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26 de junho de 2026

Rock in Rio Lisboa retoma shows e mostra o que esperar da edição de setembro


Por Agência Estado Publicado 26/06/2026 às 19h06
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Depois de um primeiro fim de semana em que os brasileiros do Sepultura, além de Alok e Pedro Sampaio, entre outros grandes artistas internacionais, como Katy Perry e Charlie Puth, fizeram bonito e levaram um público massivo ao Parque Tejo, o Rock in Rio Lisboa retorna neste sábado, 27, e domingo, 28, para mais dois dias de festival, com Cyndi Lauper, Rod Stewart, 21 Savage, Bento Gil, Filipe Ret, Melly, Matuê e Belo entre as principais atrações.

Criada em 2004, a versão portuguesa funcionava, até a pandemia, como uma espécie de laboratório do festival carioca – e vice-versa, já que os dois ocorriam em anos alternados. Em 2026, pode-se dizer que um pouco do que os portugueses estão experimentando nesta semana poderá ser vivido no Rio em setembro. Algumas das bandas que estão tocando lá vão tocar aqui. É o caso de Sepultura, Pedro Sampaio e Alok. Outros artistas, como Katy Perry e Cyndi Lauper, não vêm para o Rio, mas se apresentaram em edições recentes do The Town ou do Rock in Rio.

Em Portugal, o “dia do pop” foi o primeiro a esgotar. No sábado, 20, Pedro Sampaio fez um dos shows mais lotados do dia, Alok segurou um público cansado e Katy Perry, incansável, foi a headliner. O domingo, 21, dedicado inteiramente ao rock com nomes como Linkin Park e Sepultura, foi o segundo a esgotar. Ainda há ingressos para este fim de semana.

Quais artistas brasileiros o público do Rock in Rio Lisboa gostaria de ver?
O Estadão conversou com as pessoas que foram ao “dia do rock” para saber os nomes brasileiros que os portugueses gostariam de ver no festival. A grande maioria ou demonstrava desconhecimento pela música brasileira ou dizia se contentar com o show do Sepultura, banda de rock brasileira mais bem-sucedida internacionalmente, que atualmente faz sua turnê de despedida, Celebrating Life Through Death.

Os que se animaram em responder deram um verdadeiro cardápio de sugestões: Anitta, Ratos de Porão, Paula Fernandes, Seu Jorge, Daniela Mercury, Gabriel, O Pensador.

Roberta Medina, responsável pela edição em Lisboa – e filha de Roberto Medina, “pai” do Rock in Rio -, está dando espaço para artistas brasileiros no festival de Lisboa. Ela não acredita, porém, que festivais de grande porte podem operar milagres na vida de músicos.

“O festival potencializa um trabalho bem feito, mas não é vir tocando que vai resolver a vida de alguém”, afirmou ela em conversa com jornalistas no evento. “Vimos o Bruno Mars ganhar escala no Brasil após dois shows no The Town e viveremos grandes momentos com Elton John e Calvin Harris. O artista precisa vir com musculatura.”

Roberta ainda foi questionada sobre a repetição de artistas nos line-ups do Rock in Rio, na versão brasileira e portuguesa, The Town e Lollapalooza, recentemente adquirido pela produtora Rock World. “Construímos o festival para o público onde estamos. … Alguns artistas fazem sucesso em um mercado e não necessariamente são tão grandes no outro. Às vezes a posição é diferente… Conseguimos trazer o Pedro Sampaio mais rápido para o Palco Mundo aqui do que no Brasil. Com a Ivete foi ao contrário. Anos atrás era difícil trazer música brasileira para Portugal, mas hoje é um fenômeno muito forte.”

E do que o público precisa no Rock in Rio?

Para Zé Ricardo, curador e diretor artístico do Rock in Rio, porém, o festival também é uma possibilidade de “propostas”. “Quando viemos para um festival só focados em um artista, é como se usássemos só um pouco do nosso cérebro”, disse ele, também em conversa com jornalistas no Rock in Rio Lisboa.

A “narrativa curatorial”, como ele chama, pode provocar certa estranheza em alguns fãs, mas é uma das principais ferramentas de dispersão, no bom sentido, de público, ele explica. As ativações também são importantes, na opinião do curador, para evitar que todo mundo fique concentrado em um lugar só, aumentando os riscos. Em Portugal, por exemplo, a produção chegou a colocar, além de ativações atrativas, um telão gigante que transmite todos os jogos da Copa do Mundo.

Compreender que as pessoas que vão num determinado dia não formam uma “massa só” é importante. Em setembro, por exemplo, o evento recebe pela primeira vez o k-pop com o grupo Stray Kids. Mas, no mesmo dia, quem comanda o Palco Sunset é a banda de acid jazz Jamiroquai – que, possivelmente, pode agradar aos pais dos jovens que vão ao Rock in Rio por causa dos sul-coreanos.

“Foi proposital essa construção para que tivéssemos duas experiências diferentes no Rio, nos dois palcos principais”, detalha Zé Ricardo. “É preciso ter coragem nas nossas propostas… As pessoas reclamam nas redes sociais, mas estão todas lá no dia. Trazemos o k-pop, deixamos reclamar, e, daqui a pouco, está todo mundo amando e abraçando, exatamente como aconteceu com o funk.”

Rock in Rio nunca foi (só) rock, diz organização

O k-pop é a inclusão mais recente, mas, na edição passada, o festival gerou debate ao convidar sertanejos para um show conjunto reunindo Chitãozinho & Xororó, Ana Castela, Simone Mendes e Junior. Luan Santana também estava no line-up, mas desistiu de esperar por um atraso no show.

“O sertanejo é um estilo incrível, que conecta com o Brasil de várias maneiras. É um caminho que vamos construindo com muita delicadeza”, disse Zé Ricardo sobre uma possível volta do gênero no futuro.

Outra grande aposta da curadoria neste ano é um “dia de festa”, com Calvin Harris como headliner – o primeiro a ter os ingressos esgotados. “Foi uma surpresa a data ser a primeira a esgotar, mas também foi uma mensagem do público: Beleza, a gente compra a sua ideia”, comenta Zé Ricardo.

O curador ainda esclarece que Black Eyed Peas se apresenta sem Fergie no dia esgotado. Havia rumores de que a formação antiga da banda pudesse tocar de surpresa no Rio de Janeiro.

“É um line-up muito diverso. Tem um dia de rock, de pop, de metal, de festa e um dia mais provocado para uma música mais clássica, com Elton John e Gil. Na verdade, o Rock in Rio abraça muitos públicos”, afirma o curador. “O Rock in Rio tem mais de 40 anos, uma tradicionalidade, fãs muito ferrenhos e apaixonados, mas não se intimida e se reinventa.”

Para aqueles que reclamam da diminuição do espaço para o rock, uma vez que o gênero está no nome do festival, Roberta Medina diz que, desde 1985, “o Rock in Rio sempre foi sobre todos os estilos, nunca foi só rock”.

“Os roqueiros são barulhentos nas redes, mas o primeiro dia que esgota é o pop. Amamos o rock, está na nossa essência, mas precisamos construir dias que funcionem para milhares de pessoas. … A discussão sobre ser rock ou pop é secundária: usamos a marca para falar de magia, alegria e amor”, finaliza.

*A repórter viajou a convite do Rock in Rio.

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