaria no avião e que, após comentar o episódio com o ex, os dois nunca mais tiveram contato com a pessoa.

Disquei 190′

No texto publicado junto com o vídeo, Rafa citou outro caso, ocorrido em uma boate. Segundo ela, um homem queria que ela consumisse bebidas do camarote dele, mas ela se recusou e tentou pagar o que havia consumido.

Ao tentar sair, Rafa afirmou que descobriu que o homem era sócio do local e teria bloqueado sua comanda. Ela relatou que ele disse que não permitiria que ela fosse embora caso não aceitasse sair com ele em um carro que já estaria na porta.

“Eu peguei meu celular e disquei 190, ele achou que eu estava blefando, até ouvir o policial no outro lado da linha”, relatou.

A comunicadora disse que tem outras histórias semelhantes e destacou que, embora algumas tenham terminado sem consequências mais graves, poderiam ter tido desfechos traumáticos.

Crítica à impunidade e à cultura de intimidação

No desabafo, Rafa afirmou que, mesmo quando reagia, as respostas dos homens envolvidos costumavam ser sarcásticas ou acompanhadas de ameaças veladas. Para ela, isso reflete uma cultura que normaliza a violência e trata a recusa feminina como provocação.

A apresentadora também comentou que crimes desse tipo foram abafados por anos pela falta de canais de denúncia e de visibilidade. Segundo ela, o avanço da internet e das redes sociais ajudou relatos a ganharem espaço, embora o ambiente digital também seja hostil.

Rafa destacou ainda que mulheres, crianças e adolescentes não podem ser responsabilizados por situações de abuso e lembrou que nem todos têm estrutura emocional ou apoio familiar para reagir. Para ela, é necessário questionar a forma como poder e riqueza são vistos socialmente e cobrar rigor da Justiça quando há envolvimento de homens influentes.

“Não podemos ficar caladas, não podemos nos distrair. O poder financeiro não pode ser eternamente acima do bem e do mal”, escreveu.

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