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25 de maio de 2026

Spielberg quer concluir sonho inacabado de Kubrick com série épica sobre Napoleão


Por Agência Estado Publicado 25/05/2026 às 10h45
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Poucos filmes inexistentes carregam tanto peso na história do cinema quanto Napoleão, o projeto monumental que consumiu anos da vida de Stanley Kubrick (1928-1999) sem chegar às telas. Cercado por uma aura quase mítica entre cinéfilos, o longa se tornou conhecido como “o maior filme nunca feito”, não apenas pelo tamanho da ambição de Kubrick, mas pelo nível obsessivo de pesquisa e planejamento que o diretor dedicou à obra.

Mais de cinquenta anos após ser engavetado, o projeto pode finalmente encontrar um caminho para existir. E nas mãos de outro gigante do audiovisual, Steven Spielberg. Durante o Festival Internacional de Cinema de Berlim, em 2023, Spielberg afirmou que desenvolve uma minissérie de sete episódios para a HBO baseada nos materiais deixados por Kubrick, com apoio de Christiane Kubrick e Jan Harlan.

Com a estreia de Dia D, sobre extraterrestres, no dia 11 de junho, é possível que o diretor volte a se dedicar a Napoleão.

A ideia é transformar a história em uma minissérie de sete episódios, formato que permitiria explorar com mais profundidade a dimensão política, militar e emocional da trajetória de Napoleão.

Essa também não seria a primeira vez que Spielberg revive um projeto abandonado por Kubrick. O longa A.I. – Inteligência Artificial nasceu de um conceito originalmente desenvolvido por Kubrick décadas antes.

A obsessão de Kubrick por Napoleão

Após finalizar 2001: Uma Odisseia no Espaço, Kubrick decidiu que seu próximo trabalho seria uma cinebiografia grandiosa sobre Napoleão Bonaparte. Mas a intenção do cineasta estava longe de criar apenas um épico de guerra convencional.

O diretor enxergava Napoleão como uma figura psicológica complexa, um estrategista brilhante, intelectual, político e homem movido por paixões intensas. Em entrevistas da época, Kubrick descrevia a vida do imperador como “um poema épico de ação” e acreditava que a relação dele com Josefina representava “uma das maiores paixões obsessivas de todos os tempos”.

Para construir essa visão, Kubrick mergulhou em uma pesquisa quase sem precedentes na indústria cinematográfica. Leu centenas de livros sobre o líder francês, estudou campanhas militares, reuniu especialistas e organizou um gigantesco arquivo histórico.

Segundo o livro Stanley Kubricks Napoleon: The Greatest Movie Never Made, baseado nos arquivos originais do diretor, o cineasta reuniu cerca de 15 mil fotografias de locações e 17 mil imagens relacionadas à Era Napoleônica durante o desenvolvimento do projeto.

Kubrick também organizou mapas, cartas, estudos militares, referências de figurino e extensas anotações históricas sobre batalhas, costumes e estratégias políticas da época. O objetivo era reconstruir o universo de Napoleão com um rigor quase obsessivo, característica que marcou toda a carreira do diretor.

Kubrick queria reconstruir a França napoleônica com precisão absoluta, filmando em locações reais na Europa e utilizando milhares de figurantes para recriar confrontos militares históricos.

O elenco que Kubrick imaginava

Mesmo sem sair do papel, o projeto avançou na pré-produção. Kubrick cogitou nomes importantes do cinema para interpretar os protagonistas.

O diretor imaginava David Hemmings no papel de Napoleão e Audrey Hepburn como Josefina. Outros nomes como Alec Guinness e Laurence Olivier também eram considerados para o elenco coadjuvante.

Por que o filme nunca foi feito?

Os estúdios enxergavam o projeto como um risco financeiro. O orçamento necessário seria grande, principalmente pela insistência do diretor em filmar em locações reais e construir sequências de guerra monumentais.

O fracasso comercial de Waterloo, lançado justamente durante aquele período e ambientado no mesmo contexto histórico, aumentou ainda mais o medo dos executivos de Hollywood. A MGM e a United Artists passaram a considerar o filme inviável economicamente. Com isso, Napoleão acabou sendo abandonado.

Ainda assim, parte do material pesquisado por Kubrick acabou influenciando diretamente Barry Lyndon (1975), obra-prima do diretor que herdou elementos visuais, figurinos e referências históricas originalmente planejadas para o épico napoleônico. Kubrick morreu em 1999.

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